sábado, fevereiro 21, 2026

Tão longe, as manhãs

 

Juan Francisco Gonzalez


Tão longe,
as manhãs
na casa
onde às vezes
regresso.

Tudo repousa
como sempre,
mas tinha outra grandeza...
Uma vastidão
que o tempo levou.

O rio corre sereno
lá em baixo,
levando consigo
os seixos que brilhavam ao sol,
e o meu saltitar, leve,
em torno do moinho
e o riso
que não cabem mais em mim.

A lezíria era
uma sinfonia de cores;
as águas mais verdes,
as nuvens mais azuis,
os pássaros cantavam
como se o mundo inteiro os ouvisse,
e o ar tremia
com a promessa do instante.

Pisavas o chão
com leveza,
sem saber que cada passo
se tornaria vento,
cada gesto, sombra suave
no tempo.

Agora,
no resplendor da manhã
cada vez mais distante,
debruço o olhar
sobre a vastidão da ausência,
onde o que fui
se mistura
com o que não posso tocar,
e a saudade respira,
leve e infinita,
como luz filtrada
pelas nuvens.

Texto (revisto)
Emília Simões
Out/2021 


21 comentários:

  1. Tão linda tua poesia e sentimos a intensidade do teu sentir...Tudo muda , tudo parece tão longínquo em nossas recordações... ADOREI! Ótimo fds! beijos, chica

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  2. Boa tarde Amiga Emília.
    Este poema toca-me pela delicadeza com que transforma a memória em paisagem viva.
    Há uma ternura contida na forma como o passado é revisitado ,não como mero cenário, mas como vastidão interior que o tempo redesenhou.
    A imagem do rio que corre sereno, levando consigo os seixos e o riso antigo, é particularmente expressiva: tudo flui, tudo se desloca, e ainda assim permanece como eco luminoso.
    Senti na lezíria, nas cores intensificadas e no ar que “tremia com a promessa do instante”, uma celebração quase sagrada da infância — ou de um tempo inaugural.
    O final é de uma beleza serena: a saudade não surge como peso, mas como luz filtrada, suave e infinita.
    Um poema que respira contemplação e maturidade emocional.
    Gostei muito, um poema que comove e nos deixa em reflexão, e em estado de recordar...
    Bom fim-de-semana.
    Deixo um beijo
    :)

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  3. Voltar ao nosso lugar de início poderá ser um encanto ou um desencanto.
    Um abraço.

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  4. Nossa... que belíssimo poema, querida Ailime,
    quanta sensibilidade e talento da poeta!
    Adorei ler!
    Um beijinho e um feliz final de semana!

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  5. Boa noite Emília.
    Poema muito interessante e intenso.
    É sempre surpreendente voltarmos às nossa origens. Onde nascemos, crescemos. Muitas vezes está completamente diferente.

    Gostei bastante.

    Deixo os votos de um bom domingo, com tudo de bom.
    Beijinhos, com carinho e amizade.

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com

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  6. Bonito poema. Bom domingo!
    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  7. Gostei muito deste poema, sinto muitas vezes a melancolia que ele contém.

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  8. Poesia simplesmente fantástica! Obrigada pela partilha!
    -
    A L E N T O... .
    -
    Beijos. Bom Domingo. E uma boa semana.

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  9. Amiga Emília, boa noite de domingo!
    Um belíssimo poema com sua marca sensível para sentir a natureza como sente a si.
    Tenha uma nova semana abençoada!
    Beijinhos fraternos

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  10. "a saudade respira, leve e infinita, como luz filtrada pelas nuvens."
    Todo o poema é belíssimo, e o final e de mestre.
    Boa semana querida amiga.
    Beijinhos.

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  11. A memória: o lugar onde se guarda aquilo que nos é íntimo e se transforma em palavras tão emocionais que quase dói. Tão belo, minha Amiga.
    Tudo de bom.
    Um beijo.

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  12. Como a saudade nos magoa... e como nos faz felizes, ao caminhar por lembranças tão boas! Belo poema, Emília... muito belo! Meu abraço, boa semana.

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  13. A tela é fantástica, Emília; aliada à nostalgia que emana do teu belo poema, nos faz sentir saudades do que tão bem descreves... ainda que não o tenhamos vivido! Boa semana, amiga; meu abraço.

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  14. Sergio2/23/2026

    Creio que é uma coisa universal: a nossa infância e as suas memórias não cabem no que depois nos tornamos, como tão bem diz o poema. Talvez porque tudo é novo e tudo é explorado de forma inocente , e com tempo, um tempo infinito que depois, mais tarde, já não temos. A vida vai-nos roubando tempo e inocência. E nos dias de hoje, rouba-nos a atenção. E talvez por isso, algo bom para nos lembrarmos todos of dias é que o momento em que vivemos agora é o único que existe, o passado construiu--nos mas já passou, e o presente momento é aquele em que temos de nos focar. Talvez os saltos não sejam os mesmos, as distâncias não sejam as mesmas, mas a curiosidade pelas coisas, nem que seja por uma planta bonita, uma fonte a borbulhar, um raio de sol a entrar pela janela - ver tudo como uma maravilha! E tomar algum tempo para apreciar estas pequenas maravilhas. Como faz uma criança. Beijinhos

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  15. Um poema que fala de amor, mas em que se vinca a sua ausência.
    Abraço de amizade.
    Juvenal Nunes

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  16. Mais um bonito poema. Parabéns pelo seu talento.
    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  17. Olá, amiga Emília, um grande poema com as lembranças de tempos idos,
    da infância e quem sabe da adolescência.
    Gostei muito desta sua obra poética,
    Uma boa semana com muita harmonia.
    Beijo, amiga.

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  18. Sem dúvida que todo o encanto que interiorizou está gravado com a beleza das palavras com que define esse recordação . Quanto nos marca esse quando bucólico e nostálgico, Alime
    Muito belo !

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  19. Boa noite Emília.
    Passando por aqui, para desejar um bom fim de semana, com muita saúde e paz.

    Beijinhos!

    Mário Margaride

    http://poesiaaquiesta.blogspot.com
    https://soltaastuaspalavras.blogspot.com

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  20. Gostaria muitíssimo de honrar tuas memórias afetivas como fizeram Piedade e Sergio, mas meu alcance é pouco na escrita, mas é maior na alma que sentiu tamanha riqueza lendo teu poema. Amo demais ler-te! Beijinhos e alegre semana!

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«Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar».C.L.