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domingo, novembro 25, 2018

No meu silêncio



No meu silêncio 
guardo palavras doridas 
pelas ruas descalças 
gastas pela solidão,  
que afloram os olhares de espanto 
pelo nascer ou pôr do sol 
a iluminar as tezes macilentas 
no relento das noites,  
onde jazem sonhos inacabados 
enrolados em folhas húmidas
dum outono precoce. 

No meu silêncio guardo 
toda a minha inércia, 
a minha pressa 
a minha indiferença 
pelo mundo marginal 
que me passa ao lado 
que não quero ver, 
que recuso enxergar 
porque me falta amor. 

Até quando a minha alma vazia 
deixará que o amor se expanda em liberdade 
num abraço à solidão?



Texto e foto
Ailime
25.11.2018


sábado, outubro 20, 2018

Deixa que o outono

José Malhoa

Deixa que o outono te esculpa na alma 
a luz plácida dos dias 
quando os pássaros esvoaçam as folhas 
e as dispersam pelo teu chão. 

No burburinho das manhãs 
e no silêncio das tardes 
não antecipes a noite 
sorri e alegra-te com o sol-posto. 

Ouve a melodia dos pássaros 
num concerto só para ti 
deixa que a poesia flua 
no teu regaço, em silêncio. 




Texto
Ailime
Imagem Google
20.10.2018

quarta-feira, agosto 22, 2018

Palavras à solta


Na candura da tua voz
as melodias soltam-se
na liberdade dos pássaros.
*
O silêncio das estrelas
é um caminho que percorre
as sombras de Marte.
*
Nas linhas do horizonte
os meus olhos incendeiam-se
nas chispas do pôr-do-sol.
*
É à noite que vigio,
nas sombras que me envolvem,
o luar que sorri ao gesto.
*
A palavra é a poesia
com que o poeta transmuta
o pensamento da alma.



Textos
Ailime
22.08.2018
Imagem Google

quarta-feira, fevereiro 28, 2018

Não fora a chuva

Foto de  Alexandre  Mansur



Não fora a chuva
que livremente beija o solo
os meus olhos estariam secos
como as estepes ou as planícies
onde o orvalho não cabe.
Uma sede intensa
percorre-me os lábios
e adentra-se na alma
como se buscasse
um poço de águas profundas
livres e transparentes
como as gotas da chuva.


Texto 
Ailime
Imagem Google
28.02.2018


segunda-feira, novembro 20, 2017

Abro a minha alma


Abro a minha alma ao teu clamor
Como se fosses uma criança
A implorar a Lua.
Mas é tão difícil alcançá-la…
E as estrelas
Que nos observam atónitas
Tão longe dos nossos olhos
Tão longe das nossas mãos
Que se entrelaçam enregeladas
Como se o inverno nos rasgasse a pele  
Com os musgos e as geadas da manhã
Ainda antes do sol nascer.
Um silêncio gélido entorpece-me.
Na ausência de movimentos
A minha voz emudece
Nas gotas de orvalho
Que me escorrem pela garganta.



Texto
Ailime
20.11.2017
Imagem Google


quinta-feira, agosto 04, 2016

O grito

Eduard Munch

Mastigo as palavras
que me corroem a alma
e se colam na garganta
como se um grito silente
me ocultasse na voz
as sílabas que, teimosas,
me  estrangulam no peito
a construção do poema.
É que há palavras,
que rasgam o ventre
ao germinar.


Ailime
04.08.2016
Imagem Google

sábado, abril 06, 2013

Nos confins do universo



Nos confins do universo
Vagueiam nuvens
Repletas de granizo
Que como pérolas
Brilham no firmamento
Dos oceanos
E transformam as marés
Em cristais de amor.
Agora podes olhar o horizonte
E abrir as janelas da alma
Para aspirar a brisa
Que te afaga e cinge
Como um bálsamo
Que te purifica e exorta.

Ailime
06.04.2013
Imagem Google
(desconheço o autor)

sexta-feira, janeiro 04, 2013

Transporto no olhar



Transporto no olhar
 Um mar imenso de palavras
 Como rios a transbordar!

Do céu cinza inalo as nuvens de mil tons
 Nos sons da chuva
 Que salpicam o meu rosto
 E me transportam
 Aos recantos da alma
Entre véus de orvalhos
 Como teias bordadas
 Transparentes de luz.

Vagueio num arco-íris
 Que me abraça e ilumina
 Neste amanhecer transbordante de paz.

E as árvores, imponentes na sua nudez,
Estendem os galhos
Numa invocação ao infinito.


Ailime
04.01.2013
Imagem da Net

domingo, outubro 21, 2012

Deixo que as palavras



Deixo que as palavras resvalem
E teçam fios de madrugada
Na luz suspensa dos sóis,
Que me envolvem a alma
Na quietude dos dias. 

E porque entendo o teu pranto
Que não ousas divulgar
Acolho-o,
Como uma teia de luz
Envolto nas palavras
E, qual tesouro escondido,
Abrigo-o com o olhar.

Ailime
20.10.2012
Imagem da Net