sábado, fevereiro 28, 2026

Não sei medir o tempo por gestos

  

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Não sei medir o tempo por gestos.

As andorinhas voltam na primavera,
fazem os ninhos sempre no mesmo lugar
e espanto-me com a sua precisão.

Alçam voo
e regressam,
fiéis à rota invisível.

Não sei medir o tempo por palavras
que guardo nos silêncios,
quando as manhãs despertam
para o ciclo da vida.

Não sei medir o tempo por sóis
que dançam nas sombras dos abismos
e ressoam nos ecos das escarpas.

Sei medir o tempo apenas quando o relento
da madrugada
me toca o rosto
e respira.

Texto 
Emília Simões
2021
Revisto

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