Naquela madrugada
a cidade acordou antes do tempo.
Pássaros em alvoroço
sobrevoavam barcos,
marés cheias,
escarpas e silêncios.
O rio, lá em baixo, a espreitar,
azul de tanto céu.
Estalavam foguetes,
rostos mudos de espanto,
clarões,
olhares incrédulos.
Onde estavam as sombras?
multidão em êxtase,
sorrisos e abraços.
A longa noite expirara.
Uma flor ergueu-se,
rubra como sol nascente,
no cano duma espingarda —
iluminou Abril.

