Algo me impelia naquela jornada que parecia não ter fim.
Os meus pés eram como asas que resistiam às pedras do
chão térreo
e se quedavam sobre as ervas macias que ia encontrando
pelo caminho.
Os meus braços, por vezes, prendiam-se nos teus quando o
meu corpo parecia sucumbir ao
cansaço que quase me desfalecia.
Mas a brisa fresca e perfumada pelo rosmaninho e alecrim
era como um bálsamo que me sorria
e inebriava como se os obstáculos não existissem.
Eu não sabia que o meu corpo se tornaria leve e que podia
voar como os pássaros e sobrevoar
as lezírias onde o pão crescia verde e suculento.
Eu não sabia tantas coisas que passavam por mim a
esvoaçar e que eu tentava aprisionar como se uma sede de infinito invadisse
todo o meu ser e me ardesse no peito, que latejava.
Eu não sabia que aquela luz era tão forte que quase me
cegava de tanto brilho.
Eu não sabia, mas no horizonte, muito ao de leve, antevia
a linha da meta que, crendo, eu perseguia.
Texto
Ailime
Imagem Google
10.05.2017

