sábado, junho 27, 2026

Será que a poesia se apartou de mim

(Desconheço o autor)


Será que a poesia se apartou de mim

ou se encontra envolta em densa neblina

e os meus olhos não a enxergam,

pressentindo que o tempo troteia sobre

as palavras e não as deixa voar...

A primavera vai longe...

O tempo, inabalável,

mais veloz que o sopro do vento,

escapa por entre os dedos.

Por mais que tente agarrá-lo,

ele foge-me do corpo e da alma

e deixa-me numa solidão inesperada.

Talvez no outono eu ensaie um bailado

com as folhas em revoada a envolverem-me

e descubra que, afinal, a poesia pode estar

em qualquer momento, em qualquer circunstância

sempre que o olhar perscrute o horizonte

e se deixe envolver pela luz do entardecer,

a brilhar nas margens do rio que me corre na pele.


Texto
Emília Simões
27.06.2026


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