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sábado, maio 03, 2025

Um manto de silêncio



Um manto de silêncio envolve-me;
a minha alma submersa em penumbra
soturna, por não te encontrar.

Talvez o cansaço não me deixe respirar
a natureza, repleta de árvores a dançar
e os pássaros alegres, que voam em meu redor,
tentando despertar-me desta letargia.

Vislumbro no horizonte uma luz
que me fixa intensamente.
Talvez seja o reflexo do meu sentir
mergulhando placidamente nas cores
do entardecer.
.................................................
Anoitece e dentro de mim, sinto
o revoar de um novo amanhecer,
de uma nova esperança, que me
acorde deste silêncio profundo,
que me faça acreditar num novo rumo.


Texto e foto
Emília Simões
03.05.2025


sábado, setembro 28, 2024

No fundo dos meus olhos

 


No fundo dos meus olhos leio os teus.

Misturam-se num terno olhar que

os eleva num doce e húmido sentir.


Quando os olhos se encontram

tudo paira para além dos sentidos,

mergulhando-os ternamente,

como nenúfares, num lago azul,

onde o céu reflete a claridade das nuvens.


O sol brilha e entoa

numa suave e refrescante aragem,

uma breve e anunciada sonata de outono.


Texto e foto
Emília Simões
11.09.2024

quinta-feira, abril 28, 2022

Percorro os campos em flor



Percorro os campos em flor
que me falam de primaveras
mas também de madrugadas
de tempos muito longínquos
que trago cingidos ao peito.

Inebriada por sentimentos e afetos,
nuvens brancas em céus azuis
debruavam o meu olhar
por entre as margens do rio
que sussurravam o meu sentir
no rumorejo das águas.

Hoje, apenas ecos, reproduzem
os sons de outrora, quando os pássaros
em voos alegres e maviosos
vêm pousar nas minhas mãos
o restolho da saudade.


Texto e foto
Ailime
27.04.2022

terça-feira, março 05, 2019

Do chão molhado da tarde


Do chão molhado da tarde 
Aves partem em debandada 
O firmamento acolhe-as  
Com os braços estendidos  
E enlaça-as 
Vagarosamente 
Como se fossem estrelas cadentes 
A cruzar a noite 
Nos umbrais do meu sentir.

Mas a tarde desdobra-se 
Em mil e uma cores. 
Agarro um arco-íris 
E poiso-o nas minhas mãos. 

Os pássaros regressam 
Em voo livre e cadente  
E espargem no chão 
Relâmpagos quase extintos. 


Texto
Ailime
05.03.2019
Imagem Google

domingo, janeiro 30, 2011

Aprisiono o sonho

Neste meu sentir aqui
Onde longe se faz perto
Aprisiono o teu sorriso
E abraço-te na distância
De auroras anunciadas.


O sonho vai cumprir-se
E na madrugada fulgente
Vou clamar a maresia
Suspensa no olhar
Transparente de ti.



Ailime
30.01.2011
Imagem cedida pela Net