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sábado, maio 25, 2024

Desassossegos



No meio dos canaviais avista-se o mar 
ali mesmo à beira da estrada.
Já lhe doem os pés, qual peregrino,
de tanto caminhar
e os olhos embaciam-se com a neblina. 
Por instantes deixa de enxergar.

Ouve as gaivotas que grasnam assustadas
prenunciando tempestade
naquele fim de tarde.

Fica em desassossego e 
e num reflexo rápido esfrega os olhos
e pode observar relâmpagos
que faíscam à sua frente.

Num casebre próximo recolhe-se
até a tempestade passar.
O cansaço é mais forte e adormece.
Quando acorda já é manhã.
No horizonte, nuvens brancas, sorriem-lhe
e retoma o seu destino.


Texto e foto
Emília Simões
25.05.2024




sábado, setembro 17, 2022

Tinhas nos olhos a sede


Anouk Lacasse

Tinhas nos olhos a sede

de quem sofre a solidão

das noites em que os relâmpagos

abrem crateras de fogo

no tumulto das palavras.


Tudo era tão inteiro

quando enchias o peito

com as cores do arco-íris

e as palavras tão breves

no reencontro dos versos.


Nas folhas caídas, lias as primaveras

recitadas na infância

quando o universo te abraçava

numa dança irrequieta

a balouçar nos braços do vento.


Texto
Ailime
11.09.2022

sexta-feira, abril 15, 2022

No meu silêncio


No meu silêncio ensimesmei-me.
Angústias me trespassaram
como relâmpagos a faiscarem
que me atravessaram o corpo
em tempestade convulsiva
e chorei.
A tua ausência,
a tua traição.
Subi ao cume do monte.
Como ladrão fui esconjurado,
maltratado
e açoitado.
Crucificado.
O templo rasgou-se ao meio,
o sol eclipsou-se
e expirei.
Tudo foi consumado.

Santa e abençoada Pascoa.

Texto
Ailime
Imagem Google
13.04.2022

terça-feira, janeiro 11, 2022

Há no silêncio dos corpos

Leonid Afremov


Há no silêncio dos corpos

uma cumplicidade no olhar

como se relâmpagos

alumiassem as escarpas

onde nos desnudamos

como cardumes ao vento

a marulhar em praias

invisíveis.

Afetos e vozes inaudíveis

mergulham definitivamente

num mar de privação, 

no universo inacabado

para lá do tempo

e dos enigmas do espaço.


Texto
Ailime
10.01.2022
Imagem Google

sábado, julho 25, 2020

O medo

Medo: por que sentimos e como superá-lo – Blog Vittude

Quisera que o medo fosse uma névoa
uma simples palavra sem nexo, 
a vaguear por vales profundos e longínquos
onde os pássaros não a alcançassem
nem os relâmpagos a faiscassem
nem os ecos a cativassem
como se fora um buraco negro
a doer-me dentro do peito.
quisera não entender o medo.
refugiar-me num barco verde
numa praia de águas límpidas
onde o sol brilha em cada pedrinha azul
que te devolve as insondáveis horas 
em que te deténs sobre a escarpa alada
dum tempo fora de tempo.
em que as incertezas se tornam certezas
nas tuas mãos vazias de gestos
quando os teus olhos, côncavos,
se retraem no exílio.


Texto
Ailime
25.07.2020
Imagem  Google

quinta-feira, janeiro 09, 2020

Na busca incessante das manhãs.

Jetty, Sunset, Lake, Sky, Clouds, Reflection

À noite quando as sombras pairam sobre escombros
e dentro de ti o vazio te cala na voz o silêncio
ouve-se ao longe o som do mar em burburinho
como se fora um cântico que os deuses cogitam
para amainar as tempestades das asas dos anjos.

Relâmpagos de marés alumiam-te na escuridão
perpetrando um concerto de vozes maviosas
a bailar sobre nuvens em voos desordenados
na busca incessante das manhãs.


Texto
Ailime
09.01.2020
Imagem Google

segunda-feira, abril 08, 2019

Nos dias avessos à luz


Nos dias avessos à luz 

descubro veredas por entre florestas sombrias 

que me lembram o tempo 

em que caminhavas desamparado 

como se o mundo te renegasse 

o chão, que pesadamente pisavas 

como se não houvesse relâmpagos, 

nem pássaros, nem silêncios, nem palavras  

a rasgar as manhãs, que os teus olhos guardavam. 

Das tuas mãos, em gestos simples, 

as flores desprendiam-se como asas 

que ninguém via, que ninguém ouvia. 

Apenas tu lhes conhecias a cor. 

 

Texto
Ailime 
08.04.2019 
Imagem Google

terça-feira, março 05, 2019

Do chão molhado da tarde


Do chão molhado da tarde 
Aves partem em debandada 
O firmamento acolhe-as  
Com os braços estendidos  
E enlaça-as 
Vagarosamente 
Como se fossem estrelas cadentes 
A cruzar a noite 
Nos umbrais do meu sentir.

Mas a tarde desdobra-se 
Em mil e uma cores. 
Agarro um arco-íris 
E poiso-o nas minhas mãos. 

Os pássaros regressam 
Em voo livre e cadente  
E espargem no chão 
Relâmpagos quase extintos. 


Texto
Ailime
05.03.2019
Imagem Google

terça-feira, abril 10, 2018

Liberdade dos gestos


Há na liberdade dos gestos
o brilho da alvorada
que ilumina os olhares
e incendeia o horizonte
como relâmpagos
a cintilar no firmamento
o voo arrojado dos pássaros
que sobrevoam as marés
na amplitude dos gestos
despojados de silêncios.

Texto
Ailime
10.04.2018
Foto: Google

segunda-feira, maio 30, 2016

Em silêncio


Em silêncio os pássaros
rasgam o vento
sobrevoando
mares encapotados
por neblinas à deriva,
como barcos a sucumbir
nos areais gélidos
de praias imaginárias
dispersas pelos sonhos
inacabados
dos náufragos.

Em veloz apatia
cardumes flutuam
como foguetes
a cintilar nas águas
as faíscas dos relâmpagos.



Texto 
Ailime
Imagem Google
30.05.2016