«As palavras pesam. Um texto nunca diz a dor das pequenas coisas» Graça Pires in Poemas escolhidos
sábado, janeiro 11, 2025
Inverno, duro e frio
sábado, janeiro 04, 2025
Dou passos a medo
a porta.
Tinham-me dito que estava fechada,
porque as gripes e o Covid
andam por aí.
Cheguei e bati.
Dizem-me, a senhora está doente, de cama,
e não quer contágios.
Imaginei a solidão e o silêncio
de quem vive dependente,
sem direito a um sorriso, a um aperto de mão,
a uma palavra encorajadora.
O medo continua a limitar as ações
e o inverno continua frio no coração de
quem nunca viveu entre quatro paredes.
Há que acender fogueiras
para inflamar os corações.
sábado, dezembro 28, 2024
As minhas palavras estremecem
As minhas palavras estremecem.
Escondo-as num coral em silêncio.
Não quero que ninguém as leia,
ouça ou profane.
O vento, por vezes, distorce
o sentir e a imaginação dos poetas,
que se arrastam nas penas,
que os pássaros vão deixando aqui e ali.
Na vertigem do tempo
rodopio segura de que
apenas as palavras amor e paz,
podem salvar os pactos.
Emília Simões
28.12.2024
sábado, dezembro 21, 2024
É Natal!...
sábado, dezembro 14, 2024
É quase Natal, outra vez
sábado, dezembro 07, 2024
Nesta tarde fria, quase inverno
recordo-te a costurares vestidos
quentinhos,
para as tuas três meninas,
para estrearmos no dia de Natal.
De manhã com os vestidos novos
íamos admirar as montras das lojas,
todas com presépios cheios de neve,
lagos, rios, pontes e pastores,
que iam adorar o Menino Jesus!
Era um ritual que se repetia
em cada Natal.
Ah, já me esquecia,
Também estreávamos sapatos
e como nos sentíamos vaidosas.
Depois de visitarmos os presépios
íamos a correr para a Missa.
Na Igreja um grande presépio
mostrava uma Família feliz
rodeando o Menino, assim como
a vaca e o burro, que O aqueciam com o bafo.
Mais atrás, os Reis Magos, que haveriam de chegar.
Era um tempo de musgos, fetos, tudo muito verde.
A vida era muito simples, mas os afetos
Ainda hoje me lembro tanto...
Todos partiram, mas deixaram em nós a essência
do verdadeiro Natal.
Texto
Emília Simões
07.12.2024
sábado, novembro 30, 2024
Sentada na escarpa
TextoEmília Simões30.11.2024Imagem Google
sábado, novembro 23, 2024
Deixo que o silêncio
Deixo que o silêncio
abafe a minha voz.
Um pássaro esvoaça
sobre um barco
ancorado na praia.
O dia permanece claro.
O vento de outono assobia
sobre as folhas caídas.
No meio da calçada
uma flor renasce.
É a vida a renovar-se
em cada dia
no meu olhar,
na minha vida.
Emília Simões
23.11.24
sábado, novembro 16, 2024
Partiste minha Mãe
Partiste minha Mãe
e não dissemos adeus.
Uma folha ao vento
levou-te para lá das nuvens
e o céu abriu-se para te receber.
O rio, lá em baixo, guarda
os ecos do meu sentir.
Dos meus olhos escorre o orvalho
que vai engrossando o caudal,
desse rio, que corre placidamente.
Da última vez que te vi, inerte,
parecias sorrir e, essa imagem,
quero guardá-la em mim,
para sempre.
Já não te vou ver mais, Mãe.
Já não podemos trocar um beijo,
um abraço...
Mãe, partiste e deixaste
um vazio na minha vida.
Com as tuas memórias
reaprenderei a viver
na saudade da tua ausência.
Descansa em paz!
minha Mãe
1931-2024
sábado, novembro 02, 2024
Para encontrares o belo
Para encontrares o belo
terás que calcorrear vales
e montes,
atravessar silêncios
galgando rios
caminhos lamacentos
enfrentar feras
e talvez no fim do caminho
encontres o que procuras;
a luz refletida
em simples flores
no cimo duma montanha.
Emília Simões
02.11.2024