«As palavras pesam. Um texto nunca diz a dor das pequenas coisas» Graça Pires in Poemas escolhidos
sábado, maio 02, 2026
O silêncio...
sábado, abril 04, 2026
Nos tons do entardecer
um brilho que parece fugir-me.
Em silêncio,
escuto nos sons da natureza,
a tua voz maviosa,
como um canto de ave
a esvoaçar
em torno do meu ninho,
quase ao meu alcance,
quase distante.
Procuro-te
em cada aroma de flores,
como se me oferecesses
um delicado manjar,
tentação que me chama e se esconde.
E acordo...
Do sonho,
fica apenas o eco de ti
na luz suave do amanhecer,
presença que persiste
entre brilho fugaz e memória.
Emília Simões
04.04.2026
sábado, maio 17, 2025
A casa parece-me tão longe...
Pixabay
A casa parece-me tão longe...
Partiste e deixaste-a vazia.
As andorinhas ainda fazem o ninho no beirado
e as rosas do quintal ainda lá estão perfumadas.
O meu silêncio fala-me de ti
e da casa cheia, com os risos das crianças,
e das festas que improvisavam só
para te ver sorrir.
Tudo está diferente e até o tempo
anda caótico, em alternâncias constantes,
num Planeta já tão pouco azul.
Os peixes do rio também
já não são os mesmos. A poluição matou-os.
Agora já nem lhes sei os nomes.
Quero apenas recordar o tempo
do nosso tempo, tão claro, tão transparente,
com o sol nascente e poente
a incendiar-nos os dias.
@Emília Simões
17.05.2025
sábado, maio 10, 2025
A primavera
Emília Simões
10.05.205
sábado, outubro 12, 2024
As palavras
Levanto voo para alcançá-las, mas
a gravidade deita-me ao chão.
Ergo-me e tento trepar.
O tronco, escorregadio,
faz-me resvalar e cada vez mais
as palavras se afastam.
Chove e os pássaros, taciturnos,
não abandonam as crias.
As palavras estão cada vez mais longe.
Tento voar numa folha ao vento
para as agarrar mas, teimosas,
ignoram-me.
Esqueço-me, por instantes,
que ainda não é o tempo
propício das colheitas.
Emília Simões
12.10.2024
sábado, janeiro 28, 2023
Na nudez das árvores
Na nudez das árvores
sobre os galhos secos
os pássaros sustêm o canto.
Asas cerradas
na espera do voo
que o frio retrai
e o silêncio guarda.
É inverno.
O frio açoita os mais frágeis
que, como os pássaros,
não têm ninho.
Apenas a noite...
Ailime
28.01.2023
sábado, julho 09, 2022
Não sabia defender-se dos imprevistos
Não sabia defender-se dos imprevistos.
Seus lábios calavam a dor do desconhecido.
O seu coração continha as emoções
que tentava segurar entre os dentes
e, as suas mãos, trémulas, prendiam a esperança
que teimava em arredar-se de si.
O sorriso tinha adormecido no seu rosto cansado.
Assim acordou a madrugada
com a notícia que tardava.
Os pássaros voltaram a voar
e a fazer ninho no seu peito.
Ailime
09.07.2022


