segunda-feira, janeiro 20, 2014

Gotas de mar

  

Silencio o meu olhar e mergulho-o
Nas águas profundas do mar
Que me devolve em véus de espuma
A certeza infinita de te amar.


Texto e foto
Ailime
20.01.2014

sábado, janeiro 11, 2014

Apenas a luz


Apenas a luz e as flores
Me falam das nuvens
Que escurecem as tardes
Na praia que alberga
A manhã do sol-posto

O vento em rodopio
Arrebata às marés
O navio naufragado
E esculpe na areia
O mastro quebrado

Uma âncora persiste
Cravada no sal.


Texto e foto
Ailime
11.01.2014




domingo, janeiro 05, 2014

Percorro a utopia



Percorro a utopia suspensa na luz
Que paira no horizonte da
Imaginação que em ti arquitectei.

Vagueio pelas sombras das noites
Em que o Inverno se completa
Nas madrugadas gélidas de relentos,
Embutidos nos olhares confusos
De silhuetas desencontradas
Em solidões precoces.

Solto os grilhões que nos escravizam
E em liberdade aprisiono a Primavera,
No alvorecer suave e acolhedor
De uma aurora anunciada.

Ailime
(2010)




domingo, dezembro 29, 2013

No tempo que passa


No tempo que passa, veloz
Por entre as espigas maduras
Do trigo a dançar ao sol
Da vida, quantas vezes noite

Mas também sorrisos
Nas manhãs de Maio,
Em auroras translúcidas
Na plácida corrente do rio
De azul intenso repleto;

Que separa as margens
Que avisto da janela
Daqui, e além Tejo,

Onde a lezíria vestida de verde
Continua a afagar
A suave fragrância das manhãs,
Que se desprende das margens

A subir no éter, a evocar
O tempo que passa, veloz
Nas primícias de mim, aqui.

Desejo a todos um Ano Novo Feliz!
Muito obrigada pelo carinho
e amizade ao longo de 2013.
Abraços. Ailime

Texto (2011)
e foto
Ailime

domingo, dezembro 22, 2013

Natal à Beira-Rio

É o braço do abeto a bater na vidraça?
E o ponteiro pequeno a caminho da meta!
Cala-te, vento velho! É o Natal que passa,
a trazer-me a água da infância ressurrecta.

Da casa onde nasci via-se perto o rio.
Tão novos os meus Pais, tão novos no passado!
E o Menino nascia a bordo de um navio
que ficava, no cais, à noite iluminado...

Ó noite de Natal, que travo a maresia!
Depois fui não sei quem que se perdeu na terra.
E quanto mais na terra me envolvia
mais da terra fazia o norte de quem erra.

Vem tu, Poesia, vem, agora conduzir-me
à beira desse cais onde Jesus nascia...
Serei dos que afinal, errando em terra firme,
precisam de Jesus, do Mar, ou de Poesia?

David Mourão Ferreira





Bom Natal para todos. Muito obrigada pelas vossas
visitas e ou/ comentários ao longo de 2013.
Ailime

domingo, dezembro 15, 2013

Leva-te o vento para outras pátrias


Tela de Netuno Artes
Leva-te o vento para outras pátrias
Como outrora caravelas à descoberta
Mares revoltos e avassaladores
E o Adamastor aqui tão perto.

O vento assobia o desassossego
Que se instala nas praias lusitanas
E o naufrágio eminente ao largo
Profetiza o êxodo das gaivotas.

Com a espuma do mar construo navios
Em areais repletos de medusas
Enroladas em sargaços de lonjura.

No silêncio, o sal rasga-me o olhar.

 Ailime
15.12.2013
Imagem Google

terça-feira, dezembro 03, 2013

Voos


Traço com nuvens pedaços de céu
Em auroras rasgadas por ventos
Que em desnorte empurram os pássaros
Para além do incompreensível.

Nas portas escancaradas
Há muito que o sol se refugiou
Nos umbrais do desassossego.

Nos lodos pardacentos dos rios
Lastram sonhos aniquilados
Como barcos em desalinho
Por lemes corrompidos.

E voos rasantes de prantos
Arrastam as asas feridas
Na incerteza das sombras.

Texto e foto
Ailime
03.12.2013

quinta-feira, novembro 21, 2013

A porta

Tela de José Malhoa

A porta azul entreabriu-se a soluçar
E da janela já não irrompe a luz
Que anunciava o nascer da aurora.

O relógio continua embutido
Na parede de cal branca
Com os ponteiros estáticos
Gélidos como o orvalho da madrugada.

Lá em baixo os lírios murcharam
E os muros esboçam o tempo
Em gestos rasgados de musgos.

No celeiro apenas sombras
Ecoam gritos de silêncios
Esmorecidos no eco dos escombros.

Lá fora os pássaros
Continuam em bandos
A sobrevoar o rio.

21.11.2013
Ailime
Imagen Google

sexta-feira, novembro 15, 2013

Nas margens do meu rio



Nas margens do meu rio
Por entre seixos e grama
Vou percorrendo o tempo
Com o olhar vão de esperança.
Neste entardecer constante
Nas margens do meu rio
Fico aprisionada na sombra
De um alvorecer distante.

Ailime
(07.02.2010)
(reposição)

terça-feira, novembro 05, 2013

Recordo-te


Tela de Daniel Ridgway

Recordo-te nos frutos maduros do outono
E nas manhãs orvalhadas pelo frio
Que antecipava o Natal

Mas era Novembro
E o rio lá em baixo
Acenava-te a vida
Iluminava-te o olhar

Não te vás embora
O rio ainda corre e chama por ti
Olha o sol a entrar pela janela
Olha a chama acesa na alma

O Natal não aconteceu
E o rio lá em baixo subiu

Subiu e desaguou em mim
O leito feito dor
Que ainda hoje goteja nas margens
O azul da saudade.

Era Novembro, era quase Natal.


Ailime
05.11.2013
Imagem Google