quarta-feira, outubro 16, 2019

No silêncio do outono


No silêncio do outono emergem sentidos
como se a minha voz se calasse
por imposição das sombras
O vento arrasta as folhas
que gravitam como sóis
em rotações desgovernadas
no asfalto dos dias,
que esculpe nas horas
vestígios do entardecer.

Texto e foto
Ailime
16.10.2019

terça-feira, outubro 01, 2019

Na sombra da folha




Na sombra da folha que esmaece no chão
o outono esconde-se envergonhado
Não fora a luz que resiste ao sol-pôr
adormeceria no silêncio da noite
como que a retardar o momento
da colisão com as estrelas.


Texto e foto
 Ailime
01.10.2019

quarta-feira, setembro 18, 2019

Nos olhos da noite também há luz.



Nos olhos da noite
sentia o silêncio mudo
que te escavava no rosto
a angústia, que te dilacerava
no peito a ausência da luz.

Dias tortuosos, sombras
que te trespassavam o olhar
pálido como paredes brancas
onde o luar se queda
em noite de quarto crescente.

Mas nem sempre o inverno
obscurece os mares que navegas.
Timidamente uma vigia abriu-se
e de rompante dissiparam-se as trevas.
A luz reacendeu-te no olhar, a vida
que na praia te aguardava a sorrir.

É que nos olhos da noite também há luz.



Texto e foto
Ailime
13.09.2016
(Reedição revista)

quinta-feira, setembro 05, 2019

Nas asas do silêncio



Nas asas do silêncio,
na meditação,
com que sulcas os teus passos
tão leves como asas de borboletas
pé ante pé
elevas-te
com simplicidade e humildade
aos olhos de Deus.


Texto
Ailime
A Tolentino de Mendonça
05.09.2019
Imagem Google


segunda-feira, agosto 26, 2019

Não posso calar mais a voz

Correspondendo ao desafio proposto por Marta Vinhais no seu Blogue Com Amor, aceitei sendo que as condições são as seguintes:

«REGRAS:
1 - Poema ou prosa
2 - A ser publicado no vosso blog
3 - Tema a vosso gosto
4 - Obrigatoriamente terá que ter uma destas palavras: lenda, brisa e voz»

Escolhi a palavra voz


Não posso calar mais a voz
que sucumbe lentamente
como se o outono me emudecesse
a alma, que almeja por liberdade

Ecos longínquos assolam-me
como ventos em desalinho
soltos pelas amarras
das tempestades no mar

Pássaros esvoaçam em alvoroço
réstias de luz relampejam nos barcos
o meu olhar detém-se no leme

Na vastidão do horizonte
a minha voz solta-se
no abrigo do silêncio.



Texto
Ailime
26.08.2019
Imagem Google

quarta-feira, agosto 14, 2019

Retenho as palavras


Retenho as palavras com o olhar
e desfio-as como finos fios de seda
a resvalar dos casulos
protegidos pelas teias
do orvalho da noite.
Resguardo-as em silêncio
como se não me pertencessem.
Não quero que os rumores sombrios
as maculem na transparência da luz.

 2016-10-01
 Ailime
Imagem Google
(Redição)

sexta-feira, agosto 02, 2019

Meninas de minha mãe




Sabiam a amoras silvestres os nossos lábios
sempre que pela frescura das manhãs
descíamos saltitando de mãos dadas
por caminhos debruados de flores e rio.

Uma rã coaxava…
Um sapo de olhos grandes e salientes
vinha em nossa direção
Que horror! E eu inerte caía no chão.

Pardais, vespas e besouros
em estranha sinfonia
esvoaçavam atrevidos
cativando a nossa alegria.

..............................................

Longínquos esses caminhos
bordados de sol e inocência
de flores e muitas fragrâncias
tesouros que guardo em silêncio.


Texto
Ailime
02.08.2019
(Imagem
Pinterest)




sexta-feira, julho 19, 2019

O teu sorriso


Gosto do teu sorriso
quando o barco te aporta
ao início da madrugada
na praia incendiada por pássaros
no rebentar das marés.

Pé ante pé persigo a luz
que desponta suave,
quase inocente
nos gestos das águas
que te aspergem o dia.

Um rasto de corais
move-se contra o vento
que sopra a manhã
que te abraça
com faíscas imperceptíveis.

Texto
Ailime
19.07.2019
Imagem Google

terça-feira, julho 02, 2019

Rasgo o tempo com os sentidos


Rasgo o tempo com os sentidos
e caminho suavemente sobre as marés
como se as águas me impelissem
a abraçar-te
enquanto os búzios entoam 
a canção do mar
que nos recorda
que as medusas vêm à tona
sempre que dançamos
sobre a proa do barco
enquanto um pássaro
desenha no firmamento
um bailado só para nós.


Texto
Ailime
02.07.2019
Imagem Google


quarta-feira, junho 19, 2019

A vida não é reta nem plana


A vida não é reta nem plana 
tantas vezes curva e oblíqua 
aos ziguezagues 
que me gravam na pele 
as sombras agrestes 
e desalinhadas 
pelos ventos vulneráveis 
de densa escuridão

Nas águas brandas do rio 
uma linha de fogo 
asperge de esperança 
a alma inquieta e sedenta

No meu olhar, sustenho a claridade. 


Texto 
 Ailime 
19.06.2019 
Imagem Google