sábado, maio 30, 2026

Livre de amarras

Vecteezy


Livre de amarras, contemplo

a natureza que me oferece beleza e harmonia

no canto dos pássaros, no colorido das flores,

nos ramos frondosos das árvores.


Encontro-me e os meus pensamentos libertos

fazem-me flutuar pela relva verde e fresca,

que atapeta o chão onde me deito a olhar o céu,

onde as nuvens brancas parecem flocos de neve .


Ao lado uma lagoa reflete a luz do sol

debruçada nos ramos das árvores;

o  brilho, por instantes, cega-me

como se um espelho refletisse 

a sensação de liberdade

que só a natureza me oferece.


Esvoaço livre, leve, agradecida.


O meu pensamento livre

divaga ao sabor da brisa da tarde. 


Por instantes vem-me à ideia os 

que vivem aprisionados e sós

enclausurados em cantos sem luz e amor,

cumprindo dolorosas penas... Alguns inocentes.


E enquanto o vento percorre os campos

e os pássaros se perdem no azul,

guardo no peito a certeza

de que a liberdade

é o mais belo rosto da vida.

Texto
30.05.2026
Emília Simões




sábado, maio 23, 2026

Caminho

Rio Tejo

Caminho por terrenos escabrosos,
piso pedra sobre pedra,
subo montes,
desço por vales e planícies,
repouso nas margens do rio,
onde escuto a tua voz ausente
falar-me de mansinho
no murmúrio suave das águas.

Chamo-te, e não respondes.
O eco da minha voz não regressa
e uma brisa suave acaricia-me o rosto.

Apesar do silêncio que fere,
o teu nome continua indelével,
a bailar nas águas do rio.


 
Texto e foto
Emília Simões
23.05.2026



sábado, maio 16, 2026

Olho em redor


Foto: Pixabay


Olho em redor;

o mundo transpira guerras,

ódios, violências.

Famílias desavindas,

crianças com fome,

destruição, prantos, doenças,

rumos sem nexo.

Lágrimas rasgam sulcos

nos rostos envelhecidos

de quem sofre.

Impiedosamente

o poder, a ganância e a loucura

empurram para o abismo

milhões de seres indefesos.

O que espera os vindouros

neste planeta em ebulição?

Será que a paz é viável?

Será que a esperança não é palavra vã?

Será que o Homem é recetivo à Luz?

Ou estará o mundo a

mergulhar na escuridão?


Texto
Emília Simões
16.05.2026



sábado, maio 09, 2026

O tempo


Photohobo


O tempo é implacável!

Não se deixa dominar.

Esgueira-se

por entre os dedos das mãos

como grãos de areia na praia.

Quase sufoca

pela rapidez com que

nos ultrapassa.

Nada o detém.

Oprime o pensamento

e as névoas retiram

brilho ao olhar.

Os caminhos têm mais escolhos

e reaprende-se a caminhar.

Há que dar tempo ao tempo

e fingir alguma indiferença

perante a sua voracidade.

Deixar que a criança que nos habita,

se sobreponha ao tempo

e nos ensine a olhá-lo

com alguma complacência,

com alguma dignidade.

Texto
Emília Simões
09.05.2026


sábado, maio 02, 2026

O silêncio...

Pixabay





Há silêncio quando o sol se põe.
Há silêncio com o espanto
do brotar de uma flor.

Há silêncio na floresta quando as
árvores falam entre si.
Há silêncio quando as aves fazem o ninho.

Há silêncio na frescura das manhãs,
quando a aurora desponta.

Há silêncio quando a terra absorve
a chuva e faz brotar a primavera.

Há silêncio na água que escorre,
plácida, no regato.

Há silêncio nos jardins
quando as flores 
parecem dançar 
na brisa suave do vento.

Há silêncio quando o poeta
não tem inspiração
e percorre o pensamento
sem encontrar a palavra certa.

Há silêncio quando os rios
tocados pelo azul das nuvens
refletem afetos gravados
nas margens submersas.

Há silêncio
se estivermos atentos,
quando o sol brilha
e ilumina a vida.

Texto
Emília Simões
02.05.2026

sábado, abril 25, 2026

QUANDO ABRIL NASCEU!

 


Naquela madrugada
a cidade acordou antes do tempo.
Pássaros em alvoroço
sobrevoavam barcos,
marés cheias,
escarpas e silêncios.

O rio, lá em baixo, a espreitar,
azul de tanto céu.
Estalavam foguetes,
rostos mudos de espanto,
clarões,
olhares incrédulos.

Onde estavam as sombras?
multidão em êxtase,
sorrisos e abraços.
A longa noite expirara.

Uma flor ergueu-se,
rubra como sol nascente,
no cano duma espingarda —
iluminou Abril.


Texto
Emília Simões
22.04.2019
Imagem Google
(Reedição)

sábado, abril 18, 2026

No teu olhar ...

Pngtree


No teu olhar resgato um brilho,

como se fosse ontem,

o instante que hoje me recorda
as margens verdes do teu rio,

onde, com os pés imersos
nos reflexos do entardecer,
tentava alcançar-te

quando deslizavas no barco,
envolto nas brisas suaves
da tarde.

Quão breve é o tempo,
quão frias as margens,

como a tarde se desvanece
ao ritmo da vida...

Texto 
Emília Simões
18.04.2026

sábado, abril 11, 2026

A raiz ignora

Pngtree

A raiz ignora
que sustenta a árvore.

As folhas,
sem saber porquê,
entregam-se ao vento
e, sobre o rio,
vão como barcos
à deriva suave,
tocadas por brisas leves
nas tardes amenas de verão.

Nas margens azuis,
onde os seixos
brilham ao sol,
há uma primavera suspensa
nas neblinas verdes,
espelhadas na corrente
do rio

que passa indiferente
à luz
e ao tempo.


Texto
Emília Simões
11.04.2026

(Estarei ausente durante uma semana)

sábado, abril 04, 2026

Nos tons do entardecer

Pixabay


Nos tons do entardecer...

Observo a esperança no teu olhar,
um brilho que parece fugir-me.

Em silêncio,
escuto nos sons da natureza,
a tua voz maviosa,
como um canto de ave
a esvoaçar
em torno do meu ninho,
quase ao meu alcance,
quase distante.

Procuro-te
em cada aroma de flores,
como se me oferecesses
um delicado manjar,
tentação que me chama e se esconde.

E acordo...

Do sonho,
fica apenas o eco de ti
na luz suave do amanhecer,
presença que persiste
entre brilho fugaz e memória.


Texto
Emília Simões
04.04.2026
Desejo a todos uma abençoada e feliz Páscoa!

sábado, março 28, 2026

Perscruto o horizonte

Pixabay



Perscruto o horizonte.

Nas nuvens, ainda ardem
fragmentos do passado.

Cores dispersas
tingem de azul e verde
o mundo à minha volta.

Uma brisa suave, quase muda,
desassossega-me.

O corpo cede,
pesado de memórias.

Embriago-me no aroma das flores
que já me foram casa,
enquanto os insetos
insistem no néctar do instante.

E tu,
oferecias-me o mel,
em silêncio,
a adoçar o que em mim doía.


Texto 
Emília Simões
28.03.2026