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sábado, agosto 22, 2026

Porque choravas, mãe?

 

DreamsTime

De degrau em degrau,
pedra sobre pedra
percorremos
os nossos caminhos.
Nem sempre lado a lado,
nem sempre na mesma direção.
Eu era irrequieta, dizias.
Porque seria?
Eu não entendia nada
do mundo, que apesar de tudo,
me deslumbrava a cada instante.
O mundo das pessoas crescidas
era uma incógnita para mim.
Muitas vezes choravas e
nunca me disseste porquê.
Na natureza cresci,
rebolando nas ervas macias,
a ouvir o canto dos pássaros
nas minhas brincadeiras de maria rapaz,
que me devolviam a alegria,
como dizias.
Eram formas de expressão que encontravas
para as minhas traquinices.
Dessas memórias
ainda guardo do teu belo rosto,
as lágrimas que deslizavam
pelas tuas faces, em silêncio
e que tanto me confundiam.

Ainda hoje não sei: 
porque choravas, mãe?

Texto
Emília Simões
22.08.2026


sábado, abril 06, 2024

Quem escreve, lê e ouve os poemas?



Quem escreve, lê e ouve os poemas?

O mundo anda muito distraído.

Os ruídos são ensurdecedores.

Mas o mar esboça na areia com a sua maresia

rendilhados de espuma branca.

As gaivotas leem nas migalhas, ao final da tarde,

o sabor do seu sustento.

Nas escarpas homens e mulheres sós

com o sal a escorrer pelas faces

estão atentos aos sons do mar,

sob o efeito das marés.

Talvez um poeta que tenha passado por ali

tentasse passar a sua mensagem

no purpúreo entardecer.

__Mas, ninguém o escutou__


Texto
Emília Simões
06.04.2024
Imagem Google