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sábado, junho 25, 2022

O tempo

 Jacob Brostrup

Por entre nuvens e céus claros

o tempo corre veloz como pássaros;

nem as trovoadas o detêm 

na sua correria louca, intempestiva

como foguetes em dias de festa

a provocarem surdez

quando os foguetes se apagam.

O tempo não esvaece, alastra-se

como fogo impelido pelo vento

e nem as águas o estancam.

O tempo na sua voraz pressa

nem sequer tem tempo

para observar  o mundo

onde frenético, voa em liberdade.


Texto
Ailime
25.06.22
Imagem Google


sábado, junho 04, 2022

No som do silêncio


Ângela Felipe


No som do silêncio

a claridade da manhã

como um cântico

a inebriar-me os sentidos

passadas as sombras

que anuviavam meus dias.

Os pássaros voejam alegres

e pousam na minha janela

o esplendor do voo

como num abraço de paz

acordando as palavras

adormecidas na noite.

Foguetes anunciam a festa

e as palavras bailam desordenadas

ao sabor do vento

desfazendo a solidão.


Texto
Ailime
04.06.2022

segunda-feira, abril 22, 2019

Naquela madrugada


Naquela madrugada 
a cidade acordou antes do tempo. 
Pássaros em alvoroço 
sobrevoavam barcos 
marés cheias 
escarpas e silêncios. 

O rio, lá em baixo, a espreitar, 
azul de tanto céu. 
Estalavam foguetes 
Rostos mudos de espanto 
Clarões 
Olhares incrédulos. 

Onde estavam as sombras? 
Multidão em êxtase 
sorrisos e abraços. 
A longa noite expirara. 

Uma flor ergueu-se 
rubra como sol nascente  
no cano duma espingarda 
iluminou Abril. 


Texto
Ailime
22.04.2019
Imagem Google

segunda-feira, maio 30, 2016

Em silêncio


Em silêncio os pássaros
rasgam o vento
sobrevoando
mares encapotados
por neblinas à deriva,
como barcos a sucumbir
nos areais gélidos
de praias imaginárias
dispersas pelos sonhos
inacabados
dos náufragos.

Em veloz apatia
cardumes flutuam
como foguetes
a cintilar nas águas
as faíscas dos relâmpagos.



Texto 
Ailime
Imagem Google
30.05.2016