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sábado, maio 17, 2025

A casa parece-me tão longe...

Pixabay


A casa parece-me tão longe...
Partiste e deixaste-a vazia.
As andorinhas ainda fazem o ninho no beirado
e as rosas do quintal ainda lá estão perfumadas.

O meu silêncio fala-me de ti
e da casa cheia, com os risos das crianças,
e das festas que improvisavam só
para te ver sorrir.

Tudo está diferente e até o tempo
anda caótico, em alternâncias constantes,
num Planeta já tão pouco azul.

Os peixes do rio também
já não são os mesmos. A poluição matou-os.
Agora já nem lhes sei os nomes.

Quero apenas recordar o tempo
do nosso tempo, tão claro, tão transparente,
com o sol nascente e poente
a incendiar-nos os dias.


Texto:
@Emília Simões
17.05.2025

sábado, maio 10, 2025

A primavera


A primavera é feita de coisas, que não precisam de nomes.
Tonalidades diversas a perder de vista...
Pássaros a gorjear voejando em redor do ninho;
a cria espia a migalha que a mãe lhe coloca no bico.
Uma orquestra toca, suavemente, a melodia
da paz e da esperança e os insetos cirandam
à volta do néctar, que sugam com sofreguidão.
Lá longe a casa continua deserta, sombria,
cercada por muros de primaveras remotas.
Já não a reconheço, a primavera é feita de coisas
que guardo entre as minhas mãos.


Texto e foto
Emília Simões
10.05.205