«As palavras pesam. Um texto nunca diz a dor das pequenas coisas» Graça Pires in Poemas escolhidos
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terça-feira, janeiro 15, 2019
As palavras
A língua prende-se na voz
e tolhe as parcas palavras
que, silenciosas, se recolhem
como búzios em maré vaza.
As sílabas que tento soletrar
estão reféns como barcos,
que encalhados nos cais,
há muito perderam os mastros.
Um pássaro em pleno voo
resgata-me desta indolência.
Colada às suas asas
vagueio pelo firmamento
até que um sopro de vento
me liberte e devolva as palavras.
Texto
Ailime
15.01.2019
Imagem Google
sábado, outubro 27, 2018
Num rasgo de vento
o outono revela-se
nas folhas esmaecidas
que atapetam o chão,
desnudando os ramos
que rasgam as nuvens
num rodopio de asas.
Que vento é este
que ruge como o mar
em dia de tempestade
e arrasta as folhas
como barcos a naufragar?
Uma simples aragem?
Um relâmpago?
Uma vertigem?
É apenas o outono
a faiscar nas folhas
a luz quebrantada
na linha do horizonte.
Texto Ailime
27.10.2018
Imagem Google
domingo, agosto 12, 2018
Seguia-te os passos
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| Desconheço o autor |
Seguia-te os passos pesados
e ria a saltar de árvore em árvore
o desassossego da inocência
que não repreendias nas palavras
que o teu silêncio guardava.
As águas corriam plácidas, no rio,
nas margens palpitavam cardumes
que te brilhavam no olhar
como sóis a lampejar nos barcos
a maré vazia de limos.
Texto
Ailime
Agosto 2018
Etiquetas:
árvore,
barcos,
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terça-feira, março 27, 2018
É ainda inverno
que os temporais têm açoitado
como se fossem barcos à deriva
em mares agitados por ventos enfurecidos.
E o meu corpo tremente de frio
como se a neve, a escorrer da montanha,
o envolvesse em brancura gélida
procura avidamente o calor do sol
(ainda tímido em manhãs precoces)
para o envolver em suave enlace
como amantes ávidos de desejos.
sábado, janeiro 13, 2018
O meu rio, quase inerte
Lá em baixo, o meu rio passa
numa agonia que lacera
conspurcado pela ignomínia
dos homens que sem piedade
o assassinam a olho nu.
Nas margens os barcos ancorados
vazios de sustento, carpem
a impiedade que avassala o rio
numa destruição pungente.
Tudo em redor são cinzas,
porque as guelras há muito
deixaram de respirar
na transparência das águas
a claridade da vida.
O meu rio, corre lá em baixo
quase inerte, quase irreconhecível
numa agonia que lacera.
Texto
Ailime
13.01.2017
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sábado, outubro 28, 2017
Há no silêncio das águas
Há no silêncio das águas
um outro planeta
a carpir o chão queimado.
E na ausência das marés
a terra implora
que as gaivotas regressem
para libertar os barcos
esquecidos nos portos.
No meu olhar ressequido
há muito que as cinzas
não me deixam ver claro.
Ailime
28.10.2017
Imagem Google
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silêncio
terça-feira, setembro 29, 2015
Torna-se necessário rescrever a canção
Torna-se necessário rescrever a canção
Mesmo que as mãos, em chamas,
Recusem o gesto, vacilante, da melodia.
Como os pássaros, que de asas feridas
Cruzam os céus em voos arrojados,
É urgente que os barcos ergam as velas
Na melopeia cadente da maré cheia.
Ailime
29.03.2015
Imagem Google
sábado, maio 25, 2013
O mar
O mar envolve em amplexos de espuma
Os barcos de mastros infinitos
Como auguro de um futuro álacre
Dos astros que mareiam oscilantes
Se eu pudesse capturar uma anémona
Verde como o mar que me cativa
Elegeria entre todas a mais luzente
Por entre vagas de marés em rodopio
Arrastaria para a praia de areal azul
Um batel de corais e búzios de marfim
Onde gaivotas brancas como anjos
Entoariam uma ária só para ti.
Ailime
25.05.2013
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