(Desconheço o autor)
Será que a poesia se apartou de mim
ou se encontra envolta em densa neblina
e os meus olhos não a enxergam,
pressentindo que o tempo troteia sobre
as palavras e não as deixa voar...
A primavera vai longe...
O tempo, inabalável,
mais veloz que o sopro do vento,
escapa por entre os dedos.
Por mais que tente agarrá-lo,
ele foge-me do corpo e da alma
e deixa-me numa solidão inesperada.
Talvez no outono eu ensaie um bailado
com as folhas em revoada a envolverem-me
e descubra que, afinal, a poesia pode estar
em qualquer momento, em qualquer circunstância
sempre que o olhar perscrute o horizonte
e se deixe envolver pela luz do entardecer,
a brilhar nas margens do rio que me corre na pele.
Emília Simões
27.06.2026

