domingo, junho 21, 2015

Há nos desertos

Há nos desertos
Fustigados pela sede
Uma ausência de claridade
Que adormece as pedras
Inanimadas
Que perecem à sombra dos cactos.

Torna-se necessário
Sacudir as dunas
Na claridade das manhãs
Para que as flores se transformem
Na aridez das miragens
Em oásis de águas lúcidas.

Ailime
21.06.2015
Imagem Google

quarta-feira, junho 10, 2015

As palavras

Van Gogh
As palavras tantas vezes se me escapam
Como nuvens a bailar no horizonte
Onde lobrigo sílabas dispersas
Como pássaros errantes a sobrevoar
Campos dourados de searas ondulantes. 
E tal como nos sonhos imprevistos
Visíveis na claridade das manhãs
Deixo que as palavras tomem forma
E flutuem como silhuetas a hastear
Silêncios à deriva do sol-posto.

Texto 
Ailime
10.06.2015
Imagem Google


quinta-feira, maio 28, 2015

Passa o tempo


Tela de Megan Aroon Duncanson

Passa o tempo,
lesto como o vento
a rasgar as folhas do outono
e a enrolá-las nos meus gestos,
ébrios pelo fogo do sol-posto
a derramar nas marés
a alegoria das manhãs.


Ailime
2015-05-28

quarta-feira, maio 13, 2015

Deixa que a chuva


Deixa que a chuva banhe o teu rosto
E liberte todo o sal que te ensombra o olhar.
Deixa que as janelas se abram à luz
E te inundem a alma com o cintilar das estrelas.
Deixa que o mar ouça a tua voz
E te devolva a alegria numa nuvem de espuma.
Deixa que o vento te inebrie e fortaleça
Como uma flor a sorrir ao sol.
Deixa que o mundo conspire a noite
Mas tu dança, respira e abraça a manhã.


Texto Ailime
Para uma amiga
12.05.2015
Imagem Google

sábado, abril 25, 2015

Sonhei-te


Sonhei-te como pólen no chão adormecido
E abriguei-te no meu peito aberto ao vento
Qual noite a emergir na madrugada
Do silêncio a luz se fez espanto.

Como um véu abriste-te em amor
E deste-te em abraços e harmonias
Num só voo ainda entoamos
Alvorada em flor até ser dia.


Texto
Ailime
25.04.2015
Imagem Google

quarta-feira, abril 15, 2015

Ainda hoje não sei

Tela de Heinrich Vogeler
Ainda hoje não sei
o que te perturbava
quando repousavas
nos ombros
a solidão do mundo.

Um rio escorria-te nas faces
as margens
que o teu olhar ausente
absorvia em silêncio.

Ainda hoje não sei,
porque continuam estáticas
aquelas nuvens azuis
como pássaros sem asas
a pairar sobre os teus ombros.



Texto
Ailime
14.04.2015



quarta-feira, abril 01, 2015

Nas manhãs alvas

Tela de Hans Gude

Nas manhãs alvas
dos dias azuis
ténues os vestígios
das redes
que estendidas
sob os barcos
navegam fundo
os olhos do rio.
Nas margens
águas ondulantes
aprisionam o vento  
que afugenta os limos.
..............
Desejo a todos uma
FELIZ PÁSCOA!
Texto
Ailime
Imagem Google
01.04.2015

sábado, março 21, 2015

Quereria ser poeta


Quereria ser poeta
E entender a musicalidade
Das palavras interditas
Num livro por inventar

Quereria ser poeta
E projectar no horizonte
Asas flamejantes de pássaros
Abraçando o teu olhar

Quereria ser poeta
E sentir as sílabas soltas
Como as velas dum navio
Voejando em alto mar.

Quereria ser poeta
Para albergar no poema
Desnudado de preconceitos
A lucidez do amor.

21.03.2015
Ailime
Imagem Google

quinta-feira, março 19, 2015

O teu nome


Enquanto as horas vazias
Do dia por acontecer
Me recordam as sombras
Seminuas das marés
O sol alastra no horizonte
A seara ondulante e cálida
Onde outrora o entardecer
Vazava no chão ardente
O teu nome em sal esculpido
Como cinzas a germinar.


Texto e foto
Ailime
19.03.2015

sexta-feira, março 13, 2015

«Entre mim e o mar»


Entre mim e o mar
ainda me causa espanto a madrugada.
Sempre diferente. Sempre idêntica.
Tons de mel, de romã,
de diamante, de milho seco.
Sopro de sal, de sangue, de limos.
E, por detrás das dunas, 
a respiração dos amantes
sobressaltando as aves.

Poema de
Graça Pires
In Espaço livre com barcos

Imagem Google