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sábado, julho 25, 2026

O silêncio é ...

O silêncio é uma flor que desabrochou ao sol.
O silêncio é um pássaro que voa
ao entardecer sobre o mar.

O silêncio é uma criança a brincar.

O silêncio é um abraço apertado de um amigo.
O silêncio é a chuva a molhar-te ao relento.
O silêncio é o sol a entrar pela tua janela.

O silêncio é a aragem fresca da madrugada.
O silêncio é o teu olhar nos olhos do outro.
O silêncio é o espanto na alegria da surpresa.

O silêncio é gritar o amor sem dizer nada.

O silêncio é amar-te, assim, sem medida.


Texto e foto (Sol IA)
Emília Simões
25.07.2026




sábado, junho 06, 2026

A poesia

 



Ao acordar não vislumbro a poesia

e observo as flores da minha varanda.
Flores modestas que, naquele recanto,
são o meu pequeno jardim.

Nelas me revejo
na alegria com que me devolvem o olhar.

Será poesia?
Ou pura fantasia?

Afago-as com ternura
e sorrio.

Talvez a vida seja mais simples
quando aprendemos a encontrar perto
o que nos faz felizes.

Há tanto à nossa volta
que alegra e deslumbra,
porque na simplicidade
o belo encontra morada.

A poesia pode habitar
numa simples flor,
por vezes esquecida num canto,
mas que, no instante certo,
desabrocha,

corre nas veias,
acende o sangue,

reluz em nós
e abre caminhos.

Texto e foto
Emília Simões
06.06.2026

sábado, maio 09, 2026

O tempo


Photohobo


O tempo é implacável!

Não se deixa dominar.

Esgueira-se

por entre os dedos das mãos

como grãos de areia na praia.

Quase sufoca

pela rapidez com que

nos ultrapassa.

Nada o detém.

Oprime o pensamento

e as névoas retiram

brilho ao olhar.

Os caminhos têm mais escolhos

e reaprende-se a caminhar.

Há que dar tempo ao tempo

e fingir alguma indiferença

perante a sua voracidade.

Deixar que a criança que nos habita,

se sobreponha ao tempo

e nos ensine a olhá-lo

com alguma complacência,

com alguma dignidade.

Texto
Emília Simões
09.05.2026


sábado, abril 18, 2026

No teu olhar ...

Pngtree


No teu olhar resgato um brilho,

como se fosse ontem,

o instante que hoje me recorda
as margens verdes do teu rio,

onde, com os pés imersos
nos reflexos do entardecer,
tentava alcançar-te

quando deslizavas no barco,
envolto nas brisas suaves
da tarde.

Quão breve é o tempo,
quão frias as margens,

como a tarde se desvanece
ao ritmo da vida...

Texto 
Emília Simões
18.04.2026

sábado, abril 04, 2026

Nos tons do entardecer

Pixabay


Nos tons do entardecer...

Observo a esperança no teu olhar,
um brilho que parece fugir-me.

Em silêncio,
escuto nos sons da natureza,
a tua voz maviosa,
como um canto de ave
a esvoaçar
em torno do meu ninho,
quase ao meu alcance,
quase distante.

Procuro-te
em cada aroma de flores,
como se me oferecesses
um delicado manjar,
tentação que me chama e se esconde.

E acordo...

Do sonho,
fica apenas o eco de ti
na luz suave do amanhecer,
presença que persiste
entre brilho fugaz e memória.


Texto
Emília Simões
04.04.2026
Desejo a todos uma abençoada e feliz Páscoa!

sábado, janeiro 10, 2026

As minhas mãos


As minhas mãos estão geladas.

Escalei até ao topo da montanha

e o frio atormentou-me

como lâminas afiadas,

que me rasgaram a pele, 

os pensamentos, o olhar, as mãos.

O teclado está-me interdito.

O poema que criei

fica em suspenso, guardado

no fundo da minha alma.

Talvez, amanhã, o sol resplandeça

e com o calor me conforte

e liberte desta inércia.

É que numa longa noite escura,

também há luz.


Texto e foto
Emília Simões
10.01.2026



sábado, outubro 11, 2025

Debruçada na manhã

Irismar Oliveira


Outono, tempo de frutos maduros
com sabor a mel, brilhantes
como os teus olhos,
que fitavam o mundo
misterioso e belo,
que te sorria ao amanhecer,
quando abrias a janela
num gesto sempre igual.
No horizonte raiavam
as cores ténues da aurora,
que acolhias no teu regaço
como se um novo universo
se revelasse a teus pés.
Debruçada na manhã
desviavas o olhar 
para o rio azul que, 
serenamente, te entoava
uma canção de embalar,
melodia que, ainda hoje, 
guardas como um barco a balouçar,
no silêncio das nuvens
que navegam no mais profundo
do teu ser.

Texto
Emília Simões
11.10.2025


sábado, junho 21, 2025

Abraçar o verão


Na minha quietude
procuro refúgio entre sombras e flores,
sob o sol que arde fortemente
incendiando-me o olhar e o pensamento.
O meu corpo, lento, arrasta-se
como asa ferida, de ave em sobressalto.
A travessia é difícil; a sede seca-me os lábios.
As palavras emudecidas
não localizam o caminho até à fonte.
O suor  molha-me o rosto, todo o corpo.
O silêncio incita-me a resistir
e a abraçar o verão.


Texto e foto
@Emília Simões
21.06.2025




sábado, maio 24, 2025

Permite que a luz

Fotos de stock

Permite que a luz penetre a minha sombra
e liberte os destroços que me levam à queda
nos abismos, que cruzam os meus percursos.


Permite que o meu olhar se estenda até ao horizonte
para apreciar o voo das aves
na melodia do entardecer, que acolho no meu peito.


Permite que o meu sonho se expanda ao longo daquela estrada
por onde caminho descalça e sozinha,
onde apenas procuro o pulsar de uma emoção.


Permite que seja apenas eu e o calor do teu abraço.

Texto 
@Emília Simões
24.05.2025




sábado, abril 05, 2025

Um poema germina


Um poema germina como uma árvore.
Dissemino palavras, imprecisas,
sob a magnólia do jardim;
Deixo que o tempo as faça florescer na primavera.
Não sei se as palavras tem odor, como as flores do jasmim
dependuradas do muro, em redor da casa.
Todos os dias espreito da janela
para enxergar alguma palavra, nas folhas
da magnólia, mas o vento, em rodopio,
confunde-me o olhar.
Numa manhã, deparo-me com um broto,
que me parece uma folha a perfurar
uma pétala de magnólia, caída no chão.
O poema inicia o seu ciclo
e, como a primavera, chegou o tempo
de vicejar.

Texto e foto
Emília Simões
05.04.2025

sábado, janeiro 25, 2025

Passei na nossa rua



Passei na nossa rua e entrei na velha casa.
Ainda não tinha voltado desde que partiste.
Chovia, chovia muito, dentro e fora de mim.
Um caudal imenso enchia o leito do rio
que, lá em baixo, refletia o teu olhar
nas lembranças, que deixaste gravadas
no mais íntimo do meu ser.
Tanto que eu gosto daquele rio!
Guarda todas as memórias de quantos
partiram e deixaram as reminiscências
do passado, sobre as névoas do rio.
Um passado, que guardo em silêncio
no meu coração, que só eu sei,
que só eu entendo, que só eu vivo,
que crepita em intimidade e saudade,
para sempre.

Texto (Para minha mãe)
Emília Simões
25.01.2025
Imagem Google

sábado, outubro 26, 2024

No silêncio do outono


No silêncio do outono
ouço o vento nas folhas
que caem impiedosamente
e a chuva que as embebe
deixando-as brilhantes
no chão escorregadio.

No silêncio do outono
revejo folhas antigas
que me trazem memórias
embutidas no meu ser.

No silêncio do outono
entro na tua casa
e as paredes brancas e frias 
falam-me de ti
a observar o rio lá em baixo,
que corre límpido como o teu olhar.

No silêncio do outono
recolho-me, não ouço a tua voz
e não tarda é inverno outra vez.

Texto
Emília Simões
26.10.2024
Imagem Pixabay

sábado, setembro 28, 2024

No fundo dos meus olhos

 


No fundo dos meus olhos leio os teus.

Misturam-se num terno olhar que

os eleva num doce e húmido sentir.


Quando os olhos se encontram

tudo paira para além dos sentidos,

mergulhando-os ternamente,

como nenúfares, num lago azul,

onde o céu reflete a claridade das nuvens.


O sol brilha e entoa

numa suave e refrescante aragem,

uma breve e anunciada sonata de outono.


Texto e foto
Emília Simões
11.09.2024

sábado, setembro 21, 2024

O outono que se apressa


As folhas secas espalhadas no chão,
anunciam o outono, que se apressa.
O vento assobia e as folhas, em desalinho,
dançam num vaivém frenético a melodia
do verão, que se despede.
O seu olhar segue o movimento das folhas
e o dourado da tarde ofusca-lhe os sentidos,
que se misturam com o entardecer.
Os dias serão mais curtos, as noites mais longas.
O tempo encurta as horas, os minutos...
Por momentos, o seu pensamento turva-se
numa nostalgia que compunge.
Não pode voltar atrás!
O relógio acelera, mas o seu tempo
será o tempo do porvir das primaveras,
porque em cada estação há sempre
uma flor mágica a ser colhida.

Texto
Emília Simões
19.09.2024
Imagem Google

sábado, junho 01, 2024

No silêncio das palavras



No silêncio das palavras
enxergo com assombro
os dias em que o sol, brilhante,
torna os dias mais alegres
e as aves cantam e saltitam
nas flores em cada manhã.

Nos rastos dos jardins
procuro as tuas pegadas
quando, na sombra das árvores,
lias no meu olhar
a sede do teu amor.

Na natureza em festa
por instantes não há guerras.
Há uma grande paz e suavidade
que, embora céleres,
me fazem sonhar e acreditar
numa nova humanidade.

Emília Simões
01.06.2024
Imagem Google

sábado, maio 18, 2024

Rasgo com o olhar


Rasgo com o olhar a claridade do dia,
que se faz palavra ao amanhecer
dentro dos versos tímidos,
que ouso rabiscar.
Um mar de emoções
invade-me nas lembranças
do mundo injusto e cruel
que me magoa 
e julgo-me ainda a sonhar.
As notícias correm breves
e não, não é um sonho.
Estou simplesmente a divagar
sobre um tempo em que a lucidez
não impera e o mundo
continua numa agonia lenta,
ignóbil que faz doer.
A palavra aperta-me a voz
e fere-me os dedos.
Poiso a caneta e
olho através da janela. 
Lá fora, o sol continua a brilhar!


Texto
Emília Simões
18.05.2024
Imagem Google

domingo, dezembro 10, 2023

Sentada na escarpa



Sentada na escarpa

vagueio o olhar pelo horizonte 

que perscruta o entardecer, 

de uma tarde de outono.

Recordo-me da varanda

de onde ao acordar

vislumbrava o amanhecer.

Os dias tão longos,

hoje tão curtos.

A alma imperturbável

recolhe nos recônditos da memória

as cores, que hoje tão distantes,

estão aprisionadas

no pensamento.

Quando a noite murmurar

o frio e a geada do inverno,

a primavera florescerá

nas pontas dos meus dedos.


Texto
Ailime
10.12.2023
Imagem Google


sábado, maio 06, 2023

Presságio de esperança


 

Pé ante pé percorro a seara por maturar;

procuro as papoilas vermelhas

qual pôr do sol a raiar o chão.

Mil e uma cores abraçam-me o peito

e, por momentos, agarro outra flor e outra

e deixo para trás o vento

que teima em rodopiar-me nas mãos

o fogo intenso das primaveras,

que o tempo percorre no meu olhar.

Aqui e ali ouço o canto dos pássaros

e um presságio de esperança

acalenta-me a alma.



Texto e foto
Ailime
06.05.2023

sábado, março 11, 2023

Silêncio, sede, deserto.

 



Silêncio, sede, deserto.
Uma angústia perpassa o meu ser.
Horizontes nebulados.
Ecos sombrios envolvem-me
como uma muralha 
que me tolhe os movimentos
e me aprisiona.
O olhar fixo no além
distante das manhãs
que me oferecem a claridade 
presa nas asas dos pássaros
que esvoejam nas dunas.
Uma flor de primavera
brota no silêncio da tarde
mitigando-me a sede
no deserto invisível.


Texto
Ailime
11.03.2023

sábado, fevereiro 18, 2023

Vislumbro o meu rio


Vislumbro o meu rio que, plácido,
percorre no seu leito junto às margens
as memórias que guardo
como se  fossem joias raras
refletidas nos seixos, que brilham ao sol.
Tudo tão longínquo e tão próximo,
como se a lezíria verdejante
me devolvesse o teu olhar refletido
como se fora ontem primavera
e os pássaros me oferecessem
o teu sorriso num broto florido.
O rio imperturbável não olha para trás
e apenas o silêncio me fala.


Texto e foto
Ailime
18.02.2023