«As palavras pesam. Um texto nunca diz a dor das pequenas coisas» Graça Pires in Poemas escolhidos
sábado, janeiro 13, 2024
Hoje a chuva molha a calçada
sábado, janeiro 06, 2024
Mergulho nos rastos do vento
sábado, dezembro 30, 2023
O rio das minhas lembranças
Caminho sem sentido tentando abstrair-me dos trajetos, que tantas vezes trilhámos juntas!
O que mais apreciava eram os ribeiros de águas límpidas, onde mergulhavas as mãos e o coração.
Nas águas geladas brilhando ao sol, quente de inverno, a tua silhueta resplandecia de emoção e amor.
Ainda me recordo das laranjas que caíam junto à margem do ribeiro grande e que me deliciavam.
Sempre gostei de laranjas. Hoje o ribeiro está seco e não sei se ainda existem laranjeiras no velho pomar.
Mas sabes uma coisa? Do que tenho mesmo saudades é das filhoses que fazias à lareira no tacho grande, na noite de Natal!
Quando passo à tua porta, parece que ainda sinto o aroma da canela e do açúcar com que as polvilhavas.
Como eram boas as tuas filhoses! Nunca mais comi nenhuma igual. Hoje há tantos, tantos sabores, que me confundem.
Paro um pouco e apenas desertos se estendem à minha frente e uma neblina cai sobre o rio.
O rio, o rio das minhas lembranças, que tudo guarda e tudo revela.
Desejo a todos um Feliz Ano Novo com saúde e paz!
Ailime
30.12.2023
segunda-feira, dezembro 18, 2023
É dezembro, quase Natal!
É dezembro, quase Natal!
O frio alastra nas cidades,
vilas e aldeias.....
Azáfama costumeira
onde impera o consumismo
num frenesim desmedido,
torna dezembro ainda mais frio
para os que dormem ao relento,
para os que caem por terra
nos cenários de guerra.
Tanta fome no mundo,
tanta sede de afetos,
tanto choro de crianças nuas
por um destino
que lhes assassinou os pais.
Tanta prepotência e ganância,
que violam todos os direitos humanos.
É urgente a paz, a fraternidade,
e o calor dos afetos.
É urgente o Amor!
É urgente o Natal!
Ailime
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18.12.2023
Desejo a todos santo e feliz Natal!
domingo, dezembro 10, 2023
Sentada na escarpa
Sentada na escarpa
vagueio o olhar pelo horizonte
que perscruta o entardecer,
de uma tarde de outono.
Recordo-me da varanda
de onde ao acordar
vislumbrava o amanhecer.
Os dias tão longos,
hoje tão curtos.
A alma imperturbável
recolhe nos recônditos da memória
as cores, que hoje tão distantes,
estão aprisionadas
no pensamento.
Quando a noite murmurar
o frio e a geada do inverno,
a primavera florescerá
nas pontas dos meus dedos.
Ailime
10.12.2023
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sábado, dezembro 02, 2023
O recomeço
Percorri estradas
desbravei caminhos
atravessei socalcos
feri os pés
golpeei as mãos;
a minha boca
está amarga
pelo sal que me escorre
dos olhos
o sentido do meu viver.
Quis mudar de trajeto;
tombei, ergui-me
e tropecei nas pedras,
mas reergui-me
O meu corpo,
os meus braços
doridos
ficaram entrelaçados
para sempre nas grades
dum muro
que me rasga o pés
e me trava o recomeço.
Ailime
02.12.2023
sábado, novembro 25, 2023
No meu canto
No meu canto escrevo uma palavra,
depois outra e ainda outra.
Que pretendem meus dedos expressar
quando seguram a caneta e ela desliza
lentamente, como a desenhar um poema
que nem sequer está esboçado?
Deixo que gotas de tinta escorram
e molhem o papel e nesse borrão
eu tenha esculpido algo
que se assemelhe a poesia.
Tal como o pintor, quando na tela
deixa que as tintas se esbatam
e formem a sua inspiração contida.
A tinta secou, olho-a incrédula!
Nada restou e o poema não aconteceu.
Ailime
25.11.2023
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segunda-feira, novembro 20, 2023
É outono
A natureza reveste-se de amarelo dourado.
Os frutos têm sabor a mel.
Nos meus lábios o teu nome
tem o aroma de um amanhecer
e o sabor de um pôr do sol.
Os dias são mais curtos.
Os raios solares mais amenos.
Os muros e os troncos de árvores
cobrem-se de líquenes e musgos.
Nos prados, a geada cobre as ervas pela manhã.
A natureza respira serenidade;
até o vento amainou.
Quase que o aconchego nas minhas mãos.
Paira no ar o cheiro a castanhas assadas,
maçãs e canela.
No chão molhado repousam folhas caídas,
no outono da alma, no outono da vida.
Ailime
19.11.2023
sábado, novembro 11, 2023
No clarear das manhãs
a terra cheira a musgo
e a pedras escorregadias
pelas intempéries
que agitam as árvores
em aguaceiros intermitentes,
deixando sobre o chão
folhas irreconhecíveis,
que vou recolhendo em silêncio.
No vórtice do tempo
aves atravessam as nuvens
resguardando-se de tempestades
numa nesga de luz,
antes que o vento as resgate.
Ailime
11.11.2023
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sábado, novembro 04, 2023
É outono na minha rua e o sol brilha!
As folhas molhadas pelas intempéries
segredam em tons de outono
no silêncio da tarde
a voz do vento que amainou,
atapetando o chão em tons dourados.
É outono na minha rua e o sol brilha!
Atravesso-a devagar, pé ante pé,
para não desmanchar o sortilégio
desta visão encantada.
Em silêncio apanho uma folha
e depois outra e ainda outra,
Encosto-as ao peito e sorrio.
É outono na minha rua e o sol brilha!
Ailime
04.11.2023
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