domingo, setembro 01, 2013

Capto no olhar o silêncio


Capto no olhar o silêncio
Encapotado pelas cinzas soltas
Que pousaram na aridez dos desertos,
Os clamores que os ventos arrebataram
Das chamas dispersas por longas viagens.

Ah! Mas os sonhos! …Esses foram traídos,
Desfeitos pela anarquia dos ventos
Em desvario infernal e desconexo.

E o deserto continua disforme,
Irreconhecível e irrespirável.
Do interior da terra ouço o borbulhar da seiva
A resgatar o silêncio das trevas.


01.09.2013
Ailime
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terça-feira, agosto 27, 2013

O fogo



O fogo abrasa e as flamas
No chão ressequido, quente,
Impiedosamente
Sugam da terra a seiva
E os frutos em maturação.

Perante hostis indiferenças
O fogo ateia nas almas
A angústia da privação
E a dor do chão devastado.

Mas os ventos agora  adversos,
Espalharão por sobre as cinzas
Sementes de esperança
E na terra profanada
Novos frutos germinarão.


27.08.2013
Ailime
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domingo, agosto 18, 2013

A limpidez das estrelas


Nem sempre as musas mergulham
Nas sombras dos bosques
Onde o silêncio fica aprisionado
Nas teias de luz
Que fugazmente te acariciam.

Mas as palavras soltam-se
Como aves em redor dos ninhos
E, por instantes, o luar
Irrompe como um espelho
E reflete no abraço da noite
A limpidez das estrelas.

18.08.2013

Ailime
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sexta-feira, agosto 09, 2013

Guardo na voz o silêncio

Van Gogh

Guardo na voz o silêncio
Das madrugadas em que desfiavas
Trovas que mascaravam
O sal das lágrimas
Que te sulcavam o rosto
Nas planícies cobertas de corvos.

Mas trazias na alma o sossego
Das tardes purpúreas do sol-posto
Que te amenizavam a noite
Que precedia a jornada.

De novo a labuta, a sobrevivência
O suor e as lágrimas
Dum tempo outro, impuro
Igual no sangue e verdade.


09.08.2013
Ailime
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domingo, agosto 04, 2013

O rio, o mar e o sol


O rio, o mar e o sol
A autenticidade dos dias
Que correm céleres
Na voragem do tempo
Que te enlaça e seduz
No fascino do amanhecer,
Na maresia que te inebria
E insufla a aragem
Dos instantes que te acariciam,
Como se a luz da manhã
Adiasse o entardecer.


Agosto/2013
Ailime
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sábado, julho 13, 2013

A serenidade em mim


Amo a vida, o sol e os afectos;
Semeio-os nas intempéries do ocaso
E refugio-me num beijo ao infinito,
Reconciliando em mim a quietude.


Em névoas e penumbras
Navego o meu sentir
Imaginado nas auras
De almejados alvoreceres.

Abraço o anoitecer
De silêncio feito paz
E repouso o desalento
Em sonhos urdidos de auroras.


Mares crespados me assolam;
Marés rebeldes me cingem;
Imagino a placidez dos afectos
Mimando a minh’ alma inquieta.

Ailime
(2009)
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Nota: durante alguns dias não estarei por aqui.
Aproveito para agradecer a vossa presença
e comentários sempre tão generosos no meu canto.
O meu bem-haja a todos e até breve.
Com o meu carinho e amizade. Ailime


sábado, julho 06, 2013

Há na obscureza dos sóis


Há na obscureza dos sóis
Oceanos encobertos por marés
Que se transformam ao entardecer
Em silhuetas de espuma alva
Desenhadas por espirais de maresias
Que envoltas em recifes de corais
Antecipam o amanhecer.


Ailime
06.07.2013
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segunda-feira, julho 01, 2013

Uma brisa

Gustave-Caillebotte

Uma brisa,
Um olhar
E a água do rio
Que soletra de pedra em pedra,
A frescura
Que o vento
Canta
Na vela do barco,
Antecipando nas margens
Brandamente,
O encontro
Com o mar.

 Ailime
01.07.2013


segunda-feira, junho 24, 2013

Um silêncio, uma pausa



Um silêncio, uma pausa
E um rio que emana
Mananciais de deserto
Libertando orvalhos
Que se transmutam
Em oásis de escuta

E o vento cálido
Sopra nas dunas
Os ecos insondáveis
Dos enigmas
Que a terra gera.

24.06.2013
Ailime
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quinta-feira, junho 20, 2013

No mar revolto

W. Sousa


No mar revolto
Navegam barcos
Sem leme
Que ostentam nos mastros
A solidão dos limos
E se confundem
No enleio das marés
Que aportam em cais
Desabitados. 

Ailime
20.06.2013
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