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sábado, junho 13, 2026

Na aridez dos dias

Pixabay


Na aridez dos dias

em que as manhãs acordam

sem horizontes definidos,

penumbras toldam os olhares

que sobre os barcos estendem as mãos vazias,

na procura do tudo e do nada

do tanto e tão pouco

num rio em chamas 

entre margens geladas

num silêncio profundo 

coberto de limos.

Ao longe, um estrondo, um gemido.

O mundo a desmoronar-se

sobre os barcos desfeitos

submersos nas cinzas

espalhadas no dorso do rio.


Texto,
Emília Simões
13.6.2026



quinta-feira, março 17, 2022

Falta-me o chão

 


Falta-me o chão, esta não é a minha rua.

Subo e desço calçadas e escondo-me 

num vão de escadas.

Não sei como cheguei até aqui

Corri mais veloz que o vento

Tenho os sentidos adormecidos

Repouso o meu corpo cansado

O barulho é ensurdecedor

Ouço gritos, vozes roucas desesperadas

Parece-me ouvir um estrondo

Decerto estou a sonhar

Será um pesadelo?

Espreito a porta, quero acordar

Multidões fogem estarrecidas

Crianças ao colo, outras pela mão a chorar

Tenho fogo nos pés e voo

Não quero fugir, quero ficar aqui

Defenderei o meu chão

com cinzas na boca.

Mesmo com a alma mutilada

deixarei o meu corpo gravado

nesta terra que é minha.

 

Texto
Ailime
16.03.2022
Imagem
Google