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sábado, junho 20, 2026

Passo à tua porta


Passo à tua porta.

Subo, pedra a pedra, os anos

e já não vislumbro

o teu rosto,

que sorria para mim

assomando ao postigo

quando, aos saltos,

corria para o teu colo.

Tu, sempre, de braços estendidos.

A rua já não tem pedras.

Vestiu-se de negro.

À noite os pirilampos

já não a bordejam

como outrora, quando

me alumiavam o caminho.

O progresso passou por ali

e tu, já não estás!


Texto e foto
Emília Simões
20.06.2026
Imagem Google

sábado, dezembro 13, 2025

No teu colo

Pixabay


Uma cozinha pequena,
uma lareira grande
e uma fogueira
de chamas a crepitar.

As varas com os enchidos,
na enorme chaminé,
lembravam a matança do porco,
ritual antigo do inverno.

Lá fora, geada e vento.
Tão frio era o inverno.
Era dezembro, mês de Natal.

A tua casa era modesta, mas ampla.
Nela morava o meu aconchego
nos longos serões de inverno,
até adormecer
no calor da lareira.

No teu colo, pela rua iluminada
pelos pirilampos que a ladeavam,
percorríamos o caminho de volta
à minha casa, um pouco acima.

Quando acordava de manhã,
ainda sentia o calor
do teu colo
e da lareira acesa.

Emília Simões
13.12.2025

sexta-feira, junho 19, 2020

O amor


O amor é uma fonte silente
que vai regando o teu colo de luz
parede raiada de branco
onde repousas o coração
rasgas o vento
que te sacia a sede,
mitiga a volúpia
te acende os sentidos
que te desnorteia
quando despertas a pele
no abismo das chamas
até ao dilúvio.


Texto
Ailime
19.06.20
Imagem Google

terça-feira, agosto 28, 2012

E o mundo ainda tão longe



Na geada da minha infância
No teu colo sentada,
O mundo ainda tão longe...

Sentia-me aconchegada
No calor do teu peito,
Ouvindo o crepitar do fogo
Da lareira onde agora
Repousam apenas as cinzas,
Do braseiro que ateavas.

E o mundo ainda tão longe...


Ailime
30.01.2010
Imagem da Net