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sábado, dezembro 13, 2025

No teu colo

Pixabay


Uma cozinha pequena,
uma lareira grande
e uma fogueira
de chamas a crepitar.

As varas com os enchidos,
na enorme chaminé,
lembravam a matança do porco,
ritual antigo do inverno.

Lá fora, geada e vento.
Tão frio era o inverno.
Era dezembro, mês de Natal.

A tua casa era modesta, mas ampla.
Nela morava o meu aconchego
nos longos serões de inverno,
até adormecer
no calor da lareira.

No teu colo, pela rua iluminada
pelos pirilampos que a ladeavam,
percorríamos o caminho de volta
à minha casa, um pouco acima.

Quando acordava de manhã,
ainda sentia o calor
do teu colo
e da lareira acesa.

Emília Simões
13.12.2025

domingo, dezembro 10, 2023

Sentada na escarpa



Sentada na escarpa

vagueio o olhar pelo horizonte 

que perscruta o entardecer, 

de uma tarde de outono.

Recordo-me da varanda

de onde ao acordar

vislumbrava o amanhecer.

Os dias tão longos,

hoje tão curtos.

A alma imperturbável

recolhe nos recônditos da memória

as cores, que hoje tão distantes,

estão aprisionadas

no pensamento.

Quando a noite murmurar

o frio e a geada do inverno,

a primavera florescerá

nas pontas dos meus dedos.


Texto
Ailime
10.12.2023
Imagem Google


segunda-feira, novembro 20, 2023

É outono

 


A natureza reveste-se de amarelo dourado.

Os frutos têm  sabor a mel.

Nos meus lábios o teu nome

tem o aroma de um amanhecer

e o sabor de um pôr do sol.


Os dias são mais curtos.

Os raios solares mais amenos.

Os muros e os troncos de árvores

cobrem-se de líquenes e musgos.

Nos prados, a geada cobre as ervas pela manhã.


A natureza respira serenidade;

até o vento amainou.

Quase que o aconchego  nas minhas mãos.

Paira no ar o cheiro a castanhas assadas,

maçãs e canela.


No chão molhado repousam folhas caídas,

no outono da alma, no outono da vida.


Texto e foto
Ailime
19.11.2023


domingo, dezembro 18, 2022

O sol tarda, mas já se anuncia.



Percorro os caminhos de outrora

cobertos de geada.

Nos escombros dos muros o musgo,

onde escorre a fria madrugada

que acolhe os pássaros feridos 

de mais uma noite ao relento.

Sobre o rio, neblinas

vertem o orvalho da manhã,

que cava no teu rosto

as cicatrizes da noite,

que te embalam no silêncio

onde mergulhas a voz.

O sol tarda, mas já se anuncia

na cor purpúrea do amanhecer.


Texto 
Ailime
10.12.2022
Imagem Google



quinta-feira, dezembro 16, 2021

Presépio da minha infância (Boas Festas)

BOAS FESTAS! 

(Vou fazer uma pausa)



No tempo da geada, da
minha infância, 
apanhávamos o musgo como
se fora veludo.
Era macio, brilhante, como
duas estrelas a faiscarem amor. 
O frio não detinha os nossos dedos enregelados
que, delicadamente,
o subtraíam à terra, também ela macia.
As nossas vozes, desafinadas,
entoavam cânticos de Natal.
O Menino esperava-nos
numa caixa guardada
na sacristia da Igreja.
Era uma luz serena,
que humilde e silenciosa
dali a pouco refulgiria numa caminha de palha
sobre o presépio de musgo macio.
No topo da cabana 
cintilava
a mais  bela e brilhante estrela de Natal.
E os anjos entoavam: 
Glória in Excelcis Deo! 
Paz na Terra aos homens de boa vontade! 


Aproveito para vos desejar um santo e feliz Natal ,
com muito amor, paz  e saúde.
Obrigada pela vossa presença neste meu cantinho ao longo do ano.
Próspero 2022!
Texto
Ailime
24.11.2021

terça-feira, agosto 28, 2012

E o mundo ainda tão longe



Na geada da minha infância
No teu colo sentada,
O mundo ainda tão longe...

Sentia-me aconchegada
No calor do teu peito,
Ouvindo o crepitar do fogo
Da lareira onde agora
Repousam apenas as cinzas,
Do braseiro que ateavas.

E o mundo ainda tão longe...


Ailime
30.01.2010
Imagem da Net