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sábado, junho 06, 2026

A poesia

 



Ao acordar não vislumbro a poesia

e observo as flores da minha varanda.
Flores modestas que, naquele recanto,
são o meu pequeno jardim.

Nelas me revejo
na alegria com que me devolvem o olhar.

Será poesia?
Ou pura fantasia?

Afago-as com ternura
e sorrio.

Talvez a vida seja mais simples
quando aprendemos a encontrar perto
o que nos faz felizes.

Há tanto à nossa volta
que alegra e deslumbra,
porque na simplicidade
o belo encontra morada.

A poesia pode habitar
numa simples flor,
por vezes esquecida num canto,
mas que, no instante certo,
desabrocha,

corre nas veias,
acende o sangue,

reluz em nós
e abre caminhos.

Texto e foto
Emília Simões
06.06.2026

sábado, abril 04, 2026

Nos tons do entardecer

Pixabay


Nos tons do entardecer...

Observo a esperança no teu olhar,
um brilho que parece fugir-me.

Em silêncio,
escuto nos sons da natureza,
a tua voz maviosa,
como um canto de ave
a esvoaçar
em torno do meu ninho,
quase ao meu alcance,
quase distante.

Procuro-te
em cada aroma de flores,
como se me oferecesses
um delicado manjar,
tentação que me chama e se esconde.

E acordo...

Do sonho,
fica apenas o eco de ti
na luz suave do amanhecer,
presença que persiste
entre brilho fugaz e memória.


Texto
Emília Simões
04.04.2026
Desejo a todos uma abençoada e feliz Páscoa!

sábado, março 28, 2026

Perscruto o horizonte

Pixabay



Perscruto o horizonte.

Nas nuvens, ainda ardem
fragmentos do passado.

Cores dispersas
tingem de azul e verde
o mundo à minha volta.

Uma brisa suave, quase muda,
desassossega-me.

O corpo cede,
pesado de memórias.

Embriago-me no aroma das flores
que já me foram casa,
enquanto os insetos
insistem no néctar do instante.

E tu,
oferecias-me o mel,
em silêncio,
a adoçar o que em mim doía.


Texto 
Emília Simões
28.03.2026

sábado, novembro 22, 2025

Quando caminho


Quando caminho e sinto o vazio

do mundo nas folhas que o vento dispersa,

paro a contemplar a luz que brota

das flores, ainda sem nome.


Existo sem pressa no mundo hostil,

onde a virtude é palavra vã;

no meu silêncio acolho o murmúrio

dos voos rasantes das aves feridas.


Nas sombras do crepúsculo

vislumbro utopias ainda por desvendar;

debruçada sobre as brisas,

ouço o rugido distante do mar.


Texto e foto
Emília Simões
22.11.2025

 



sábado, agosto 23, 2025

Nos momentos em que o silêncio

Pixabay

Nos momentos em que o silêncio
arde no meu peito,
ouço a voz do vento
que arrasta no tempo
as primeiras folhas de outono
que, sob o meu corpo,
estremecem de tanta secura.

Ainda é cedo, mas o outono
insinua-se e as horas encurtam
os dias, que os ponteiros
dos relógios, já gastos,
vão empurrando com espanto.

O meu desejo é que
as flores continuem a brotar,
nos campos áridos,
junto à minha porta.

Texto
Emília Simões
23.08.2025

sábado, julho 19, 2025

Sentada sobre o passado

 

Aviv Muzi


Sentada sobre o passado relembro histórias
que me despertam emoções 
vividas ou sentidas, que hoje apenas revivo.
Outrora vivi, cresci, rodeada de flores,
livros e folhas balançando ao vento,
que me anunciavam novos universos
e novas formas diferentes de estar e viver,
que não me deixaram maravilhada.
O mundo que conhecia tinha claridade
e tudo ao meu redor era puro.
Águas frescas e cristalinas,
prados verdes e flores silvestres,
aromas a estevas e pinheiros bravos,
e frutas maduras, que colhia das árvores.
Rios de águas límpidas,
onde barcos deslizavam suavemente,
como brisas leves pelas margens.
A natureza era um reino onde libertava
as minhas fantasias de criança
e me sentia livre e longe do espetro
de guerras e calamidades.
Naquela época, parecia que o mundo
era só meu.
Hoje, apenas memórias e saudades
habitam profundamente em mim.


Texto
@Emília Simões
2025.07.19

sábado, junho 21, 2025

Abraçar o verão


Na minha quietude
procuro refúgio entre sombras e flores,
sob o sol que arde fortemente
incendiando-me o olhar e o pensamento.
O meu corpo, lento, arrasta-se
como asa ferida, de ave em sobressalto.
A travessia é difícil; a sede seca-me os lábios.
As palavras emudecidas
não localizam o caminho até à fonte.
O suor  molha-me o rosto, todo o corpo.
O silêncio incita-me a resistir
e a abraçar o verão.


Texto e foto
@Emília Simões
21.06.2025




sábado, junho 14, 2025

Na solidão dos dias

Pixabay


Na solidão dos dias a minha mente viaja
para um tempo em que o mundo era puro
habitado por gentes simples e com um sol mais radiante.

Nas correntes de águas límpidas viam-se cardumes de peixes
que se moviam com graça e suavidade.

A lua e as estrelas cintilavam no céu
e a noite era um cenário majestoso e belo.

Nos campos flores de mil tonalidades
sorriam-me sempre que me debruçava para as apreciar.

Era uma época de quase nada,
porém oferecia quase tudo em termos de beleza, cor e harmonia.

Gestos singelos mitigavam  dores e sedes,
em amistosos convívios nas sombras, dos dias quentes de verão.

A palavra guerra não existia.
A amizade, a entreajuda, as risadas e brincadeiras
ajudavam a amenizar períodos de trabalho árduo,
mas a respiração era leve.

Texto
@Emília Simões
14.06.2025

sábado, março 01, 2025

Em silêncio

Pixabay

  

Há muros e lírios
nos meus jardins.
Os muros com vestes aveludadas
de musgos e fetos, 
numa paisagem sombria,
convidam-me ao silêncio.
Ouço apenas o canto dos pássaros
e observo no fundo do quintal
os lírios, que evocam saudade.
Os meus jardins têm poucas flores.
As rosas ainda persistem; são belas,
como os lírios.
Ali me detenho, sem pressa.
Escuto atenta
o canto dos pássaros
que, em meu redor, se agitam
e partem em debandada.
O muro resguarda o silêncio,
nos vestígios do meu olhar.

Texto
Emília Simões
01.03.2025



sábado, fevereiro 15, 2025

Nos galhos das árvores


Pngtree


Nos galhos das árvores
o canto dos pássaros
anuncia a primavera
e as aves voam livres e felizes.
O tempo é célere
e escoa-se por entre os dedos;
agora inverno, amanhã primavera;
os campos enchem-se de flores 
e a natureza parece sorrir.
Os ponteiros do relógio
seguem o seu rumo
e a luz sobrepõe-se à penumbra.
Chegou o tempo
de colher os vestígios
da primavera e deixar 
que as flores inundem
o meu jardim.


Texto 
Emília  Simões
15.02.25


sábado, fevereiro 01, 2025

O meu mundo

Pixabay


O  meu mundo era tão restrito,
mas tão belo.
Longe do bulício das cidades, 
dos ruídos de que só mais tarde me apercebi.
Era um tempo de viver a natureza por inteiro.
Nas flores, nas aves, no azul dos céus,
no sol a brilhar por entre as searas
douradas, ao entardecer.
O mundo era perfeito. Respirava-se paz.
À noite milhões de estrelas cintilavam no céu
e tantas estrelas cadentes pude agarrar...
As constelações bem definidas no firmamento,
como jamais pude enxergar.
Em noite de Lua Cheia, como parecia tão próxima...
Uma noite tentei alcançá-la mas, desisti.
Estava muito alta e eu tão pequenina...
O meu mundo mudou-se para outro mundo.
Tão longe e tão perto nas emoções
que em mim ficaram guardadas,
nos intervalos dos silêncios
que, tantas vezes, se soltam nas asas do vento.

Texto
Emília Simões
01.02.2025
Foto Pixabay



sábado, janeiro 18, 2025

Gosto do gorjeio dos pássaros,



Gosto do gorjeio dos pássaros,
quando à noite se aninham
na árvore junto à minha janela.

Gosto do som da água,
que cai daquela cascata
na encosta da serra.

Gosto do colorido
das flores, quando desabrocham
no vaso, da minha varanda.

Gosto do sol no horizonte
brilhante como os teus olhos,
quando fixam os meus.

Gosto da natureza
verde e fresca,
nos dias calmos de inverno.

Gosto do silêncio,
das tardes soalheiras
em que escuto a tua voz.

Gosto, porque gosto
das coisas simples do mundo
que, em segredo, 
me falam de vida.


Texto e foto
Emília Simões
18.01.2025



sábado, novembro 02, 2024

Para encontrares o belo

freepik


Para encontrares o belo

terás que calcorrear vales

e montes,

atravessar silêncios

galgando rios

caminhos lamacentos

enfrentar feras

e talvez no fim do caminho

encontres o que procuras;

a luz refletida

em simples flores

no cimo duma montanha. 


Texto 
Emília Simões
02.11.2024

sábado, maio 11, 2024

No silêncio do quarto


No silêncio do quarto, ouço a manhã a cantar

nos pássaros a esvoaçar em redor dos ninhos,

nas flores a desabrochar e nas crianças a brincar

no pátio da antiga escola, onde joguei à cabra-cega.

O tempo adejou com o vento, deixando apenas rastos,

que hoje fazem a minha história parecer tão remota.

Nada está como dantes, muitas metamorfoses...

Até o rio corre aos soluços por entre os seixos

esculpindo nas margens ecos passados, de tão copioso.

Os campos devastados pelos incêndios não são os mesmos.

As casas são mais brancas, mas permanecem vazias.

Olho para trás e falta alma à minha aldeia.

A vida de outrora apagou-se e o sol já não tem brilho.


Texto e foto
Emília Simões
11.05.2024

sábado, abril 27, 2024

Silêncios



Em silêncio admira-se  a arte.
Em silêncio o coração fala.
Em silêncio percorrem-se desertos.
Em silêncio as flores brotam.
Em silêncio faz-se uma prece.
Em silêncio crescem trigais
e frutificam as vinhas.
Em silêncio o sol amanhece
e em silêncio esconde-se no ocaso.
Em silêncio escuto a tua voz
que me fala de amor.
No silêncio da noite pés descalços 
tateiam campos agrestes
e alguém chora
no meio dos destroços da guerra.
No silêncio do mundo
ninguém ouve as vozes que gritam
a fome e o desespero.
No silêncio cabem tantos silêncios
que te asfixiam a voz e o ser
e não te deixam ver a claridade dos dias. 

Texto
Emília Simões
27.04.2024
Imagem Google

sábado, agosto 19, 2023

Há que redescobrir silêncios



As tarefas rotineiras são cansativas,

como são cansativos os dias sem luz.

Por vezes as palavras colam-se à língua

e não desatam os versos que

que habitam o silêncio

no mais recôndito de nós.

Torna-se necessário novas primaveras

que nos devolvam os pássaros

com seus cantos maviosos

que nos ensinem outras canções.

Há que redescobrir silêncios

que nos ajudem a atravessar

novos caminhos, novas pontes,

novos jardins, com flores sem nome.

Há que soltar as palavras

nos rodopios do vento;

há que reiventar as canções

nas escarpas do amor.


Texto
Ailime
Imagem Google

sábado, julho 15, 2023

Sem palavras não há poema


Sem palavras não há poema.

Mas num pequeno galho

a ave constrói o seu ninho

e a poesia nasce.

A natureza está em festa.

Borboletas esvoaçam,

as flores brilham ao sol,

a terra parece sorrir,

tudo se enquadra 

numa bela expressão de amor.

O poema não precisa de palavras,

apenas um pouco de silêncio

na contemplação

da natureza,

até confundir-se com ela.


Texto
Ailime
15.07.2023
Imagem Google

sábado, julho 08, 2023

O prelúdio do entardecer

 



Dizia-lhe que tinha os sinais à flor da pele

como quem colhe cerejas e as trinca 

deixando escorrer pelo canto dos lábios

o néctar vermelho doce como o mel.

Via-se nas sombras dos pomares 

poisando aqui e ali qual borboleta

escutando o silêncio da tarde

entre os cantos dos pássaros

e os zumbidos dos insetos.

O relento era o seu reino onde

se sentia  aconchegada longe do mundo

e apenas as flores lhe entoavam baixinho

o prelúdio do entardecer.


Texto
Ailime
Imagem Google
08.07.2023

sábado, junho 24, 2023

Não sabia os caminhos de cor

Luiz Mendes


Traçou com uma lufada de vento

o caminho que perseguia

e nem as flores nem as árvores

lhe disseram qual o destino

que havia de percorrer.


Sentia-se perdida, ao abandono,

como criança inocente

que, por momentos, larga a mão de seu pai

e cai desamparada no chão.


Não sabia os caminhos de cor

tão longa a distância a alcançar

movia-a apenas o sentido do sol

a acender-lhe no peito

a chama brilhante do dia

até confundir-se com ele.



Texto
Ailime
24.06.2023


sábado, abril 22, 2023

Ainda há flores a irromper nos caminhos



Ainda há flores a irromper nos caminhos,

na primavera que sempre regressa

aos lugares exatos

onde se faz esperar,

ainda que as intempéries

interrompam, por instantes,

o seu resplendor.

O que aspiro nesse trajeto

é que mesmo as flores selvagens

não se esqueçam de refulgir,

ao sol, do meu jardim.


Texto e foto
Ailime
22.04.2023