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sábado, agosto 15, 2026

No meu silêncio

 

Pixabay


No meu silêncio, sentada sobre a escarpa

ao entardecer, quando o tom dourado

do sol abraça a natureza,

ouço a canção do mar 

e expando o olhar através do horizonte.

Uma leveza envolve-me

e impele-me para uma dança

envolta numa aragem 

que me embala e rodopio, rodopio,

como se asas invisíveis conduzissem

o meu corpo suspenso sobre o mar.

Sinto nos lábios um sabor a maresia

e pássaros aproximam-se,

num revoar de mansinho.

O sol esconde-se no horizonte.

Estremeço e sorrio.

Era apenas um sonho.

Texto 
Emília Simões
15.08.2026

 

sábado, agosto 09, 2025

Neste mar imenso


Neste mar imenso mergulho o meu olhar,

a minha sede, os meus sonhos, o meu silêncio.

A brisa marinha envolve-me, cálida, mas serena.


Sentada numa escarpa,

atenta ao vaivém das ondas

que, em espirais, rodopiam agitadas,

como numa dança, numa linguagem,

que desconheço,

sinto como que um convite a meditar,

nas minhas escolhas, nas minhas imperfeições.


No horizonte, o sol já há muito adormeceu.

Fico mais uns instantes,

até que um pássaro voa rasgando o céu nublado,

deixando-me só, a cismar.


Neste momento renuncio ao silêncio.

Apenas a voz do mar continua

entranhada em mim.


Texto e foto
Emília Simões
09.08.2025


sábado, junho 29, 2024

Tarde de verão


Sentada na escarpa observa o mar

que, num doce vaivém, beija as areias da praia.

Forte neblina envolve todo o cenário

duma estranha tarde de verão.

Os barcos já há muito que partiram 

deixando os rastos no horizonte.

Iam cheios de ilusões e esperanças,

mas o mar anda sufocado

por detritos incontroláveis,

que estonteiam a vida marinha.

Regressarão mais cedo,

vazios os sonhos dos pescadores

que desesperam.

Olha em seu redor.

A praia está deserta.

Chove, no mar das ilusões

e as gaivotas partem em debandada.


Texto e foto
Emília Simões
29.06.2024



sábado, março 30, 2024

O pasmo diante da candura das pétalas


O pasmo, diante da candura das pétalas.

O inseto suga-te o néctar.
Debaixo das asas, o chão
que os meus pés pisam
vagarosamente.

Naquela folha o desdém 
de quem não entende
o respirar dos pássaros
na construção dos ninhos.

Subo a escarpa e observo o horizonte.

Uma nuvem esconde o sol
e o dilúvio, de novo,
tomba sobre as folhas.

A luz reacende o entardecer
com a rapidez dum relâmpago.


Texto e foto
Emília Simões
30.03.2024

Desejo a todos os meus amigos e famílias uma santa e Feliz Pascoa!

sábado, fevereiro 17, 2024

Nas intermitências do tempo



Nas intermitências do tempo
desbravo caminhos e, em silêncio,
colho alvoradas suspensas
nos sorrisos, com que te revelas,
em teus olhos brilhantes 
quando me fixas,
numa profusão de cores,
como se a primavera
envolvesse num abraço,
o tempo que resgatámos.
As manhãs são mais sadias,
as tardes, mais leves,
o teu amor mais firme.
Da escarpa, um pássaro voa
levando nas asas, para longe,
segredos que não deixaram rasto.

Para minha mãe

Texto 
Emília Simões
17.02.2024
Imagem Google



domingo, dezembro 10, 2023

Sentada na escarpa



Sentada na escarpa

vagueio o olhar pelo horizonte 

que perscruta o entardecer, 

de uma tarde de outono.

Recordo-me da varanda

de onde ao acordar

vislumbrava o amanhecer.

Os dias tão longos,

hoje tão curtos.

A alma imperturbável

recolhe nos recônditos da memória

as cores, que hoje tão distantes,

estão aprisionadas

no pensamento.

Quando a noite murmurar

o frio e a geada do inverno,

a primavera florescerá

nas pontas dos meus dedos.


Texto
Ailime
10.12.2023
Imagem Google


segunda-feira, junho 12, 2023

Eterno desejo de amar

Esta a minha participação respondendo ao amável convite de Rosélia, no seu Blogue Escritos da Alma,
para escrever um poema subordinado ao tema Amor, para celebrar o dia dos Namorados no Brasil.

Caminhando pela praia deixo-me seduzir pelo vento

e aspiro a brisa do mar que me fala de ti.

Pressinto-te ao longe junto à escarpa

e vou no teu encalce como se foras um príncipe,

que mora em meu coração desde sempre.

Anseio pelo reencontro.

Há tanto tempo que não te vislumbro,

mas sei que me esperas com o mesmo anseio

com que outrora me abraçavas e beijavas.

Hoje não vai ser diferente e o nosso abraço

prolongar-se-á no tempo, num eterno desejo de amar.


Texto
Ailime
09.06.2023



sábado, agosto 27, 2022

Nas asas do vento



Nas asas do vento descansava

das provações da vida.

O seu coração ficava leve, leve

como pássaros a esvoaçar

em redor da sua cintura.


Decidira não mais se penalizar

por todos os absurdos com que se cruzara.

Era um caminho árduo, silencioso

que lhe ardia sob os pés cansados,

onde não queria voltar.


Como um inseto saltitava 

sobre as flores secas  e sem cheiro

e redimia-se num casulo de silêncio

numa escarpa junto ao mar.


(Vou estar em pausa por duas semanas. 
Regressarei na terceira semana de setembro)Vou estar em pausa por duas semanas.
 Regressarei na terceira semana de setembro).


Ailime

Texto
27.08.2022
Imagem Google

sábado, agosto 20, 2022

Queria abraçar o tempo


Queria abraçar o tempo como quem

navega à deriva

e rasgar as nuvens com os olhos

como se fossem pássaros,

a poisarem-lhe nas mãos esguias 

as tempestades do mar.


Um barco pousou-lhe no rosto

a ondulação dos mares

e dos seus olhos escorreu

a maresia, que ainda a prendia

à escarpa do silêncio

que trazia  presa no peito.


Encontrava-se perdida

nas sombras ocultas das névoas.

Apenas o silêncio

lhe devolvia os vestígios

do tempo, que alcançara

sem sequer o vislumbrar.


Texto
Ailime
20.08.2022
Imagem Google





segunda-feira, fevereiro 28, 2022

Nem tudo nos dias é claro


Michel Leah Keck



Há dias iguais,
mas  há dias mais iguais que outros
quando os silêncios percorrem a noite
e os pássaros voam mais alto.

Tudo nos dias é fugaz
e nem sequer  as lembranças
trazem à tona os rios nelas imergentes.

Há dias iguais
mas  há dias mais iguais que outros
quando o mar agitado empurra a nau
que se desmorona na escarpa.

Nem tudo nos dias é claro,
porque apenas os lobrigamos
nas ferozes tenazes da guerra.


Texto 
Ailime
28.02.2022
Imagem Google

domingo, agosto 22, 2021

Sonho



Na escarpa sentada

avisto um navio ao longe

minhas mãos são como conchas

em que o  silêncio me refaz

do cântico dos búzios

a soletrar medusas

corais e marés-cheias.


O vento arrasta-me

pelas dunas de areias movediças

despenteia-me os pensamentos

como aves em pleno voo

a entoar a canção 

à deriva das correntes.


Virada para o mar

Recomponho-me do sonho 

- Cai a pino a luz do meio-dia.


Texto
Ailime
22.08.2021
Imagem
Google


sábado, julho 25, 2020

O medo

Medo: por que sentimos e como superá-lo – Blog Vittude

Quisera que o medo fosse uma névoa
uma simples palavra sem nexo, 
a vaguear por vales profundos e longínquos
onde os pássaros não a alcançassem
nem os relâmpagos a faiscassem
nem os ecos a cativassem
como se fora um buraco negro
a doer-me dentro do peito.
quisera não entender o medo.
refugiar-me num barco verde
numa praia de águas límpidas
onde o sol brilha em cada pedrinha azul
que te devolve as insondáveis horas 
em que te deténs sobre a escarpa alada
dum tempo fora de tempo.
em que as incertezas se tornam certezas
nas tuas mãos vazias de gestos
quando os teus olhos, côncavos,
se retraem no exílio.


Texto
Ailime
25.07.2020
Imagem  Google

domingo, abril 03, 2016

No meu silêncio


No meu silêncio
acolho penumbras e barcos
a resvalar
nas marés
das tardes
quando o vento
me açoita 
o rosto gelado
debruçado na escarpa
e as flores 
penduradas nos galhos
baloiçam
como  ondas
a desenhar na areia
o rumo das aves. 

Texto e foto
Ailime
03.04.2016

quarta-feira, abril 24, 2013

As palavras quedaram-se



As palavras quedaram-se
Num soturno silêncio
Que envolve os astros
E atordoam o mar
Na manhã que tarda

As marés ondulam
Ao sabor dos ventos
E salpicam o horizonte
Na ausência da praia

Na escarpa íngreme
Apenas o sol reflete a bonança.

Ailime
24.04.2013
Imagem Google