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sábado, julho 25, 2026

O silêncio é ...

O silêncio é uma flor que desabrochou ao sol.
O silêncio é um pássaro que voa
ao entardecer sobre o mar.

O silêncio é uma criança a brincar.

O silêncio é um abraço apertado de um amigo.
O silêncio é a chuva a molhar-te ao relento.
O silêncio é o sol a entrar pela tua janela.

O silêncio é a aragem fresca da madrugada.
O silêncio é o teu olhar nos olhos do outro.
O silêncio é o espanto na alegria da surpresa.

O silêncio é gritar o amor sem dizer nada.

O silêncio é amar-te, assim, sem medida.


Texto e foto (Sol IA)
Emília Simões
25.07.2026




sábado, maio 02, 2026

O silêncio...

Pixabay





Há silêncio quando o sol se põe.
Há silêncio com o espanto
do brotar de uma flor.

Há silêncio na floresta quando as
árvores falam entre si.
Há silêncio quando as aves fazem o ninho.

Há silêncio na frescura das manhãs,
quando a aurora desponta.

Há silêncio quando a terra absorve
a chuva e faz brotar a primavera.

Há silêncio na água que escorre,
plácida, no regato.

Há silêncio nos jardins
quando as flores 
parecem dançar 
na brisa suave do vento.

Há silêncio quando o poeta
não tem inspiração
e percorre o pensamento
sem encontrar a palavra certa.

Há silêncio quando os rios
tocados pelo azul das nuvens
refletem afetos gravados
nas margens submersas.

Há silêncio
se estivermos atentos,
quando o sol brilha
e ilumina a vida.

Texto
Emília Simões
02.05.2026

sábado, agosto 12, 2023

Tinha na pele o cheiro das flores


Tela Daniel Ridgway

Tinha na pele o cheiro das flores

e rasgava as searas com os sentidos

na alvura da manhã bebia o orvalho

antes que o sol lhe queimasse o corpo.


Inebriados pelo frescor do amanhecer

os pássaros voejavam de mansinho

entoando cantos maviosos da aurora.


Ao lado, o rio, sabia-lhe de cor o nome

e sorria-lhe, cúmplice, na maré cheia

nos acordes da vida a renascer.


Era o espanto que a revigorava

nas primeiras horas do dia

trazidas pela lezíria

como barcos a respirar.


Texto 
Ailime
12.08.2023

sábado, janeiro 21, 2023

O mar

                                                
            


Observo o mar sempre com espanto;

quando escuto o seu rugido

nas noites de tempestade 

ou quando suavemente beija

as areias douradas duma praia qualquer,

logo ao nascer do sol.


O mar é irrequieto e  imprevisível

e tanto arrasta ondas brancas como neve

como cascos de navios afundados.


O mar é alegria e brisa

é força e leveza

que me envolve como um véu

quando fito todo o seu esplendor

nos inaudíveis silêncios.


Texto e foto
Ailime
21.01.2023



terça-feira, maio 17, 2022

Diante do mar o espanto


Pintura (Óleo) desconheço o autor



Diante do mar o espanto
pássaros no horizonte
com seus voos em alvoroço
esboçam teias de luz
que acolho no meu regaço
como se fossem pedaços de tempo
a adiar as manhãs.

Mar azul, mar refulgente
ondeando em espuma de neve
esculpe no areal dourado
os beijos dos amantes
que na praia serenados
quando o sol se esconde 
apenas o murmúrio do mar

Mar tão longe e tão perto
sempre tão belo, por vezes medonho
trazes a luz, mas também as sombras
Mar brilhante que seduzes
quantos de ti se aproximam
por teres uma beleza única
através de ti o amor.


Texto
Ailime
17.05.2022

quarta-feira, março 23, 2022

Entre a luz e as sombras.


William Turner


Se queres enfrentar o caminho

percorre-o pedra sobre pedra;

encontrarás muros e declives

e descansarás no chão molhado.

A tua sede será mitigada,

mas não declines o futuro

que aos teus olhos se antevê.

Uma espécie de pacto será

o espanto que te distinguirá

entre a luz e as sombras.


Texto
Ailime
23.03.2022

sexta-feira, novembro 29, 2019

No tempo dos frutos maduros

Imagem relacionada
Cecilia K Yoshida

No tempo dos frutos maduros
colocavas sobre a mesa o teu suor.
O teu rosto sorria e as uvas
de tão maduras e doces,
como o mel de flores silvestres,
resplandeciam-te no olhar o espanto
de quem sabe as cores do plantio.

Da tua boca vermelha,
como romãs,
escorria a beleza das rosas
que te caíam no regaço
atravessando a noite
que te estendia as mãos
num silêncio imperceptível.   

Texto
Ailime
28.11.2019                                                 

segunda-feira, abril 22, 2019

Naquela madrugada


Naquela madrugada 
a cidade acordou antes do tempo. 
Pássaros em alvoroço 
sobrevoavam barcos 
marés cheias 
escarpas e silêncios. 

O rio, lá em baixo, a espreitar, 
azul de tanto céu. 
Estalavam foguetes 
Rostos mudos de espanto 
Clarões 
Olhares incrédulos. 

Onde estavam as sombras? 
Multidão em êxtase 
sorrisos e abraços. 
A longa noite expirara. 

Uma flor ergueu-se 
rubra como sol nascente  
no cano duma espingarda 
iluminou Abril. 


Texto
Ailime
22.04.2019
Imagem Google

terça-feira, abril 25, 2017

Em Abril


Em Abril sonhei-te como pólen no chão adormecido
E abriguei-te no meu peito aberto ao vento
Qual noite a emergir na madrugada
Do silêncio a luz se fez espanto.

Como um véu abriste-te em amor
E deste-te em abraços e harmonias
Num só voo ainda entoamos
Alvorada em flor até ser dia.


Texto (reposição revista)
Ailime
25.04.2015
Imagem Google

quarta-feira, junho 29, 2016

Contemplação


O espanto trespassa-me o olhar
quando o sol incendeia  o horizonte
e alastra sobre  o universo
o  silêncio  da tarde.

Como num espelho,
o  firmamento afaga as brumas
que povoam o meu sentir
e deixo que o paraíso
me envolva como águas,
         cristalinas,
a brotar da nascente.

Quedo-me num mutismo
contemplativo
que  me confunde e desconcerta.

Apenas uma brisa suave
me reconcilia na alma
o sentido das palavras.


Texto
Ailime
(29.06.2016)
Foto de Neca retirada do Blogue