 |
| Desconheço o autor |
Sob o céu dos dias longínquos
nas margens do nosso rio
ouço no marulhar das águas
o som da tua voz,
que me reprendia em silêncio
das traquinices de criança.
Eras sereno, compreensivo.
Tinhas um coração tão grande.
Hoje tudo mudou; como gostaria
de prolongar as conversas de anos mais tarde,
em que trocávamos ideias sobre o mundo,
sobre as gentes e o modo de pensar.
O que pensarias sobre o dia de amanhã?
Viveste o antes e o depois.
Sei que o teu coração e o meu
convergiam; tu me ensinaste história.
História hoje maltratada, rasgada,
incompreendida e esquecida.
Que fizeram ao nosso rio?
Sinto o desconforto das margens,
onde navegam barcos à deriva.
Texto
Emília Simões
17.01.2026