sábado, março 28, 2026

Perscruto o horizonte

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Perscruto o horizonte.

Nas nuvens, ainda ardem
fragmentos do passado.

Cores dispersas
tingem de azul e verde
o mundo à minha volta.

Uma brisa suave, quase muda,
desassossega-me.

O corpo cede,
pesado de memórias.

Embriago-me no aroma das flores
que já me foram casa,
enquanto os insetos
insistem no néctar do instante.

E tu,
oferecias-me o mel,
em silêncio,
a adoçar o que em mim doía.


Texto 
Emília Simões
28.03.2026

sábado, março 21, 2026

Olho o céu

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Olho o céu e observo-te para lá das nuvens.

Uma luz suave infunde em mim a saudade.

Não ouço a tua voz, mas leio as palavras que deixaste,
plenas de amor e humanidade,
que me deixaram profundamente comovida.

Tento respirar e sentir-te na primavera
que não chegaste a completar.

Um travo amargo percorre o meu pensamento,
porque um amigo que se perde é um pedaço de vida
que se esvai, mas cuja memória fica guardada
para sempre, no mais recôndito do ser.

Há uma presença discreta que persiste,
como um eco que o tempo não apaga.

Por vezes detenho-me
em memórias,
breves,
não apenas no céu que observo,
mas naquilo que, sem ruído,
permanece.

Texto 
Emília Simões
21.03.2026

sábado, março 14, 2026

Os meus olhos vagueiam perdidos


Edvard Munch

Os meus olhos vagueiam perdidos
na penumbra dos dias em que
a claridade se ausenta
de mentes que não enxergam horizontes
de justiça, lealdade e amor.


Nas águas do mar embrenho-me
para dissimular o sal
que me escorre do rosto,
numa mistura límpida,
purificando os ruídos que me perturbam
os sentidos e a razão.


Um silêncio inquietante 
roça-me os passos
e a voz atrofia-se 
num gesto desumano.
Quando irromperá a luz
no coração de quem ignora
os caminhos da paz?


Texto
Emília Simões
14.03.2026


sábado, março 07, 2026

Além da Flor


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Hoje não revi nenhum poema.
A preguiça ou a falta de criatividade
inibiam-me de escrever um poema novo.
Não é que eu seja poeta,
mas, por vezes, gosto de escrever
sobre coisas que penso, que me atravessam
as veias e me fazem olhar o mundo,
com alguma apreensão.
Mas não vou falar disso.
Hoje quero escrever sobre a Mulher.
Ainda se celebra o seu dia.
Como se não tivesse o direito
de ter nascido Mulher.
Gosto de ter nascido Mulher
e orgulho-me de ser mãe de dois filhos.
Mas, nem todas as mulheres são mães,
nem todos os homens são pais.
O importante é a dignidade do ser humano,
que habita o ser de cada homem e de cada mulher.
Neste dia costuma-se oferecer à Mulher uma flor.
Sugiro: ofereçam amor.
Porque a sociedade está muito egoísta
e esquece os sentimentos que se devem nutrir 
por cada outro.
Festeje-se a Mulher e o amor.
A vida e a paz.
O respeito pelas diferenças.
Talvez um dia, quem sabe,
o Homem e a Mulher
finalmente se complementem
e o dia seja apenas lembrança
dum passado distante.

Texto
Emília Simões
07.03.2026