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sábado, junho 06, 2026

A poesia

 



Ao acordar não vislumbro a poesia

e observo as flores da minha varanda.
Flores modestas que, naquele recanto,
são o meu pequeno jardim.

Nelas me revejo
na alegria com que me devolvem o olhar.

Será poesia?
Ou pura fantasia?

Afago-as com ternura
e sorrio.

Talvez a vida seja mais simples
quando aprendemos a encontrar perto
o que nos faz felizes.

Há tanto à nossa volta
que alegra e deslumbra,
porque na simplicidade
o belo encontra morada.

A poesia pode habitar
numa simples flor,
por vezes esquecida num canto,
mas que, no instante certo,
desabrocha,

corre nas veias,
acende o sangue,

reluz em nós
e abre caminhos.

Texto e foto
Emília Simões
06.06.2026

sábado, março 29, 2025

Nas montanhas aprendi o rumo


Nas montanhas aprendi o rumo
por caminhos oblíquos.
Rasguei a fome com mel
e flores silvestres.
Caminhei só, ao sol, à chuva,
suspensa em ramos de árvores
que me serviam de abrigo.
Subi a pulso um monte e outro.
O meu corpo transpirava sangue,
a noite entranhava-se-me na pele.
O silêncio fazia-me companhia.
Dormi com as aves e acordei
suspensa nos ninhos.
Chove sobre os meus olhos.
As nuvens parecem fontes
que se transformam em rios.
...
Agora o sol beijou-me o rosto.
Nas sombras encontrei a luz
e nas palavras renasci.

Texto e foto
Emília Simões
29.03.2025 

sábado, junho 08, 2024

Era pungente o seu viver



Era pungente o seu viver.

Penalizava-se por atos irrefletidos.

Chegava a cravar as unhas nas 

palmas das mãos

para se distrair desses atos

que ainda a combaliam.

Não dava mostras de remorsos,

mas fora dura consigo mesma

e não se perdoava

martirizando-se descalça

sobre espinhos que lhe feriam a alma.

O suor a escorrer sangue,

os lábios cerrados cobertos de sal,

não lhe davam a paz

que o seu coração ansiava.

Na correnteza do rio

muitas lágrimas caídas

misturavam-se com os peixes.

Ainda hoje se julga amarrada

à pedra onde esculpia a sua dor.

Texto
(Ensaio sobre ficção)
Emília Simões
08.06.2024
Imagem Google