sábado, janeiro 24, 2026

A chuva

(desconheço o autor)

A chuva é poesia a cair das nuvens

envolvendo-me em paz e silêncio

quando a observo através da janela,

como se fosse um momento

de introspeção sobre a vida.


A chuva é esperança a inundar-me o regaço, 

como pássaros

que anteveem a primavera

nos seus voos molhados,

suspensos sob os beirais.


A chuva é uma melodia

que me embala e traz consolo,

quando o vazio se instala em mim

e o frio me trespassa, deixando

o meu corpo exausto.

 

A chuva tem um cheiro singular.

Rega a terra e prepara-a

para que a vida renasça na primavera,

aqueça os corpos no calor do verão

e nos ofereça a beleza de outono.


Não tardará e será outra vez inverno.

A chuva voltará a cair

e dentro de mim

os pássaros molhados

voltarão de novo a cantar.


Texto:
Emília Simões
24.01.2026
Imagem (Net) desconheço
o autor


2 comentários:

  1. Boa tarde Amiga Emília

    Este poema transforma a chuva num verdadeiro espelho da interioridade humana. Mais do que um fenómeno natural, ela surge como presença viva: poesia, esperança, melodia e ciclo. Há uma delicadeza muito bonita na forma como a chuva acompanha os estados de alma, do silêncio introspectivo ao consolo diante do vazio, passando pela exaustão do corpo e pela promessa de renascimento.
    A imagem dos “pássaros molhados” é particularmente feliz: frágil, quase suspensa no tempo, funciona como metáfora da vulnerabilidade, mas também da persistência e da fé no regresso da primavera. O poema avança pelas estações como quem percorre a vida, lembrando-nos que tudo é cíclico, a dor, o frio, a espera, mas também o canto que regressa.
    Há uma musicalidade suave e uma linguagem acessível, que envolve o leitor sem o afastar, criando uma atmosfera de recolhimento e contemplação. Um poema sereno, que sabe ficar em silêncio quando é preciso e cantar baixinho quando o coração pede.
    Fez-me lembrar um poema que escrevi e que se intitulava “A chuva devia ter cores”
    Gostei muito e a imagem também ficou em sintonia.
    Desejo bom fim-de-semana cheio de saúde e paz.
    Deixo um beijo.
    :)

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  2. Muito linda a poesia e da chuva, que por vezes , nem a vemos como poesia pois incomoda, causa estragos, etc. Mas apesar dela estar caindo forte por aí, fizeste um lindo canto à chuva! beijos, ótimo domingo! chica

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«Sou como você me vê.
Posso ser leve como uma brisa ou forte como uma ventania,
Depende de quando e como você me vê passar».C.L.