«As palavras pesam. Um texto nunca diz a dor das pequenas coisas» Graça Pires in Poemas escolhidos
sábado, maio 02, 2026
O silêncio...
sábado, dezembro 07, 2024
Nesta tarde fria, quase inverno
recordo-te a costurares vestidos
quentinhos,
para as tuas três meninas,
para estrearmos no dia de Natal.
De manhã com os vestidos novos
íamos admirar as montras das lojas,
todas com presépios cheios de neve,
lagos, rios, pontes e pastores,
que iam adorar o Menino Jesus!
Era um ritual que se repetia
em cada Natal.
Ah, já me esquecia,
Também estreávamos sapatos
e como nos sentíamos vaidosas.
Depois de visitarmos os presépios
íamos a correr para a Missa.
Na Igreja um grande presépio
mostrava uma Família feliz
rodeando o Menino, assim como
a vaca e o burro, que O aqueciam com o bafo.
Mais atrás, os Reis Magos, que haveriam de chegar.
Era um tempo de musgos, fetos, tudo muito verde.
A vida era muito simples, mas os afetos
Ainda hoje me lembro tanto...
Todos partiram, mas deixaram em nós a essência
do verdadeiro Natal.
Texto
Emília Simões
07.12.2024
sábado, junho 15, 2024
Quando passo à tua rua
José Malhoa
Quando passo à tua rua
escuto sempre a voz do rio
que, nas suas margens azuis,
me fala de ti,
como se ainda permanecesses
sentado na soleira da porta
a desenhar arabescos
no teu livro sem páginas.
Um rio e um livro
que me falam de lembranças
como se o hoje fosse ontem
e o ontem fosse hoje.
Na ausência de palavras
ficam nas entrelinhas
os registos dos afetos
nos resquícios das memórias.
Emília Simões
15.06.2024
quinta-feira, abril 28, 2022
Percorro os campos em flor
que me falam de primaveras
mas também de madrugadas
de tempos muito longínquos
que trago cingidos ao peito.
Inebriada por sentimentos e afetos,
nuvens brancas em céus azuis
debruavam o meu olhar
por entre as margens do rio
que sussurravam o meu sentir
no rumorejo das águas.
Hoje, apenas ecos, reproduzem
os sons de outrora, quando os pássaros
em voos alegres e maviosos
vêm pousar nas minhas mãos
o restolho da saudade.
terça-feira, janeiro 11, 2022
Há no silêncio dos corpos
Há no silêncio dos corpos
uma cumplicidade no olhar
como se relâmpagos
alumiassem as escarpas
onde nos desnudamos
como cardumes ao vento
a marulhar em praias
invisíveis.
Afetos e vozes inaudíveis
mergulham definitivamente
num mar de privação,
no universo inacabado
para lá do tempo
e dos enigmas do espaço.
Ailime
10.01.2022
Imagem Google

