Gustav Klimt
«As palavras pesam. Um texto nunca diz a dor das pequenas coisas» Graça Pires in Poemas escolhidos
sábado, julho 18, 2026
O beijo
Gustav Klimt
sábado, abril 27, 2024
Silêncios
Em silêncio o coração fala.
Em silêncio percorrem-se desertos.
Em silêncio as flores brotam.
Em silêncio faz-se uma prece.
Em silêncio crescem trigais
e frutificam as vinhas.
Em silêncio o sol amanhece
e em silêncio esconde-se no ocaso.
Em silêncio escuto a tua voz
que me fala de amor.
No silêncio da noite pés descalços
tateiam campos agrestes
e alguém chora
no meio dos destroços da guerra.
No silêncio do mundo
ninguém ouve as vozes que gritam
a fome e o desespero.
No silêncio cabem tantos silêncios
que te asfixiam a voz e o ser
sábado, agosto 13, 2022
Do verão
O verão das sedes, dos fogos, das inquietações,
mas também de águas frescas, de sombras e reencontros.
De desertos, de alvoradas, que anunciam dias claros.
De estradas cheias de pó, de pés descalços no chão que escalda.
Uma mão estendida no meio do nada.
Gotículas de sal a escorrer dos olhares
pelas faces, esculpidas pela dor das distâncias
dos silêncios, onde as palavras se aninham
sem encontrar o sentido das vozes,
que tardam em pronunciar a brancura dum sorriso.
No verão, ao relento, tardam os dias claros.
A noite preenche os vazios do silêncio.
terça-feira, outubro 05, 2021
Nem sempre o poema germina
Nem sempre o poema germina
como se fora raiz a brotar do chão árido.
O poema tem de ser esculpido,
entalhado, como se fora uma obra de arte
nas mãos do escultor
que grava a sua arte na pedra,
antes informe e discreta.
O poema na ausência das palavras
deve ser voz
a anunciar os ecos do silêncio
dos desertos profundos.
O poema necessita ser água
límpida e pura
para mitigar a sede dos poetas.
Ailime
05.10.2021
Imagem Google


