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sábado, maio 09, 2026

O tempo


Photohobo


O tempo é implacável!

Não se deixa dominar.

Esgueira-se

por entre os dedos das mãos

como grãos de areia na praia.

Quase sufoca

pela rapidez com que

nos ultrapassa.

Nada o detém.

Oprime o pensamento

e as névoas retiram

brilho ao olhar.

Os caminhos têm mais escolhos

e reaprende-se a caminhar.

Há que dar tempo ao tempo

e fingir alguma indiferença

perante a sua voracidade.

Deixar que a criança que nos habita,

se sobreponha ao tempo

e nos ensine a olhá-lo

com alguma complacência,

com alguma dignidade.

Texto
Emília Simões
09.05.2026


sábado, janeiro 31, 2026

A natureza também chora


A natureza também chora.

Do seu ventre escorrem
lágrimas de rosas 
quando o vento em delírio,
no seu ímpeto devastador,
arrasta rios, vales, montanhas,
tudo o que habita
o coração do homem.

Impávido, ele vê a sua pequenez
mergulhar no abismo 
de uma noite imensa e escura.

Muitas luzes se acendem.

É tempo de endireitar veredas
e vencer a indiferença.

A terra clama.
A terra chora.

Ninguém ouve.


Texto e foto
Emília Simões
31.01.2026




domingo, novembro 25, 2018

No meu silêncio



No meu silêncio 
guardo palavras doridas 
pelas ruas descalças 
gastas pela solidão,  
que afloram os olhares de espanto 
pelo nascer ou pôr do sol 
a iluminar as tezes macilentas 
no relento das noites,  
onde jazem sonhos inacabados 
enrolados em folhas húmidas
dum outono precoce. 

No meu silêncio guardo 
toda a minha inércia, 
a minha pressa 
a minha indiferença 
pelo mundo marginal 
que me passa ao lado 
que não quero ver, 
que recuso enxergar 
porque me falta amor. 

Até quando a minha alma vazia 
deixará que o amor se expanda em liberdade 
num abraço à solidão?



Texto e foto
Ailime
25.11.2018


sexta-feira, outubro 21, 2011

Números...

Nesta convulsão histórica
Esbarro em interesses
Tácitos de perversão
Onde as vontades se anulam
Perante as violências autoritárias
Indiferentes aos sentires
De almas atribuladas
Que ocultam no olhar
A incerteza do presente
Na ausência de compaixão
Abstraída por números
Implacáveis de desdém
Pela dignidade do Ser.


Ailime
21.10.2011
Imagem da Net