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quarta-feira, janeiro 30, 2019

A beleza dum dia de chuva


Leonid Afremov


A beleza dum dia de chuva 
está nas gotas de orvalho  
que salpicam as memórias 
que a minha alma guarda 

A beleza dum dia de chuva 
escoa pelas vidraças  
da janela onde a saudade 
há muito se tornou rio 

A beleza dum dia de chuva 
está nas flores que ao relento 
ficam ainda mais belas 
quando a chuva as beija de mansinho 

A beleza dum dia de chuva 
está naquele arco-íris 
que observo da minha janela 
e me colora o olhar. 

A beleza dum dia de chuva 
está quando entre um pingo e outro 
atravessamos de mãos dadas 
o chão molhado do amor. 

Texto
Ailime
Imagem Google
30.01.2019

quinta-feira, dezembro 06, 2018

Um véu de claridade


Agarro um raio de luz
recolho-o numa folha de outono
e aguardo que o chão lhe seja fértil.
*
Na penumbra dos olhares
escasseiam os gestos
a iluminar os rostos
sedentos de liberdade.
*
Nas asas dos pássaros
relâmpagos faíscam
as cores do amor.
*
Um arco-íris
soletra nas margens
a canção do rio.
*
Ao amanhecer
a poesia das cores
mergulha na Terra
um véu de claridade.



Foto e texto
Ailime
06.12.2018


domingo, novembro 25, 2018

No meu silêncio



No meu silêncio 
guardo palavras doridas 
pelas ruas descalças 
gastas pela solidão,  
que afloram os olhares de espanto 
pelo nascer ou pôr do sol 
a iluminar as tezes macilentas 
no relento das noites,  
onde jazem sonhos inacabados 
enrolados em folhas húmidas
dum outono precoce. 

No meu silêncio guardo 
toda a minha inércia, 
a minha pressa 
a minha indiferença 
pelo mundo marginal 
que me passa ao lado 
que não quero ver, 
que recuso enxergar 
porque me falta amor. 

Até quando a minha alma vazia 
deixará que o amor se expanda em liberdade 
num abraço à solidão?



Texto e foto
Ailime
25.11.2018


domingo, maio 20, 2018

É nos momentos



É nos momentos em que tudo parece volátil
que ouço a canção que nos seduz
que se entranha num estranho silêncio
na cumplicidade que nos prende à vida e ao amor,
às pequenas coisas que fazem parte de nós,
que nos deslumbram ou entristecem
como se o amanhecer fosse um constante sol-posto
a navegar nas ilusões que nos transfiguram
e nos tragam como quimeras a navegar sobre as marés.
Mas o sopro do universo sobrepõe-se a todas as mutações
e transfigura-nos como a seiva que sustenta as árvores  
ou como uma luz incandescente que nos escorre dos lábios.

Texto
Ailime
20.05.2018

terça-feira, março 05, 2013

A urze e o rosmaninho



A urze e o rosmaninho
Beijavam-te nas manhãs
Douradas pelo amanhecer,
Antevendo-te o futuro
Em silêncios inquietantes
De mundos desconhecidos.

Percorreste caminhos agrestes
Debruados de flores e espinhos
Que te pronunciavam a vida,  
Esculpida em horizontes
De sois cavados nas nuvens
Como luas em mares prateados.

Não foram em vão os teus passos
Nem te foram negados os sonhos,
Foste desfiando a vida,
Em ecos tecidos de luz
E por entre os aromas silvestres
Acolheste em ti o amor.

05.03.2013
Ailime
Imagem Google





quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Os meus poemas



Os meus poemas não são poemas de amor,
Ou serão de amor as palavras
Que guardo incólumes no cerne de mim
Como se as tivesses proferido ontem
E jamais tivessem sido envolvidas
Nas volúpias tecidas de teias
No emaranhado do tempo, precoce.

Não, os meus poemas não são poemas de amor.
São frágeis pedaços de tempo,
Urdidos nas maresias intemporais
De madrugadas estéreis de luz
Que foram percorrendo oásis
Em longínquas praias desérticas
Submersas por oceanos dispersos.

Ailime
07.02.2013
Imagem Google

quarta-feira, setembro 12, 2012

Observo-te


Observo-te nas paredes nuas e frias
Do quarto
Onde nem sequer a luz
Te abraça a solidão.

A tua alma sangra a dor
Pela vida espinhosa
De suor e lágrimas
Que ninguém aliviou.

E no teu rosto sulcado pelo sal
(Por mil prantos que já esqueceste)
Enxergo um sorriso ténue
Envolvido em amor
Que te ilumina o semblante
E me aponta o caminho.

Ailime
12.09.2012
Imagem da Net


sábado, agosto 04, 2012

Nas searas douradas



Nas searas douradas
De planícies fecundas
Matizadas pelo suor
Que te aspergia a alma
Doaste-te em amor
E do teu sangue
A semente se fez fruto.

02.08.2012
Ailime
Imagem da Net

domingo, maio 06, 2012

Mãe, em dia da Mãe


Mulher do amor e das dores, das lágrimas e sorrisos.
Alimenta-te o instinto divino da criação e
Em ti se concretiza o plano da dádiva maior.


Maravilhoso ser que gera o milagre da vida e
Ama sem medida os seus filhos,
Eternizando em si o Amor.

Mãe, Obrigada, por tudo!


Feliz dia para todas as Mães!
Feliz Dia para todas as Mulheres!
Que Deus a todas proteja!




Que Deus tenha na Sua Eterna Glória
todas as Mães que o Senhor a Si chamou.
Ailime
Maio/2011
Imagem da Net
(Reposição)

terça-feira, dezembro 20, 2011

Natal, e não Dezembro

Entremos, apressados, friorentos,
 numa gruta, no bojo de um navio,
num presépio, num prédio, num presídio
no prédio que amanhã for demolido...
Entremos, inseguros, mas entremos.
Entremos e depressa, em qualquer sítio,
porque esta noite chama-se Dezembro,
porque sofremos, porque temos frio.


Entremos, dois a dois: somos duzentos,
duzentos mil, doze milhões de nada.
Procuremos o rastro de uma casa,
a cave, a gruta, o sulco de uma nave...
Entremos, despojados, mas entremos.
De mãos dadas talvez o fogo nasça,
talvez seja Natal e não Dezembro,
talvez universal a consoada.
 
Poema de David Mourão Ferreira
Ailime
20.12.2011
Imagem da Net

quinta-feira, dezembro 15, 2011

No silêncio da noite


No silêncio da noite, gélida,
Todos cerram a porta
E não te acolhem.

Entras no estábulo cansada
E derramas a luz,
Num berço onde a palha
Acolhe o Amor.
…….
Na noite escura,
A estrela polar
Brilhou para o mundo,
No silêncio do teu sim.

Ailime
Dezembro/2011
15.12.2011



sexta-feira, junho 24, 2011

Silêncios



As palavras que invento
São rimas imperfeitas
De silêncios consumidos
Importados das maresias
Oriundas de oceanos remotos

Na areia fria da praia
Por entre a espuma das vagas
Aguardam que o poeta
As aprisione e as transforme
Num belo poema de amor.



Ailime
24.06.2011
Imagem da Net