sábado, junho 13, 2026

Na aridez dos dias

Pixabay


Na aridez dos dias

em que as manhãs acordam

sem horizontes definidos,

penumbras toldam os olhares

que sobre os barcos estendem as mãos vazias,

na procura do tudo e do nada

do tanto e tão pouco

num rio em chamas 

entre margens geladas

num silêncio profundo 

coberto de limos.

Ao longe, um estrondo, um gemido.

O mundo a desmoronar-se

sobre os barcos desfeitos

submersos nas cinzas

espalhadas no dorso do rio.


Texto,
Emília Simões
13.6.2026



14 comentários:

  1. Muito linda tua poesia. Tão bom se não precisássemos ver as cinzas que o mundo joga...O rio, tudo vê,em silêncio... beijos, ótimo domingo,chica

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  2. Olá, amiga Emilia, mais uma vez encontro aqui neste espaço poético,
    um maravilhoso poema de sua lavra, que li com grande atenção e prazer.
    Beijo e votos de um excelente domingo com saúde e paz.

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  3. Na aridez dos dias tudo parece desmoronar, evaporar, perder-se. Que não tenhamos dias de aridez, já há demais pessoas áridas, nem tão pouco naturezas áridas. Bom fim de semana, amiga!

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Profundo y melancólico poema. Te mando un beso.

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  6. A realidade é que o mundo parece mesmo que está a desmoronar-se.
    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  7. Maravilhosa poesia. Gostei bastante :))
    -
    Não consigo recomeçar....
    -
    Beijos e um bom Domingo

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  8. Amiga Emilia, boa tardinha de domingo!
    Há aridez que deixa margem à novas inspirações...
    Tenha uma nova semana abençoada!
    Beijinhos fraternos

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  9. Sergio6/14/2026

    Talvez aqui a poeta use um jogo de metáforas para, num cenário quase apocalíptico e de desesperança, alertar para a falta de igualdade, justiça e rumo no mundo atual: o rio em chamas e as margens indiferentes, geladas. Os olhares a estenderem mãos vazias. Os gemidos e estrondos num mundo auto-absorvido e indolente, incapaz de reagir ao sistema que criou. As soluções têm de começar em escala pequena: uma atenção, um gesto de ajuda, doar o nosso tempo por uma causa que acreditamos. Talvez assim as manhãs comecem sem penumbras. Passos pequenos. À nossa volta. Beijinhos

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  10. E cada vez há mais cinzas, principalmente as que as guerras provocam.
    Excelente poema, minha amiga, gostei imenso.
    Boa semana.
    Um beijo.

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  11. Há, realmente, dias assim. E como os descreve bem o teu poema, Emília! Belíssimo! Meu abraço, amiga; boa semana.

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  12. Boa tarde Emília.
    As nuvens negras insistem em pairar sobre as nossas cabeças. Esperemos que o sol as rasgue e volte de novo a brilhar.

    Gostei bastante deste poema.

    Deixo os votos de uma feliz semana com tudo de bom.
    Beijinhos, com carinho e amizade.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com
    https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

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  13. Tão belo este poema, minha querida Amiga. Tudo de bom.
    Um beijo.

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  14. Boa tarde Amiga Emília.
    Um poema de imagens fortes e contrastantes, onde a paisagem fluvial se transforma num espelho da inquietação humana.
    Entre barcos, cinzas, chamas e margens geladas, a autora constrói uma atmosfera densa de desalento e fragilidade, culminando numa poderosa visão de um mundo em ruína.
    Gostei particularmente da forma como o silêncio e a desolação atravessam todo o texto, deixando no leitor uma sensação de profunda reflexão.
    Boa semana com muuta saúde.
    Deixo um beijo.
    :)

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«Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar».C.L.