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sábado, julho 18, 2026

O beijo

O beijo
Gustav Klimt

O beijo é sagrado
quando sela o amor
que vai esculpindo a vida 
no desbravar de horizontes
fixando os olhares
na mesma direção,

tantas vezes atravessando
desertos áridos
sentindo a areia a escorrer
entre os pés 
e uma sede dorida,
sem oásis à vista.

O beijo é sagrado
quando lê no outro o próprio
pensamento
numa simples chávena de café
esquecida sobre a mesa.

O beijo é sagrado
quando tantas vezes 
é o silêncio que fala.

O beijo é sagrado
 quando desperta o desejo
da construção do poema —

 a aprendizagem da vida,
 o nosso maior poema.

Texto
Emília Simões
18.07.2026

sábado, julho 04, 2026

Em silêncio

 


Tenho seguido a tua cruz,

quase em silêncio.

Há silêncios que dizem mais

do que mil palavras.

O silêncio respeita o sofrimento,

abraça a dor

e fortalece a amizade.

Num deserto, aqui tão perto,

encontrei um oásis

vestido de flores amarelas.

Assemelhavam-se ao sol

e irradiavam uma luz

que não sei definir.

Seria a luz da esperança

a brilhar nos teus olhos?


Texto e foto
Emília Simões
04.07.2026

segunda-feira, maio 23, 2022

Na escassez das palavras


Maria Caldeira


Na escassez das palavras

a sede no deserto 

como um rasgão na pele

miragem e silêncio

nas poeiras das dunas

a toldar o pensamento

que clama pelo voo das aves

para dissipar as névoas

Há vazios e grãos de poeira

a marejar os olhos

nos silêncios da tarde

que, em vão, suplicam

que o oásis floresça.



Texto
Ailime
23.05.2022


terça-feira, agosto 31, 2021

É quase outono nas dunas



É quase outono nas dunas,

os oásis  têm sede  e as plantas mirram.


Nada é igual como dantes

quando os caminhos floriam de paz

nos teus pés descalços pelo vento

deambulando como plumas.


Ainda estamos a tempo

de colher flores amarelas

nos dias em que as névoas

orvalharem os desertos.


Texto
Ailime
31.08.2021
Imagem
Google

segunda-feira, junho 29, 2020

O silêncio

O silêncio raramente escuta o que tenho para lhe dizer
If I Die Young • Não importa onde estivermos nosso amor sempre ...tomba-me na face qual lágrima de cristal
a inundar a margem das sombras invisíveis
como barco encalhado  nas marés cheias de pássaros
e a luz a querer perpetrar um sol faiscante
qual oásis num deserto sedento e solitário.
Enquanto isso os ecos continuam imperturbáveis.




Texto
Ailime
29.06.2020
Imgem Google

quinta-feira, julho 14, 2016

Um silêncio, uma pausa


Um silêncio, uma pausa
e um rio que emana
mananciais de deserto
libertando orvalhos,
que se transmutam
em oásis de escuta.

O vento cálido
sopra nas dunas
os ecos insondáveis
dos enigmas
que a terra gera.

24.06.2013
Ailime (reposição)
Imagem Google
(Estarei ausente da Net durante algum tempo.
Até breve).

terça-feira, março 12, 2013

Porque canto

O grito - Munch
Porque canto o que não me encanta,
Se nos silêncios de mim
As trevas que me envolvem
Me sufocam o grito
Preso na garganta quase rouca
Onde já nem sequer as palavras
Ousam revelar-me os segredos
Das primaveras floridas.

Porque canto o que não me encanta,
Se o mar de águas revoltas
Me nega os areais de espuma
Onde as anémonas e os búzios
Afagavam ondas de esperança
Que os desertos agora consomem
Em oásis desprovidos de flama.


Ailime
12.03.2013
Imagem Google