sábado, setembro 15, 2018

Não quis rasgar o tempo


Não quis rasgar o tempo
nem contornar os rios
que me saíam do ventre.
Deixei apenas que dos meus lábios
as palavras se desatassem
como asas em pleno voo
no silêncio das manhãs.




Texto
Ailime
29.01.2017
(Reedição)

terça-feira, setembro 04, 2018

Palavras à solta (2)


Momentos, lapsos de tempo 
no voejar dos pássaros 
a rasgar a luz 

* 

Na transparência do universo 
a luz reflete no espelho 
a singeleza da alma. 

* 

Nuvens do espaço 
etéreo e luminoso 
a vagar sob estrelas 

* 

O silêncio faísca 
quando a poesia 
chega de mansinho. 

* 

À noite na praia 
um mar de prata  
cintila o amor. 


Texto 
Ailime
04.09.2018

Imagem Google

quarta-feira, agosto 22, 2018

Palavras à solta


Na candura da tua voz
as melodias soltam-se
na liberdade dos pássaros.
*
O silêncio das estrelas
é um caminho que percorre
as sombras de Marte.
*
Nas linhas do horizonte
os meus olhos incendeiam-se
nas chispas do pôr-do-sol.
*
É à noite que vigio,
nas sombras que me envolvem,
o luar que sorri ao gesto.
*
A palavra é a poesia
com que o poeta transmuta
o pensamento da alma.



Textos
Ailime
22.08.2018
Imagem Google

domingo, agosto 12, 2018

Seguia-te os passos

Desconheço o autor

Seguia-te os passos pesados
e ria a saltar de árvore em árvore
o desassossego da inocência
que não repreendias nas palavras
que o teu silêncio guardava.

As águas corriam plácidas, no rio,
nas margens palpitavam cardumes
que te brilhavam no olhar
como sóis a lampejar nos barcos
a maré vazia de limos.


Texto
Ailime
Agosto 2018

segunda-feira, agosto 06, 2018

A insónia


E tão incompreensível a insónia
quando o mar sussurra na noite
um cântico límpido e melódico
como a maré baixa ao cair da tarde
a ondular no areal a volúpia das espumas.
Num vaivém, como barco a baloiçar
a vigília irrompe insidiosa
e estremece  amedrontada sob a lua
a espreitar o dia que, entretanto,
já clareia o horizonte.


Texto e foto
Ailime
Julho 20118

segunda-feira, julho 02, 2018

Nos olhos da noite também há luz.



Nos olhos da noite
sentia-te o silêncio mudo
que te escavava no rosto
a angústia, que te dilacerava
no peito a ausência da luz.

Dias tortuosos, sombras
que te trespassavam o olhar
pálido como paredes brancas
onde o luar se queda
em noite de quarto crescente.

Mas nem sempre o inverno
obscurece os mares que navegas.
Timidamente uma vigia abriu-se
e de rompante dissiparam-se as trevas.
A luz reacendeu-te no olhar, a vida
que na praia te aguardava a sorrir.

É que nos olhos da noite também há luz.


Reedição

Texto e foto
Ailime
13.09.2016

(Vou estar ausente durante 
algum tempo.
Até breve).

sábado, junho 23, 2018

Ainda há dias era natal



Ainda há dias era natal
e o frio tolhia-me os movimentos,
calava-me a voz, que um grito libertou.
O teu olhar, pai, quedou-se nesse instante
em que já não me enxergavas
e eu não queria entender
que a tua vida se extinguia,
que o teu torpor era real.
Era natal, pai,
e tanto que ainda me dói
a evasão do teu olhar
onde o rio ....havia brilhado de tanto azul.
O tempo parou nesse instante
e aprisionou-me os sentidos, a minha vida.
Nunca mais vou poder ver, pai,
o rio a sorrir-te nos olhos.


Texto e foto
Ailime
19.06.2018




domingo, junho 17, 2018

No meu chão


No meu chão escasso em palavras
ausculto o vento que me segreda
a poesia escrita nas folhas
dependuradas das árvores
neste estio que me atordoa
como se amanhecesse tardiamente
e a luz se escoasse por entre os meus dedos
nas sombras ávidas de silêncio.
 ...
Neste meu murmúrio inaudível
apenas as aves me acenam o amanhã.  


Texto
Ailime
30.05.2017
Imagem Google

(Reedição)

sábado, junho 02, 2018

Ainda há pouco a madrugada



Ainda há pouco a madrugada
me nascia nos olhos as cores do sol-nado.
O rio, límpido, como hoje não é
sorria nas margens o silêncio das águas
que, profundas, corriam ao sabor do vento
que as ondeava como searas a balouçar
na lezíria, ainda adormecida pelo orvalho da noite.
Ao entardecer, que surgia de mansinho,
o meu rosto, baço, como vidro cendrado
aquietava-se, como se a beleza do sol-posto
fosse apenas uma quimera.



Poema
Ailime
02.05.2018
Imagem Google

domingo, maio 20, 2018

É nos momentos



É nos momentos em que tudo parece volátil
que ouço a canção que nos seduz
que se entranha num estranho silêncio
na cumplicidade que nos prende à vida e ao amor,
às pequenas coisas que fazem parte de nós,
que nos deslumbram ou entristecem
como se o amanhecer fosse um constante sol-posto
a navegar nas ilusões que nos transfiguram
e nos tragam como quimeras a navegar sobre as marés.
Mas o sopro do universo sobrepõe-se a todas as mutações
e transfigura-nos como a seiva que sustenta as árvores  
ou como uma luz incandescente que nos escorre dos lábios.

Texto
Ailime
20.05.2018