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domingo, agosto 14, 2016

Adentramento

Há uma leve neblina a envolver a manhã, convidativa a que me adentre. Reparo num trilho que a claridade do sol antes não me deixara perceber e que, como no deserto, atravessa as dunas que me conduzirá ao desconhecido. Meio receosa afoito-me e avanço. Apesar das pegadas não enxergo vivalma.
Apenas pequenos arbustos e narcisos da areia que vou fotografando num irresistível apelo, me fazem companhia durante o trajecto. Discretamente olho de soslaio tentando ter a certeza de que ninguém, naquele local ermo, me segue. Afinal o medo ainda não me abandonara. Decidida continuo a caminhar e a fotografar o que me vai despertando mais atenção.
Um pouco mais adiante começo a  sentir o cheiro da maresia  que atravessa a névoa que, leve como uma cortina, ainda me envolve. Continuo na minha passada que passou a ser mais firme e arrojada e ouço com nitidez o sussurro do mar que me transmite uma paz interior que não sei definir. Neste momento os fantasmas que antes pareciam paralisar-me, dissipam-se.
Fico defronte do oceano fixando a linha do horizonte no ponto em que o céu e o mar se unem numa simbiose perfeita. Aproximo-me de uma falésia e lá em baixo observo, surpreendida, uma praia quase deserta onde as águas ligeiramente ondulantes beijam os seixos que bordejam o contorno da grande enseada.
Subo mais um pouco e finalmente desço até à beira mar. Naquele pequeno paraíso, quase perdido, olho para o meu lado esquerdo como se alguém me chamasse,  mas apenas  uma ligeira brisa  ecoava o silêncio melódico do mar.

Texto e fotos
Ailime
Julho/2016