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sábado, novembro 25, 2023

No meu canto



No meu canto escrevo uma palavra, 

depois outra e ainda outra.

Que pretendem meus dedos expressar

quando seguram a caneta e ela desliza

lentamente, como a desenhar um poema

que nem sequer está esboçado?

Deixo que gotas de tinta escorram

e molhem o papel e nesse borrão

eu tenha esculpido algo

que se assemelhe a poesia.

Tal como o pintor, quando na tela

deixa que as tintas se esbatam 

e formem a sua inspiração contida.

A tinta secou, olho-a incrédula!   

Nada restou e o poema não aconteceu.


Texto
Ailime
25.11.2023
Imagem Google



domingo, outubro 17, 2010

Porque insisto em escrever


Porque insisto em escrever
Se me faltam as palavras,
Se nem sequer as folhas
Douradas dos plátanos
Deste Outono instalado,
Me aguçam a inspiração.
Sim, porque insisto
Em escrever palavras
Que me povoam e
Nada significam.
Gostaria de ser poeta
Para transmitir mensagens,
Pensamentos, estados de alma.
Falar de sentimentos,
De alegrias, tristezas e de
Outras coisas que os poetas
Costumam publicar.
Mas nada emana de mim;
Sinto-me esmagada pelo tempo,
Pelo espaço que me rodeia,
E me prende os movimentos.
Não consigo vislumbrar o sol,
Porque uma maresia imensa
Teima em envolver-me
E as palavras foram-se de mim.

Ailime
17.10.2010
Imagem cedia gentilmente pela Net