Na minha quietude
procuro refúgio entre sombras e flores,
sob o sol que arde fortemente
incendiando-me o olhar e o pensamento.
O meu corpo, lento, arrasta-se
como asa ferida, de ave em sobressalto.
A travessia é difícil; a sede seca-me os lábios.
As palavras emudecidas
não localizam o caminho até à fonte.
O suor molha-me o rosto, todo o corpo.
O silêncio incita-me a resistir
e a abraçar o verão.
«As palavras pesam. Um texto nunca diz a dor das pequenas coisas» Graça Pires in Poemas escolhidos
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sábado, junho 21, 2025
Abraçar o verão
Texto e foto
@Emília Simões
21.06.2025
sábado, setembro 30, 2023
Desato as sandálias
Desato as sandálias e caminho descalça pelas dunas;
os meus pés pisam areias secas e por momentos
recuo e torno a calçar-me. O chão escalda.
O deserto é penoso, mas desafiante.
Nele me reencontro, sempre que durmo ao relento
nas noites infindáveis, quando mergulho em sono profundo.
Pela manhã o sol acorda-me e uma flor sorri.
É o recomeço da travessia; por instantes, sonho.
Texto
Ailime
30.09.2023
Image Google
Ailime
30.09.2023
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terça-feira, agosto 14, 2012
Diviso por entre as ramagens
Diviso por entre as ramagens
Camufladas por neblinas
Ventos que não sopram
A favor da bonomia.
E incautas tempestades
De aridez insana e profunda
Aniquilam a esperança
De almas angustiadas,
Na travessia dos desertos
Que alastram e esmagam
A dignidade humana.
Ailime
14.08.2012
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