as manhãs
na casa
onde às vezes
regresso.
Tudo repousa
como sempre,
mas tinha outra grandeza...
Uma vastidão
que o tempo levou.
O rio corre sereno
lá em baixo,
levando consigo
os seixos que brilhavam ao sol,
e o meu saltitar, leve,
em torno do moinho
e o riso
que não cabem mais em mim.
A lezíria era
uma sinfonia de cores;
as águas mais verdes,
as nuvens mais azuis,
os pássaros cantavam
como se o mundo inteiro os ouvisse,
e o ar tremia
com a promessa do instante.
Pisavas o chão
com leveza,
sem saber que cada passo
se tornaria vento,
cada gesto, sombra suave
no tempo.
Agora,
no resplendor da manhã
cada vez mais distante,
debruço o olhar
sobre a vastidão da ausência,
onde o que fui
se mistura
com o que não posso tocar,
e a saudade respira,
leve e infinita,
como luz filtrada
pelas nuvens.
Emília Simões
Out/2021



