sábado, julho 11, 2026

Girassóis

 

Procurei girassóis no lugar do costume.

Girassóis amarelos, naturalmente,
porque durante toda a minha vida
só dessa cor os conheci.

O verão é generoso com eles.
E como são belos os girassóis,
seguindo a luz do sol
até quase se apagarem
quando a tarde cai.

Queria fotografá-los,
acrescentar mais algumas imagens
à minha extensa coleção.



Esfreguei os olhos.
Não fosse algum mosquito
ter-me toldado a visão,
ou talvez uma catarata
a anunciar-se em silêncio.

Mas a cor bordô
persistia na retina.

Teria os olhos ensanguentados?
Era essa a minha dúvida.

A minha sombra sossegou-me:

— Estás a ver bem.
Os girassóis são mesmo vermelhos,
bordô.

Ainda desconfiei
de alguma discromia descontrolada.

— Não. Está tudo bem —
insistiu a minha sombra.

Descansei
e fotografei-os.


As imagens ficaram arquivadas
até que, hoje,
me lembrei delas.

E porque o mundo
continua a surpreender-me,
descobri que existem, afinal,
girassóis bordô.

Sorri.

Há sempre uma cor
que ainda não vimos,
uma flor
que ainda não conhecemos.


Texto e fotos
Emília Simões
11.07.2026

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