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sábado, março 01, 2025

Em silêncio

Pixabay

  

Há muros e lírios
nos meus jardins.
Os muros com vestes aveludadas
de musgos e fetos, 
numa paisagem sombria,
convidam-me ao silêncio.
Ouço apenas o canto dos pássaros
e observo no fundo do quintal
os lírios, que evocam saudade.
Os meus jardins têm poucas flores.
As rosas ainda persistem; são belas,
como os lírios.
Ali me detenho, sem pressa.
Escuto atenta
o canto dos pássaros
que, em meu redor, se agitam
e partem em debandada.
O muro resguarda o silêncio,
nos vestígios do meu olhar.

Texto
Emília Simões
01.03.2025



sábado, dezembro 07, 2024

Nesta tarde fria, quase inverno


Nesta tarde fria, quase inverno,
recordo-te a costurares vestidos
quentinhos,
para as tuas três meninas,
para estrearmos no dia de Natal.

De manhã com os vestidos novos
íamos admirar as montras das lojas,
todas com presépios cheios de neve,
lagos, rios, pontes e pastores, 
que iam adorar o Menino Jesus!

Era um ritual que se repetia
em cada Natal.

Ah, já me esquecia,
Também estreávamos sapatos
e como nos sentíamos vaidosas.
Depois de visitarmos os presépios
íamos a correr para a Missa.

Na Igreja um grande presépio
mostrava uma Família feliz
rodeando o Menino, assim como
a vaca e o burro, que O aqueciam com o bafo.
Mais atrás, os Reis Magos, que haveriam de chegar.

Era um tempo de musgos, fetos, tudo muito verde.
E muito frio também, mas não faltava a lareira.
A vida era muito simples, mas os afetos
eram os nossos melhores presentes.

Ainda hoje me lembro tanto...

Todos partiram, mas deixaram em nós a essência
do verdadeiro Natal.

Texto
Emília Simões
07.12.2024
Imagem Google