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sábado, junho 27, 2026

Será que a poesia se apartou de mim

(Desconheço o autor)


Será que a poesia se apartou de mim

ou se encontra envolta em densa neblina

e os meus olhos não a enxergam,

pressentindo que o tempo troteia sobre

as palavras e não as deixa voar...

A primavera vai longe...

O tempo, inabalável,

mais veloz que o sopro do vento,

escapa por entre os dedos.

Por mais que tente agarrá-lo,

ele foge-me do corpo e da alma

e deixa-me numa solidão inesperada.

Talvez no outono eu ensaie um bailado

com as folhas em revoada a envolverem-me

e descubra que, afinal, a poesia pode estar

em qualquer momento, em qualquer circunstância

sempre que o olhar perscrute o horizonte

e se deixe envolver pela luz do entardecer,

a brilhar nas margens do rio que me corre na pele.


Texto
Emília Simões
27.06.2026


sábado, maio 02, 2026

O silêncio...

Pixabay





Há silêncio quando o sol se põe.
Há silêncio com o espanto
do brotar de uma flor.

Há silêncio na floresta quando as
árvores falam entre si.
Há silêncio quando as aves fazem o ninho.

Há silêncio na frescura das manhãs,
quando a aurora desponta.

Há silêncio quando a terra absorve
a chuva e faz brotar a primavera.

Há silêncio na água que escorre,
plácida, no regato.

Há silêncio nos jardins
quando as flores 
parecem dançar 
na brisa suave do vento.

Há silêncio quando o poeta
não tem inspiração
e percorre o pensamento
sem encontrar a palavra certa.

Há silêncio quando os rios
tocados pelo azul das nuvens
refletem afetos gravados
nas margens submersas.

Há silêncio
se estivermos atentos,
quando o sol brilha
e ilumina a vida.

Texto
Emília Simões
02.05.2026

sábado, abril 11, 2026

A raiz ignora

Pngtree

A raiz ignora
que sustenta a árvore.

As folhas,
sem saber porquê,
entregam-se ao vento
e, sobre o rio,
vão como barcos
à deriva suave,
tocadas por brisas leves
nas tardes amenas de verão.

Nas margens azuis,
onde os seixos
brilham ao sol,
há uma primavera suspensa
nas neblinas verdes,
espelhadas na corrente
do rio

que passa indiferente
à luz
e ao tempo.


Texto
Emília Simões
11.04.2026

(Estarei ausente durante uma semana)

sábado, março 21, 2026

Olho o céu

Freepik

Olho o céu e observo-te para lá das nuvens.

Uma luz suave infunde em mim a saudade.

Não ouço a tua voz, mas leio as palavras que deixaste,
plenas de amor e humanidade,
que me deixaram profundamente comovida.

Tento respirar e sentir-te na primavera
que não chegaste a completar.

Um travo amargo percorre o meu pensamento,
porque um amigo que se perde é um pedaço de vida
que se esvai, mas cuja memória fica guardada
para sempre, no mais recôndito do ser.

Há uma presença discreta que persiste,
como um eco que o tempo não apaga.

Por vezes detenho-me
em memórias,
breves,
não apenas no céu que observo,
mas naquilo que, sem ruído,
permanece.

Texto 
Emília Simões
21.03.2026

sábado, janeiro 24, 2026

A chuva

(desconheço o autor)

A chuva é poesia a cair das nuvens

envolvendo-me em paz e silêncio

quando a observo através da janela,

como se fosse um momento

de introspeção sobre a vida.


A chuva é esperança a inundar-me o regaço, 

como pássaros

que anteveem a primavera

nos seus voos molhados,

suspensos sob os beirais.


A chuva é uma melodia

que me embala e traz consolo,

quando o vazio se instala em mim

e o frio me trespassa, deixando

o meu corpo exausto.

 

A chuva tem um cheiro singular.

Rega a terra e prepara-a

para que a vida renasça na primavera,

aqueça os corpos no calor do verão

e nos ofereça a beleza de outono.


Não tardará e será outra vez inverno.

A chuva voltará a cair

e dentro de mim

os pássaros molhados

voltarão de novo a cantar.


Texto:
Emília Simões
24.01.2026
Imagem (Net) desconheço
o autor


sábado, maio 10, 2025

A primavera


A primavera é feita de coisas, que não precisam de nomes.
Tonalidades diversas a perder de vista...
Pássaros a gorjear voejando em redor do ninho;
a cria espia a migalha que a mãe lhe coloca no bico.
Uma orquestra toca, suavemente, a melodia
da paz e da esperança e os insetos cirandam
à volta do néctar, que sugam com sofreguidão.
Lá longe a casa continua deserta, sombria,
cercada por muros de primaveras remotas.
Já não a reconheço, a primavera é feita de coisas
que guardo entre as minhas mãos.


Texto e foto
Emília Simões
10.05.205



sábado, abril 26, 2025

Na sede que se fez alvorada

LovePik


Na sede que se fez alvorada

ainda ressoa o canto dos pássaros

que, em grande alvoroço,

sobrevoavam as cidades

clamando por justiça e amor.

Os ecos eram tão vigorosos,

que estradas se rasgaram de lés a lés

e todos avançavam no mesmo sentido,

a espalhar a notícia, que pairava no ar.

Foi um dia único na vida de um país

cinzento, triste, em que a primavera

se celebrava apenas nos campos.

Foi plena a festa que, nesse dia,

fez germinar nas cidades

campos de flores vermelhas.


Texto 
Emília Simões
26.04.2025

sábado, abril 05, 2025

Um poema germina


Um poema germina como uma árvore.
Dissemino palavras, imprecisas,
sob a magnólia do jardim;
Deixo que o tempo as faça florescer na primavera.
Não sei se as palavras tem odor, como as flores do jasmim
dependuradas do muro, em redor da casa.
Todos os dias espreito da janela
para enxergar alguma palavra, nas folhas
da magnólia, mas o vento, em rodopio,
confunde-me o olhar.
Numa manhã, deparo-me com um broto,
que me parece uma folha a perfurar
uma pétala de magnólia, caída no chão.
O poema inicia o seu ciclo
e, como a primavera, chegou o tempo
de vicejar.

Texto e foto
Emília Simões
05.04.2025

sábado, fevereiro 15, 2025

Nos galhos das árvores


Pngtree


Nos galhos das árvores
o canto dos pássaros
anuncia a primavera
e as aves voam livres e felizes.
O tempo é célere
e escoa-se por entre os dedos;
agora inverno, amanhã primavera;
os campos enchem-se de flores 
e a natureza parece sorrir.
Os ponteiros do relógio
seguem o seu rumo
e a luz sobrepõe-se à penumbra.
Chegou o tempo
de colher os vestígios
da primavera e deixar 
que as flores inundem
o meu jardim.


Texto 
Emília  Simões
15.02.25


sábado, outubro 05, 2024

Passo à tua porta

 
José Malhoa


Passo à tua porta, subo o degrau;

a pedra desfaz-se sob os meus passos.

O tempo pesa sobre o meu corpo

tão distante da leveza dos gestos,

quando te procurava e me enlaçavas

nos teus braços tão fortes

que me faziam sentir muito amada.

O tempo tudo traz e tudo leva,

mas como as folhas  caídas

que atapetam o chão no outono,

na primavera brotam revigoradas

 e volto a sonhar outra vez

com a leveza e ternura dos gestos,

 gravados no meu viver,

Texto
Emília Simões
04.10.2024


sábado, março 02, 2024

Que a mágoa não se apodere de ti



Que a mágoa não se apodere de ti
se nos passos incompreensíveis da vida
alguns de ti diferirem.
Porque somos muito mais
que simples objetos manipuláveis,
que alguns que se julgam insignes
pretendem asfixiar.

Acredita que os caminhos da vida
podem ser como relva abundante
nos prados verdes da primavera.
Que mais à frente há uma luz que
que para todos brilha, 
mas só alguns conseguem enxergar.

Crê no mais importante
e simples do ser,
que te constrói e revigora,
sempre que deres um passo em frente
nas linhas retas da existência.

A vida é como um sopro; 
no meio de evasivas 
há todo um manancial a cativar.


Texto
Emília Simões
02.03.2024
Imagem Google



sábado, fevereiro 17, 2024

Nas intermitências do tempo



Nas intermitências do tempo
desbravo caminhos e, em silêncio,
colho alvoradas suspensas
nos sorrisos, com que te revelas,
em teus olhos brilhantes 
quando me fixas,
numa profusão de cores,
como se a primavera
envolvesse num abraço,
o tempo que resgatámos.
As manhãs são mais sadias,
as tardes, mais leves,
o teu amor mais firme.
Da escarpa, um pássaro voa
levando nas asas, para longe,
segredos que não deixaram rasto.

Para minha mãe

Texto 
Emília Simões
17.02.2024
Imagem Google



sábado, janeiro 13, 2024

Hoje a chuva molha a calçada


Hoje a chuva molha a calçada
e as pedras brilham como cristais
na densa tarde de inverno.
As árvores, nuas, parecem chorar
as folhas que, coladas ao chão,
parecem adormecidas.
Há raízes profundas que as unem
e não é a falta de luz que as 
mantêm vigorosas na sua nudez.
A seiva continua a circular
no interior dos seus troncos.
Por um lapso de tempo
sobrevivem à noite que as cinge.
A primavera não tardará
e como milagre
no silêncio de uma manhã amena,
despertarão reluzentes
em ramos iluminados,
como um brilho impresso no tempo.


Texto e foto
Emília Simões
13.01.2024




domingo, dezembro 10, 2023

Sentada na escarpa



Sentada na escarpa

vagueio o olhar pelo horizonte 

que perscruta o entardecer, 

de uma tarde de outono.

Recordo-me da varanda

de onde ao acordar

vislumbrava o amanhecer.

Os dias tão longos,

hoje tão curtos.

A alma imperturbável

recolhe nos recônditos da memória

as cores, que hoje tão distantes,

estão aprisionadas

no pensamento.

Quando a noite murmurar

o frio e a geada do inverno,

a primavera florescerá

nas pontas dos meus dedos.


Texto
Ailime
10.12.2023
Imagem Google


sábado, abril 22, 2023

Ainda há flores a irromper nos caminhos



Ainda há flores a irromper nos caminhos,

na primavera que sempre regressa

aos lugares exatos

onde se faz esperar,

ainda que as intempéries

interrompam, por instantes,

o seu resplendor.

O que aspiro nesse trajeto

é que mesmo as flores selvagens

não se esqueçam de refulgir,

ao sol, do meu jardim.


Texto e foto
Ailime
22.04.2023


sábado, fevereiro 25, 2023

Na solidão do deserto


Na solidão do deserto

a sede, a fome, a tentação.

Nada te demove  do silêncio

que se abeirou das pedras

onde te sentas exausto.

A primavera aproxima-se 

e as flores abrir-se-ão

para te renovar a esperança

dos dias em que a noite te envolve.



Texto e foto
Ailime
25.02.2023



sábado, fevereiro 18, 2023

Vislumbro o meu rio


Vislumbro o meu rio que, plácido,
percorre no seu leito junto às margens
as memórias que guardo
como se  fossem joias raras
refletidas nos seixos, que brilham ao sol.
Tudo tão longínquo e tão próximo,
como se a lezíria verdejante
me devolvesse o teu olhar refletido
como se fora ontem primavera
e os pássaros me oferecessem
o teu sorriso num broto florido.
O rio imperturbável não olha para trás
e apenas o silêncio me fala.


Texto e foto
Ailime
18.02.2023

sábado, fevereiro 04, 2023

O pensamento imerge no silêncio

Mariusz Lewandowski


O pensamento imerge no silêncio,

e o silêncio alimenta-se do pensamento.

Juntos são inevitáveis na construção da vida,

na construção do poema,

quando as palavras se refugiam

no mais recôndito do ser

o silêncio mergulha no escuro;

mas logo o pensamento o desperta

e ambos entram num bailado

de ideias, sem terem a certeza de nada.

Como os pássaros esvoaçam à deriva

aguardando que a primavera

os deslinde nas suas raízes.


Texto
Ailime
04.02.2023



sábado, outubro 08, 2022

O tempo, sempre o tempo

 

Ailime

O tempo, sempre o tempo, na voz,

como um rio que percorre as palavras

que teimam em libertar-se nas manhãs,

em que o orvalho lhe cinge o olhar

ainda meio adormecido.

Como uma fonte soletra nas águas

os sentidos, em movimentos ascendentes,

no esplendor da manhã a cativar-lhe

as palavras, que se soltam como flores

a desabrochar num chão de primavera.

Retoma o caminho

liberto de sombras e silêncios

e regressa ao tempo, nas palavras,

refletidas no rio.


Texto e foto
Ailime
08.10.2022

domingo, junho 19, 2022

Tenho saudades do meu rio

 




Tenho saudades do meu rio.

O meu rio não é um rio como os outros,

porque me corre nas veias,

o que o torna único.

É um rio que me viu nascer.

Um rio com águas bordadas a prata

e com margens tingidas de azul.

A lezíria beija-lhe as margens

numa doce primavera verde

e os pássaros voejam em redor

debicando aqui e ali,

como se entendessem

as maresias e os pores do sol

que sobrevoam os barcos

que trago dentro de mim.

O meu rio é único e belo.

Tão belo,

que cabe na luz do entardecer.


Texto e foto
Ailime
19.06.2022