O tempo é implacável!
Não se deixa dominar.
Esgueira-se
por entre os dedos das mãos
como grãos de areia na praia.
Quase sufoca
pela rapidez com que
nos ultrapassa.
Nada o detém.
Oprime o pensamento
e as névoas retiram
brilho ao olhar.
Os caminhos têm mais escolhos
e reaprende-se a caminhar.
Há que dar tempo ao tempo
e fingir alguma indiferença
perante a sua voracidade.
Deixar que a criança que nos habita,
se sobreponha ao tempo
e nos ensine a olhá-lo
com alguma complacência,
com alguma dignidade.
Emília Simões
09.05.2026
