domingo, março 27, 2011

Abraço-te

Na distância que nos separa
Há uma penumbra inalterável
Que atravessa o meu semblante
E me incita a abraçar-te, sempre.

Ailime
27.03.2011
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segunda-feira, março 21, 2011

Exulto a Primavera


Exulto a Primavera
No meu canto
Ornado de violetas,
Que dedico aos poetas
Que arquitectam sonhos
Dependurados
Em castelos,
Cativos de memórias
Consistentes.

E alegro-me
Com os campos em flor
E as searas ao vento
Na madrugada de ti.

Ailime
210.03.2011
Imagem da Net

sábado, março 12, 2011

Cântico da Esperança


"Não peça eu nunca
para me ver livre de perigos,
mas coragem para afrontá-los.

Não queira eu
que se apaguem as minhas dores,
mas que saiba dominá-las
no meu coração.

Não procure eu amigos
no campo da batalha da vida,
mas ter forças dentro de mim.
Não deseje eu ansiosamente
ser salvo,
mas ter esperança
para conquistar pacientemente
a minha liberdade.

Não seja eu tão cobarde, Senhor,
que deseje a tua misericórdia
no meu triunfo,
mas apertar a tua mão
no meu fracasso! "


Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera"
Ailime
12.03.2011
Imagem cedida pela Net

domingo, março 06, 2011

Uma ténue luz


Quando se conjugam os astros e a chuva cai

Como bênção, lavando a terra e os homens

Que nos seus caminhos transportam pântanos

Em vidas perturbadas por intempéries,

Uma ténue luz me adverte que a Primavera

Alastrará em todo o seu esplendor.

Ailime
06.03.2011
Imagem cedida pela Net

terça-feira, março 01, 2011

CONTINUAREI SEMPRE...

Partilho com todos vós um texto que me foi enviado por e-mail, por uma amiga, em formato pps. com imagens de telas de Leonid Afremov que acho belíssimo:

Leonid Afremov
 "Continuarei a acreditar, mesmo que tentem me fazer perder esperança.
Continuarei a amar, ainda que os outros transpirem ódio.
Continuarei a construir, ainda que os outros destruam.
Continuarei a falar de Paz, ainda que no meio de guerras.
Continuarei a iluminar, mesmo no meio da escuridão .
Continuarei a semear, ainda que os outros pisem a colheita.
E continuarei a gritar, ainda que os outros se calem ou tentem me calar.
E desenharei sorrisos, nos rostos que encontrar em lágrimas.
E transmitirei alívio, quando encontrar a dor.
E oferecerei motivos de alegria, onde só haja tristezas.
Convidarei a caminhar aquele que decidiu parar.
E darei os meus braços, aos que se sentirem exaustos.
Porque no meio da desolação, sempre haverá uma criança que nos olhará, esperançada, querendo algo de nós, e ainda que no meio de uma tormenta, por algum lado sairá o sol e no meio do deserto crescerá uma planta.
Sempre haverá um pássaro que nos cante, uma criança que nos sorria e uma borboleta que nos brinde com a sua beleza.
Mas...se algum dia vires que já não caminho, não sorrio ou me calo, apenas aproxima-te e dá-me um beijo, um abraço ou oferece-me um sorriso. Isso será suficiente, pois seguramente me terei esquecido de que a vida me acabrunhou e me surpreendeu por um momento.
Um momento apenas... Mas mesmo assim, tenha a certeza: EU CONTINUAREI pois tenho DEUS dentro de mim.”

Autor: desconheço o autor
Tela de: Leonid Afremov (cedida pela Net)
Ailime
01.03.2011

domingo, fevereiro 27, 2011

O silêncio de minha mãe

Oiço-te ainda a chorar baixinho,

Quando criança.
Uma vez e outra
Eu te perguntava: "O que tens, mãe"?

E tu, invariavelmente,

Serenavas-me, dizendo: - “não tenho nada”!
E eu sei que sofrias!
Relembro todo aquele tempo…

Mãe!
Algo te perturbava…
E, ainda hoje, não sei o que te atormentava, mãe…

Ailime
04.05.2008
(Reposição: in Rota Diferente)

27.02.2011
Imagem cedida pela Net

domingo, fevereiro 13, 2011

Sinto-te na chuva

Imagem da Net
Neste mar que escorre
Por entre os meus dedos
Sinto-te na chuva
Que inunda
Os espaços
Sofridos
Da tua solidão
E fixo o olhar
Nas árvores desnudas
Como corpos esguios
De braços erguidos
Ressequidos
Famintos
Estendidos no chão
À revelia da
Iniquidade
Cega
Que finge
Que não és.

Ailime
13.02.2011
Imagem cedida pela Net

domingo, fevereiro 06, 2011

A Hora da Partida

«A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.»


 Sophia de Mello Breyner Adresen

Ailime
06.02.2011
Imagem cedida pela Net


domingo, janeiro 30, 2011

Aprisiono o sonho

Neste meu sentir aqui
Onde longe se faz perto
Aprisiono o teu sorriso
E abraço-te na distância
De auroras anunciadas.


O sonho vai cumprir-se
E na madrugada fulgente
Vou clamar a maresia
Suspensa no olhar
Transparente de ti.



Ailime
30.01.2011
Imagem cedida pela Net

domingo, janeiro 23, 2011

Deste meu canto

Deste meu canto, descubro

Horizontes rendidos a trevas,

Concebidos por imagens

Encapotadas por gélidos orvalhos.

No que concebo

Procuro descortinar no infinito

A urgência de uma chama,

Que aclarará a vereda

Do caminho que me move.

Nada me desviará

Da alva madrugada,

Para onde estendo os braços

Na busca da um sinal

que me levará a ti.
Ailime
23.01.2011
Imagem cedida pela Net