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sábado, abril 05, 2025

Um poema germina


Um poema germina como uma árvore.
Dissemino palavras, imprecisas,
sob a magnólia do jardim;
Deixo que o tempo as faça florescer na primavera.
Não sei se as palavras tem odor, como as flores do jasmim
dependuradas do muro, em redor da casa.
Todos os dias espreito da janela
para enxergar alguma palavra, nas folhas
da magnólia, mas o vento, em rodopio,
confunde-me o olhar.
Numa manhã, deparo-me com um broto,
que me parece uma folha a perfurar
uma pétala de magnólia, caída no chão.
O poema inicia o seu ciclo
e, como a primavera, chegou o tempo
de vicejar.

Texto e foto
Emília Simões
05.04.2025

sábado, fevereiro 18, 2023

Vislumbro o meu rio


Vislumbro o meu rio que, plácido,
percorre no seu leito junto às margens
as memórias que guardo
como se  fossem joias raras
refletidas nos seixos, que brilham ao sol.
Tudo tão longínquo e tão próximo,
como se a lezíria verdejante
me devolvesse o teu olhar refletido
como se fora ontem primavera
e os pássaros me oferecessem
o teu sorriso num broto florido.
O rio imperturbável não olha para trás
e apenas o silêncio me fala.


Texto e foto
Ailime
18.02.2023