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sábado, maio 23, 2026

Caminho

Rio Tejo

Caminho por terrenos escabrosos,
piso pedra sobre pedra,
subo montes,
desço por vales e planícies,
repouso nas margens do rio,
onde escuto a tua voz ausente
falar-me de mansinho
no murmúrio suave das águas.

Chamo-te, e não respondes.
O eco da minha voz não regressa
e uma brisa suave acaricia-me o rosto.

Apesar do silêncio que fere,
o teu nome continua indelével,
a bailar nas águas do rio.


 
Texto e foto
Emília Simões
23.05.2026



sábado, março 21, 2026

Olho o céu

Freepik

Olho o céu e observo-te para lá das nuvens.

Uma luz suave infunde em mim a saudade.

Não ouço a tua voz, mas leio as palavras que deixaste,
plenas de amor e humanidade,
que me deixaram profundamente comovida.

Tento respirar e sentir-te na primavera
que não chegaste a completar.

Um travo amargo percorre o meu pensamento,
porque um amigo que se perde é um pedaço de vida
que se esvai, mas cuja memória fica guardada
para sempre, no mais recôndito do ser.

Há uma presença discreta que persiste,
como um eco que o tempo não apaga.

Por vezes detenho-me
em memórias,
breves,
não apenas no céu que observo,
mas naquilo que, sem ruído,
permanece.

Texto 
Emília Simões
21.03.2026

sábado, novembro 26, 2022

No tumulto das palavras

Belinda Flores

No tumulto das palavras sinto solidão.

Não é que as palavras não foquem sentimentos,

mas, por vezes, o gume ácido da vida

não deixa que façam sentido.


Na transversal das ruas que percorro

como ave sem penas, ouço à distância

o eco do silêncio que se me quebra na voz.


Há uma infinidade de ruas a percorrer

para melhor entender o significado

do que me rodeia, do que me espanta.


Porque a vida não sendo reta

é feita de sóis e de luas,

de abraços e palavras.

De ecos e resplendores

na partilha dos silêncios.


Texto
Ailime
26.11.2022