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segunda-feira, novembro 20, 2023

É outono

 


A natureza reveste-se de amarelo dourado.

Os frutos têm  sabor a mel.

Nos meus lábios o teu nome

tem o aroma de um amanhecer

e o sabor de um pôr do sol.


Os dias são mais curtos.

Os raios solares mais amenos.

Os muros e os troncos de árvores

cobrem-se de líquenes e musgos.

Nos prados, a geada cobre as ervas pela manhã.


A natureza respira serenidade;

até o vento amainou.

Quase que o aconchego  nas minhas mãos.

Paira no ar o cheiro a castanhas assadas,

maçãs e canela.


No chão molhado repousam folhas caídas,

no outono da alma, no outono da vida.


Texto e foto
Ailime
19.11.2023


sábado, maio 06, 2023

Presságio de esperança


 

Pé ante pé percorro a seara por maturar;

procuro as papoilas vermelhas

qual pôr do sol a raiar o chão.

Mil e uma cores abraçam-me o peito

e, por momentos, agarro outra flor e outra

e deixo para trás o vento

que teima em rodopiar-me nas mãos

o fogo intenso das primaveras,

que o tempo percorre no meu olhar.

Aqui e ali ouço o canto dos pássaros

e um presságio de esperança

acalenta-me a alma.



Texto e foto
Ailime
06.05.2023

terça-feira, julho 27, 2021

O verão é feito de sol



O verão é feito de sol, areia e água salgada.

(por vezes a chuva cai impiedosa)

As ondas beijam as praias e os barcos 

navegam na costa os teus cabelos ao vento.


Na esplanada corpos tisnados pelo sol

brilham como a luz do crepúsculo 

e saboreiam um coquetel gelado

para mitigarem a sede.


No regresso à praia 

envolvem-se na brisa marinha

como nuvens de espuma

a reter as marés.


O verão é também o pôr do sol

quando o céu incendiado

derrama sobre os corpos nus

a luz do entardecer.


Texto e foto
Ailime
27.07.2021

terça-feira, julho 06, 2021

Deambulo pelas ruas



Deambulo pelas ruas que me contornam

como se não houvesse saída

e nada sei sobre o tempo;

apenas as flores me falam de futuro,

de manhãs claras,

de jasmim, buganvílias

e amores perfeitos.


A terra molhada tem a fragância do outono

o esplendor  de um pôr do sol

a beleza do jaspe.


Um olhar  breve  e furtivo 

insinua-me levemente

que nos degraus das escarpas

ainda há ecos por desvendar.


Texto
Ailime
06.07.2021
Imagem Google



quarta-feira, maio 19, 2021

Na celeridade do tempo



Na celeridade do tempo esculpimos as horas

como se os ponteiros do relógio nos cingissem

ao que gostaríamos de pensar e sentir.

 

A montanha já não é verde

Os peixes já não sabem de cor o rio

Nos olhos as margens secaram-se.

 

Para lá da tarde que cruzámos,

o silêncio e a solidão

abreviam o pôr do sol.

Pergunto-te o nome do porvir.

 

Texto
Ailime
19.05.2021


quarta-feira, maio 05, 2021

No limiar da porta ainda há vestígios

José Malhoa

No limiar da porta ainda há vestígios;

a luz detinha-se no teu colo

e abrias as mãos num gesto 

como a querer agarrar o dia

que te fugia por entre os dedos;

recordo a leveza indelével

com que aprisionavas o tempo

quando o pôr do sol

te refulgia no rosto

o desgaste que te prendia

ao silêncio das palavras encobertas.

Era o tempo em que os pássaros

se recolhiam antes do voo.


Texto
Ailime
05.05.2021

quarta-feira, outubro 14, 2020

Em silêncio

 

       Em silêncio
       podes escutar o vento
       que te fala das marés
       Dos esplendores
       das estrelas
       Do pôr do sol
       Da neve
       Dos jardins solitários
       Daquele dia
       em que apenas
       o único olhar
       foi o teu.


Texto e foto
Ailime
14.10.2020

terça-feira, maio 21, 2019

Vão longos os dias



Vão longos os dias e o pôr do sol alarga-se 
naquele horizonte matizado de púrpura 
em que fitamos o olhar nublado de silêncio 
com os pássaros a esvoaçarem, testemunhas 
de um tempo que nos desconcerta. 

Passeamos sós de mãos dadas 
como se hoje fosse ontem no teu olhar 
as manhãs são mais claras, mais límpidas 
quando pisamos chãos improváveis 
mesmo que as sombras nos tinjam a noite. 

Talvez que, furtivamente, ainda enxerguemos o mundo 
embriagados pela luz que emana do inverno. 


 Texto
Ailime
21.05.2019 
Imagem Google




domingo, outubro 14, 2018

Trago nos lábios a palavra outono

Foto de Manuel Luís Simões

Trago nos lábios a palavra outono 
como folha alagada pela chuva 
que como pétalas cai com placidez 
a envolver-nos docemente o corpo 
que alastra em voos improváveis 
sobre o chão alado que pisamos. 

Nessas horas tardias 
prendemos o pôr do sol com a voz 
rasgamos o horizonte com o olhar 
que nos incendeia os dedos 
deslizar como riachos     
no silêncio dnosso outono.




Texto 
Ailime
14.10.2018

segunda-feira, setembro 25, 2017

Nas folhas de outono


Há nas folhas de outono o encanto do pôr do sol.
Os seus dourados e vermelhos lembram o astro rei
quando ao entardecer parece aninhar-se no horizonte
num leito feito de luz que nos extasia o olhar.

A Terra parece respirar silêncio e serenidade
e as gaivotas bailam sobre as marés 
a magia desse momento que atordoa os sentidos,
como se o crepúsculo reacendesse em nós
o anseio de um novo alvorecer.



Texto e foto
Ailime
25.09.2017

quarta-feira, junho 29, 2016

Contemplação


O espanto trespassa-me o olhar
quando o sol incendeia  o horizonte
e alastra sobre  o universo
o  silêncio  da tarde.

Como num espelho,
o  firmamento afaga as brumas
que povoam o meu sentir
e deixo que o paraíso
me envolva como águas,
         cristalinas,
a brotar da nascente.

Quedo-me num mutismo
contemplativo
que  me confunde e desconcerta.

Apenas uma brisa suave
me reconcilia na alma
o sentido das palavras.


Texto
Ailime
(29.06.2016)
Foto de Neca retirada do Blogue

domingo, fevereiro 28, 2016

Esvoaço numa asa de vento


Esvoaço numa asa de vento
e deixo que os meus cabelos
se transfigurem
como ondas a beijar a praia
quando o silêncio das marés
esboça ao pôr do sol
a imagem do anoitecer.
Por entre os meus dedos vacilantes
deixo que a espuma das águas
escorra a claridade das nuvens
que esculpem no  infinito
a finitude dos mares.

Texto
Ailime
Imagem Google
28.02.2016