O silêncio é uma criança a brincar.
O silêncio é gritar o amor sem dizer nada.
O silêncio é amar-te, assim, sem medida.
«As palavras pesam. Um texto nunca diz a dor das pequenas coisas» Graça Pires in Poemas escolhidos
O silêncio é uma criança a brincar.
O silêncio é gritar o amor sem dizer nada.
O silêncio é amar-te, assim, sem medida.
Para minha mãe
Caminhando pela praia deixo-me seduzir pelo vento
e aspiro a brisa do mar que me fala de ti.
Pressinto-te ao longe junto à escarpa
e vou no teu encalce como se foras um príncipe,
que mora em meu coração desde sempre.
Anseio pelo reencontro.
Há tanto tempo que não te vislumbro,
mas sei que me esperas com o mesmo anseio
com que outrora me abraçavas e beijavas.
Hoje não vai ser diferente e o nosso abraço
prolongar-se-á no tempo, num eterno desejo de amar.
Um dia pode significar uma infinidade de coisas e factos.
Mas num dia não cabe todo o amor que as distâncias separam
todas as saudades que fazem doer o coração
todo o afeto que um beijo pode transmitir
ou o abraço apertado que se dá com um nó na garganta.
Um dia pode significar uma infinidade de coisas e factos.
Mas jamais pode substituir a presença de quem longe
olha o horizonte como se ali pudesse beber da seiva das suas raízes
mergulhar num mar de sentimentos reprimidos
estreitando os laços que teimam em queimar a pele.
Um dia pode significar uma infinidade de coisas e factos.
Lembranças, glórias, vitórias, feitos, conquistas
mas jamais poderá mostrar o brilho do olhar e o sorriso
de quem longe é pródigo em silêncios e solidão
atravessando o dia com uma vontade irreprimível de regressar.
Para o meu filho SS
No som do silêncio
a claridade da manhã
como um cântico
a inebriar-me os sentidos
passadas as sombras
que anuviavam meus dias.
Os pássaros voejam alegres
e pousam na minha janela
o esplendor do voo
como num abraço de paz
acordando as palavras
adormecidas na noite.
Foguetes anunciam a festa
e as palavras bailam desordenadas
ao sabor do vento
desfazendo a solidão.