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sábado, fevereiro 08, 2025

A poesia é livre



A poesia é livre e escorre
como um rio que, pela encosta abaixo,
vai serpenteando montes e vales 
até chegar à foz.
Mas, como o rio,
também a poesia
encontra obstáculos,
silêncios, incertezas,
e tantas vezes 
fica presa na garganta.
O poeta sente-se então incapaz
de desbravar a secura das palavras,
que teimam em ficar coladas
no palato do silêncio.
Uma rajada de vento
revolve a natureza.
O poeta estremece;
as palavras soltam-se.

Texto e foto
Emília Simões
08.02.2025

quinta-feira, maio 31, 2012

Murmúrios



Nos escombros oblíquos
De almas que se constroem
Transparentes e lúcidas
Distingo na palidez dos rostos,

(Que se revelam incrédulos
Definhados pela amargura
Nas incertezas que persistem,)

Murmúrios imperceptíveis
Em esgaçados lamentos
De existências inatingíveis.

Ailime
31.05.2012
Imagem da Net

quarta-feira, dezembro 01, 2010

À procura de um sinal

Na solidão instalada em mim
Inalo gotas de chuva, frias
Como as manhãs incompletas
Do meu desassossego.

Sinto a indiferença do tempo
E as auroras que não despertam,
Como se repousassem num sono
Infindável de incertezas.

Sondo o horizonte infindo
À procura de um sinal,
Que me despegue da inércia
Que por instantes me aprisionou.


Ailime
01.12.2010

Imagem cedida gentilmente pela Net