Gustav Klimt
«As palavras pesam. Um texto nunca diz a dor das pequenas coisas» Graça Pires in Poemas escolhidos
sábado, julho 18, 2026
O beijo
Gustav Klimt
sábado, maio 02, 2026
O silêncio...
sábado, abril 18, 2026
No teu olhar ...
No teu olhar resgato um brilho,
como se fosse ontem,
o instante que hoje me recorda
as margens verdes do teu rio,
onde, com os pés imersos
nos reflexos do entardecer,
tentava alcançar-te
quando deslizavas no barco,
envolto nas brisas suaves
da tarde.
Quão breve é o tempo,
quão frias as margens,
como a tarde se desvanece
ao ritmo da vida...
Emília Simões
18.04.2026
sábado, março 21, 2026
Olho o céu
Olho o céu e observo-te para lá das nuvens.
Uma luz suave infunde em mim a saudade.
Não ouço a tua voz, mas leio as palavras que deixaste,
plenas de amor e humanidade,
que me deixaram profundamente comovida.
Tento respirar e sentir-te na primavera
que não chegaste a completar.
Um travo amargo percorre o meu pensamento,
porque um amigo que se perde é um pedaço de vida
que se esvai, mas cuja memória fica guardada
para sempre, no mais recôndito do ser.
Há uma presença discreta que persiste,
como um eco que o tempo não apaga.
em memórias,
não apenas no céu que observo,
mas naquilo que, sem ruído,
permanece.
Texto
Emília Simões
21.03.2026
sábado, novembro 08, 2025
Morreste-me, minha mãe.
Amanhã faz um ano que partiste.
Quem diria que, aquele engasgo traiçoeiro,
te tiraria a vida!
Ainda te estou a ver... Deitada,
serena, como se esboçasses um sorriso.
Uma imagem que me acompanha
e que guardo escondida no meu coração.
Assim, como os últimos beijos que
trocámos.
Como eram carinhosos os teus afagos.
Tardaram, mas senti-os, porque únicos.
Como tu, que também eras única!
Eras uma pessoa muito especial.
Tardei em conhecer-te e
foi breve o nosso tempo, mas
estava guardado o melhor para o fim.
É que a vida não é como desejamos,
mas conforme a vontade de Deus.
Tua filha que sempre te amou.
sábado, outubro 25, 2025
Caminhamos pela vida
sábado, janeiro 18, 2025
Gosto do gorjeio dos pássaros,
quando à noite se aninham
na árvore junto à minha janela.
Gosto do som da água,
que cai daquela cascata
na encosta da serra.
Gosto do colorido
das flores, quando desabrocham
no vaso, da minha varanda.
Gosto do sol no horizonte
brilhante como os teus olhos,
quando fixam os meus.
Gosto da natureza
verde e fresca,
nos dias calmos de inverno.
Gosto do silêncio,
das tardes soalheiras
em que escuto a tua voz.
Gosto, porque gosto
das coisas simples do mundo
que, em segredo,
me falam de vida.
Emília Simões
18.01.2025
sábado, agosto 24, 2024
Vida e poesia
A origem da vida
os frutos maduros
sábado, julho 27, 2024
Nos descampados da vida
Nos descampados da vida
entre orvalhos sobre as pedras
e a terra sôfrega,
imagino o tamanho do mundo.
Saltito de pedra em pedra
e os meus olhos semiabertos
tentam enxergar o longe e o perto.
Tudo me parece distante e confuso.
Um pássaro no seu voo matinal
anuncia-me o conforto do ninho.
Ainda é cedo para que a luz
me revele, nas sombras, a tua grandeza.
Emília Simões
27.07.2024
sábado, março 02, 2024
Que a mágoa não se apodere de ti
se nos passos incompreensíveis da vida
alguns de ti diferirem.
Porque somos muito mais
que simples objetos manipuláveis,
que alguns que se julgam insignes
pretendem asfixiar.
Acredita que os caminhos da vida
podem ser como relva abundante
nos prados verdes da primavera.
Que mais à frente há uma luz que
que para todos brilha,
mas só alguns conseguem enxergar.
Crê no mais importante
e simples do ser,
que te constrói e revigora,
sempre que deres um passo em frente
nas linhas retas da existência.
A vida é como um sopro;
no meio de evasivas
há todo um manancial a cativar.
sábado, fevereiro 03, 2024
Resvalo por socalcos de montanhas
como ave em pleno voo
e procuro uma flor
uma palavra
um gesto
um raio de sol
um enigma,
talvez um pedaço de tempo
que me fale de vida
e de auroras
e entardeceres
que me falem de amor
ou de silêncios
onde escute a tua voz.
Divago e paro num golpe de vento
que cinjo na minha cintura
como se fora um afago teu.
Emília Simões
03.02.2024
segunda-feira, novembro 20, 2023
É outono
A natureza reveste-se de amarelo dourado.
Os frutos têm sabor a mel.
Nos meus lábios o teu nome
tem o aroma de um amanhecer
e o sabor de um pôr do sol.
Os dias são mais curtos.
Os raios solares mais amenos.
Os muros e os troncos de árvores
cobrem-se de líquenes e musgos.
Nos prados, a geada cobre as ervas pela manhã.
A natureza respira serenidade;
até o vento amainou.
Quase que o aconchego nas minhas mãos.
Paira no ar o cheiro a castanhas assadas,
maçãs e canela.
No chão molhado repousam folhas caídas,
no outono da alma, no outono da vida.
Ailime
19.11.2023
sábado, agosto 12, 2023
Tinha na pele o cheiro das flores
Tinha na pele o cheiro das flores
e rasgava as searas com os sentidos
na alvura da manhã bebia o orvalho
antes que o sol lhe queimasse o corpo.
Inebriados pelo frescor do amanhecer
os pássaros voejavam de mansinho
entoando cantos maviosos da aurora.
Ao lado, o rio, sabia-lhe de cor o nome
e sorria-lhe, cúmplice, na maré cheia
nos acordes da vida a renascer.
Era o espanto que a revigorava
nas primeiras horas do dia
trazidas pela lezíria
como barcos a respirar.
Ailime
sábado, abril 29, 2023
As casas
As heras e os musgos retiraram-lhes
o brilho da genuinidade
e fazem-nas mergulhar na escuridão
que o tempo há muito traçou.
Através das portas e janelas,
em escombros,
não ouço o crepitar do lume,
nem sinto o aroma das flores,
agora murchas sobre a mesa
da sala de entrada.
Desço e subo degraus,
mas o meu olhar nada vislumbra
e no meio das sombras,
de ontem,
apenas o vazio me fala de vida.
Ailime
28.04.2023
Imagem Google
sábado, fevereiro 04, 2023
O pensamento imerge no silêncio
Mariusz Lewandowski
O pensamento imerge no silêncio,
e o silêncio alimenta-se do pensamento.
Juntos são inevitáveis na construção da vida,
na construção do poema,
quando as palavras se refugiam
no mais recôndito do ser
o silêncio mergulha no escuro;
mas logo o pensamento o desperta
e ambos entram num bailado
de ideias, sem terem a certeza de nada.
Como os pássaros esvoaçam à deriva
aguardando que a primavera
os deslinde nas suas raízes.
04.02.2023
sábado, dezembro 03, 2022
Na respiração de novos rebentos
folhas caídas sobre o chão molhado
e os líquenes a envolverem-na
como primícias de vida prometida
os pássaros adejam em seu redor
alegres no seu canto sempre mavioso,
indiferentes às estações
e ao vento dos dias gelados
a natureza canta sempre ao amanhecer
e adormece no entardecer
quando as aves partem em debandada
na respiração de novos rebentos.
Ailime
03.11.2022
sábado, novembro 26, 2022
No tumulto das palavras
No tumulto das palavras sinto solidão.
Não é que as palavras não foquem sentimentos,
mas, por vezes, o gume ácido da vida
não deixa que façam sentido.
Na transversal das ruas que percorro
como ave sem penas, ouço à distância
o eco do silêncio que se me quebra na voz.
Há uma infinidade de ruas a percorrer
para melhor entender o significado
do que me rodeia, do que me espanta.
Porque a vida não sendo reta
é feita de sóis e de luas,
de abraços e palavras.
De ecos e resplendores
na partilha dos silêncios.
Ailime
26.11.2022
terça-feira, outubro 19, 2021
Ao amanhecer
terça-feira, janeiro 05, 2021
Memória
por vezes nem vemos os degraus
A fechadura há muito
enferrujada
Traz à tona que a vida é
efémera
Por detrás da porta
O mundo sucumbiu ao tempo
O chão cedeu
As paredes ruíram
As janelas fecharam-se
Na velha lareira, apenas
cinzas
Ao fundo, no quintal, os lírios
roxos evocam a tua presença
Mais abaixo o rio segreda-nos
a tua memória.
Eterna...
quarta-feira, setembro 02, 2020
De mãos dadas


