A chuva é poesia a cair das nuvens
envolvendo-me em paz e silêncio
quando a observo através da janela,
como se fosse um momento
de introspeção sobre a vida.
A chuva é esperança a inundar-me o regaço,
como pássaros
que anteveem a primavera
nos seus voos molhados,
suspensos sob os beirais.
A chuva é uma melodia
que me embala e traz consolo,
quando o vazio se instala em mim
e o frio me trespassa, deixando
o meu corpo exausto.
A chuva tem um cheiro singular.
Rega a terra e prepara-a
para que a vida renasça na primavera,
aqueça os corpos no calor do verão
e nos ofereça a beleza de outono.
Não tardará e será outra vez inverno.
A chuva voltará a cair
e dentro de mim
os pássaros molhados
voltarão de novo a cantar.
Emília Simões
Imagem (Net) desconheço
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