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terça-feira, julho 20, 2021

Atravesso contigo o minucioso universo


Atravesso contigo o minucioso universo

e conto as estrelas que nos separam dos abismos

onde repousam os nossos silêncios.

Dás-me a tua mão que me segura e fortalece

e afastas todos os medos que eu invento

quanto não estás perto de mim,

como se o mar me segredasse

os ecos nas margens dos oceanos

que habitam na serenidade  das águas.

As sombras dispersam-se  na luz

enquanto os pássaros em voo rasante

mergulham no tempo as medusas da lucidez.


Texto
Ailime
20.07.2021
Imagem
Google


sábado, abril 04, 2020

Nas escarpas dos dias

Canto meu

Nas escarpas dos dias
caminho descalça sobre o vento, 
como se desventrasse os silêncios
que me movem
no imprevisível deserto do ocaso
que se desnuda em oceanos
opacos e turbulentos
na incongruência
dos ponteiros do relógio
consumidos por águas movediças
que resistem à estranheza
das margens dos rios 
corrompidos pelas marés.

Enquanto isso, os pássaros,
imperturbáveis,
continuam os voos.


Texto 
Ailime
03.04.2020
Imagem Google

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

Os meus poemas



Os meus poemas não são poemas de amor,
Ou serão de amor as palavras
Que guardo incólumes no cerne de mim
Como se as tivesses proferido ontem
E jamais tivessem sido envolvidas
Nas volúpias tecidas de teias
No emaranhado do tempo, precoce.

Não, os meus poemas não são poemas de amor.
São frágeis pedaços de tempo,
Urdidos nas maresias intemporais
De madrugadas estéreis de luz
Que foram percorrendo oásis
Em longínquas praias inóspitas
Submersas por oceanos dispersos.

Ailime
07.02.2013
Imagem Google