sábado, fevereiro 21, 2026

Tão longe, as manhãs

 

Juan Francisco Gonzalez


Tão longe,
as manhãs
na casa
onde às vezes
regresso.

Tudo repousa
como sempre,
mas tinha outra grandeza...
Uma vastidão
que o tempo levou.

O rio corre sereno
lá em baixo,
levando consigo
os seixos que brilhavam ao sol,
e o meu saltitar, leve,
em torno do moinho
e o riso
que não cabem mais em mim.

A lezíria era
uma sinfonia de cores;
as águas mais verdes,
as nuvens mais azuis,
os pássaros cantavam
como se o mundo inteiro os ouvisse,
e o ar tremia
com a promessa do instante.

Pisavas o chão
com leveza,
sem saber que cada passo
se tornaria vento,
cada gesto, sombra suave
no tempo.

Agora,
no resplendor da manhã
cada vez mais distante,
debruço o olhar
sobre a vastidão da ausência,
onde o que fui
se mistura
com o que não posso tocar,
e a saudade respira,
leve e infinita,
como luz filtrada
pelas nuvens.

Texto (revisto)
Emília Simões
Out/2021 


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